Carille explica troca do Corinthians pela Arábia e revela sonho: “Fazer sucesso em clube da Europa”

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Fabio Carille quando ainda estava no comando do Corinthians (NELSON ALMEIDA/AFP/Getty Images)
Fabio Carille quando ainda estava no comando do Corinthians (NELSON ALMEIDA/AFP/Getty Images)

Por Tiago Leme, de Jeddah (Arábia Saudita)

Campeão três vezes em apenas um ano e meio como técnico efetivo do Corinthians, conquistas que vieram de forma surpreendente, segundo ele mesmo admitiu. Depois de um início de carreira de treinador com sucesso rápido, Fábio Carille deixou o Alvinegro paulista em maio deste ano e aceitou a proposta do Al-Wehda, clube recém-promovido à primeira divisão da Arábia Saudita. Feliz com a vida até agora em um país com enormes diferenças culturais em relação ao Brasil, Carille tem novamente a missão de vencer em um time que também não está entre os principais favoritos ao título, desafio que ele já provou ser capaz. Mas ele não esconde o seu grande sonho para dar sequência a uma trajetória ascendente: “ser um dos primeiros treinadores brasileiros a fazer sucesso em clubes da Europa”.

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Em entrevista ao Yahoo concedida em sua casa em um condomínio fechado para estrangeiros, onde vive com a família na cidade de Jeddah, Carille explicou que está se preparando para um dia chegar ao futebol europeu, com muito estudo, leituras e aulas de inglês pela internet via Skype.

“A gente tem o Felipão (Scolari) que fez sucesso na seleção (de Portugal, e não em clube (da Europa). Sabemos das dificuldades”, disse o treinador de 45 anos, que revelou que teve sondagens de Sevilla, da Espanha, e Bordeaux, da França, antes de ir para a Ásia.

Contratado em um momento que o Governo da Arábia Saudita está investindo alto financeiramente no campeonato local, Fábio Carille também garantiu que dinheiro não foi o principal motivo para sair do Corinthians. Ele explicou que houve outros motivos para a saída, no entanto, preferiu não entrar em detalhes.

“Eu ganho mais do que no Corinthians sim aqui, mas não é um absurdo. A proposta que eu tive da China em janeiro, essa sim era um absurdo, e eu não aceitei. Tem algumas coisas que me fizeram sair do Corinthians, que isso eu não divido com ninguém, é muito pessoal, muito particular e envolve pessoas”, afirmou o técnico, destacando a segurança que sente vivendo na Arábia e lembrando a ameaça de sequestro sofrida por sua mãe antes da final do Paulistão deste ano.

Após seis rodadas disputadas no Campeonato Saudita, o Al-Wehda ocupa a quarta colocação na tabela, com três vitórias e três empates. A equipe tem sede e manda seus jogos em Meca, cidade sagrada para a religião islâmica, mas os atletas e comissão técnica treinam e moram em Jeddah, na costa do Mar Vermelho, que fica a cerca de uma hora de distância. Dos oito jogadores estrangeiros permitidos por clube, Carille comanda cinco brasileiros: Fernandão (atacante, ex-Palmeiras e ex-Bahia), Marcos Guilherme (meia, ex-Atlético-PR e ex-São Paulo), Régis (meia, ex-Bahia), Anselmo (volante, ex-Internacional) e Renato Chaves (zagueiro, ex-Fluminense), além do venezuelano Otero (atacante, ex-Atlético-MG).

Em uma conversa descontraída, Carille também falou sobre outros assuntos e situações curiosas que já viveu na Arábia, como quando foi barrado na entrada de um shopping por estar de bermuda, sobre seus títulos no Corinthians (dois Paulistas, 2017 e 2018, e o Brasileiro de 2017), o desmanche do time, a relação com Tite e suas ideias de trabalho. Leia abaixo a entrevista completa:

ADAPTAÇÃO À ARÁBIA SAUDITA

É um país muito bom para se viver, pelo menos nessa cidade onde estou morando, Jeddah, que é a cidade mais aberta da Arábia Saudita. É claro que você não vai encontrar coisas de noite, barzinho, bebida, mas fora isso não te falta nada. Os mercados te dão todas as opções possíveis, igual no Brasil. Em relação à estrutura, achei que a gente ia ter muito mais dificuldades, porque é uma equipe que subiu da segunda divisão, mas foi muito melhor do que a gente imaginava. Aos poucos o clube está se estruturando, a gente está muito feliz aqui.

NÍVEL DO CAMPEONATO E JOGADORES ÁRABES

Me surpreendeu isso também, são jogadores técnicos. Eles mostraram isso no jogo contra a seleção brasileira, tem um meio-campo que trabalha bem a bola. Falta terminar melhor as jogadas, mas são muito abertos a ouvir, são muito trabalhadores, gostam de treinar, prestam atenção naquilo que você fala. Isso que o ministro acabou fazendo é uma sementinha para que no futuro a seleção seja melhor ainda. Do jeito que o ministro está mexendo com o futebol daqui, claro que não vai chegar no nível de Europa nunca, mas vai ser melhor. É uma semente que foi plantada, e eu acredito que daqui a dois, três, quatro, cinco anos vai chamar a atenção do mundo inteiro, igual a China chamou a atenção.

SOBRE O AL-WEHDA

É a equipe mais velha da Arábia Saudita, de Meca, uma equipe que é sempre um iô-iô, sobe e desce, sobe e desce. Toda vez que subia ficava nas últimas colocações e caía. Moramos em Jeddah porque Meca é a cidade mais fechada do mundo pelos muçulmanos, então tem dificuldade para viver lá. Aqui em Jeddah estamos a uma hora de lá, então moramos e treinamos aqui em Jeddah, só vamos para Meca para jogar quando é mando nosso. A torcida me chamou atenção. Eles estão querendo ser grandes, está sendo o primeiro ano de um trabalho muito sério, de estruturar. A gente chega com paciência e explica das coisas que precisam, como uma academia, por exemplo. Temos que explicar o porquê de um suplemento, até um tempo atrás nós não tínhamos médico, a questão do GPS está chegando agora. Então é um clube, vamos dizer assim, que tem três meses de existência, porque não tinha nada. Eles subiram o ano passado muitas vezes não tendo água para treinar, essas são as informações, e hoje mudou tudo, estão trazendo jogadores que passaram por grandes equipes. Então eles estão entendendo, escutando, aos poucos vão melhorando o clube, e a gente está muito satisfeito com tudo.

BRASIL VAI PERDER MAIS JOGADORES PRA ARÁBIA?

Vai, acredito que sim. É a primeira temporada que o ministro optou por tudo isso, e a cada temporada, principalmente no meio do ano que vem, vão sair mais jogadores. Porque aqui te dá todas as condições, te dá toda a segurança hoje que antes a Arábia não dava, de receber pelo Governo, então pode ter certeza que vão vir muito mais profissionais para cá.

Carille no condomínio onde vive na Arábia Saudita (Tiago Leme)
Carille no condomínio onde vive na Arábia Saudita (Tiago Leme)

DIFERENÇAS CULTURAIS NA ARÁBIA

Antes da minha família chegar, nós fomos em um shopping aqui, eu e mais três, tudo de bermuda, e não deixaram entrar. Para poder entrar de bermuda, você precisa estar com a família, aí eles liberam. Se você chegar sozinho ou com amigos, você não consegue entrar. Procuramos saber muito sobre o país antes de aceitar, a respeito das mulheres terem que usar roupa, mas usou a roupa é respeitada, e hoje pode ir em qualquer lugar. Até dirigir, de três a quatro meses pra cá, a mulher está podendo dirigir. É um país que está se abrindo, e está muito tranquilo de se viver aqui. Desde dezembro foi liberado para as mulheres irem ao estádio. Tem um setor destinado a elas, à família, e a gente já vê bastante mulheres nos estádios.

POR QUE SAIU DO CORINTHIANS?

Eu ganho mais do que no Corinthians sim aqui, mas não é um absurdo. A proposta que eu tive da China em janeiro, essa sim era um absurdo, e eu não aceitei. Tem algumas coisas que me fizeram sair do Corinthians, que isso eu não divido com ninguém, é muito pessoal, muito particular e envolve pessoas. Estou falando isso muito claramente, muito tranquilo. Procurei conversar com muitos profissionais que trabalharam aqui, pessoas da minha confiança, antes de tomar a decisão. Então eu tive 48 horas para tomar a decisão, que foi no dia 21 de maio, e no dia 22 à noite eu aceitei. Com certeza não foi a parte financeira, se não eu teria saído para outras possibilidades que eu tive antes.

COMO TOMOU A DECISÃO DE IR PARA A ARÁBIA?

Conversei com profissionais, como o Renê Simões, técnicos de outras equipes, que são amigos, pessoas que eu confio, para me explicarem sobre o país também. Quando eu aceitei ali à noite, quando o ministro mandou o contrato, eu já estava muito ciente daquilo que eu queria.

O DESMANCHE DO CORINTHIANS

Eu fiquei nove anos e meio no Corinthians, vi muitos desmanches, o principal deles foi em 2015 depois do título brasileiro, quando saíram seis jogadores: Jadson, Renato, Elias, Ralf, Gil, Malcom e Vagner Love. Não tem jeito de segurar, é uma necessidade dos clubes da parte financeira, é um desejo do jogador querer sair e ir para um centro melhor, financeiramente também falando. Então é difícil, é muito trabalhoso, porque imprensa e torcida muitas vezes não têm essa paciência. Mas o Corinthians desde 2008 com o Mano Menezes teve uma filosofia de trabalho, isso foi muito importante, porque mesmo com as mudanças continuou ganhando. Acho que eu participei de nove títulos nesses nove anos e meio no Corinthians. Mas vai ser muito difícil as equipes do Brasil segurarem, porque necessitam de vendas. Hoje no Brasil, talvez o Palmeiras seja o único clube que não dependa de venda de atletas.

TRÊS TÍTULOS NO CORINTHIANS

Dos três títulos que eu participei como técnico, no primeiro título do Campeonato Paulista a gente era considerado a quarta força. Mas dentro do campeonato a equipe criou um corpo, foi ganhando clássicos e chegou muito fortalecida na fase decisiva. Veio o Campeonato Brasileiro, onde eu queria estar nas primeiras posições, e de repente fizemos um primeiro turno com 47 pontos, assim inesperado, ganhando alguns jogos que eu não consigo explicar até agora, mas são aquelas coisas de Corinthians. Chegou no Paulista deste ano, algo que eu não acreditava também, porque a gente não conseguiu formar uma equipe durante a competição. Tira centroavante, coloca centroavante, tira um volante, coloca outro meia, mudando jogo a jogo, perdemos o Jô, que foi o melhor jogador do Brasileiro do ano passado. Eu também não acreditava, passar pelo São Paulo como a gente passou e chegar numa decisão contra o Palmeiras, que era a melhor equipe sim, pelas contratações, pelo seu técnico Roger. Chegar lá no estádio do Palmeiras e fazer o gol com um minuto e pouco e mudar toda a história. É muito especial e inesperado por não ter achado uma equipe durante a competição.

TRABALHOS DO OSMAR LOSS E JAIR VENTURA

Nós perdemos algumas peças importantes no final do ano: Pablo, Arana e Jô. Tivemos dificuldades. Chega no meio do ano perdemos mais três: Maycon, Sidcley e Rodriguinho. Então são seis jogadores em um período de seis meses, e a reposição não foi aquilo que o torcedor esperava. Qualquer técnico que tivesse no lugar do Osmar Loss teria dificuldades, se eu tivesse dado continuidade poderia ter ido um pouquinho melhor, se tivesse contratado um outro técnico seria um período de dificuldades. Mesmo porque chegaram atletas que precisam entender o que é o Corinthians, tipo um Danilo Avelar, tipo um Douglas. O Jair acho que foi uma ótima contratação, já que optaram por tirar o Loss, porque ele tem a ideia de trabalho que ele implantou no Botafogo principalmente, que é muito parecida com a do Corinthians. Ele tem tudo para se dar muito bem.

NOVA GERAÇÃO X ANTIGA GERAÇÃO DE TÉCNICOS

Muitas vezes a imprensa do Brasil valoriza só quem é campeão, e de 20 equipes uma só é campeã. Mas gosto de falar do trabalho do Jair (Ventura) no Botafogo, que levou o Botafogo a uma Libertadores. O trabalho do Zé Ricardo ano passado no Vasco, pegando na zona de rebaixamento e chegando à Libertadores. Isso são conquistas também. O Roger (Machado) fazendo um ótimo trabalho no Grêmio, no Palmeiras e no Atlético-MG também. Essa briga (de gerações) assim eu não gosto muito, acho que tem espaço para todo mundo. O Abel fez um ótimo trabalho no Fluminense com uma dificuldade enorme no clube, ele colocando meninos e no meio da competição, perdendo jogadores titulares como o Richarlison e tendo que se virar. Então tem espaço para todo mundo, e não tem nada de ultrapassado não, são profissionais inteligentes. O próprio trabalho do Luxemburgo no Sport, você via um time organizado. É algo que eu não gosto de falar muito, mas tem que respeitar a todos, porque tem espaço para todo mundo. O Felipão no Palmeiras foi uma surpresa porque ele mesmo tinha declarado que não trabalharia mais no Brasil, mas pelo sucesso e tudo que está acontecendo no Palmeiras, não. É um técnico muito experiente, vencedor, já viveu de tudo e muitas vezes no momento do Palmeiras é importante a chegada de um profissional desse.

TRABALHO DE TITE NA SELEÇÃO

O trabalho do Tite é muito positivo. Pelas estatísticas, a equipe que sai na frente tem 80% de chance de ganhar, e tivemos chances de sair na frente da Bélgica e não saímos. Depois teve uma infelicidade, um desvio, pega no ombro no Fernandinho e entra, e acabou sendo eliminado por uma ótima equipe da Bélgica, hoje o futebol está muito nivelado. Sobre as críticas, é normal. Um camisa nove da seleção que não fez gol, apesar de ter trabalhado e participado bastante, acabou não fazendo gols. Fiquei muito pelo pela continuidade, o Tite e sua seleção vai chegar muito mais fortalecida para as próximas competições, Copa América, eliminatórias e uma provável Copa do Mundo. As críticas fazem parte, mas deu vontade de assistir à seleção de novo, porque sabe que é uma pessoa muito honesta que está lá. Resultado é consequência, mas acredito que a seleção vai estar muito mais fortalecida para as próximas competições.

RELAÇÃO COM TITE

Foram cinco anos e meio trabalhando com o Tite no Corinthians, e com a sua comissão, o Cléber Xavier, com o filho dele Matheus (Bacchi), com o Fábio (Mahseredjian) preparador físico. Foram seis títulos conquistados como auxiliar do Tite, títulos importantes. Ele é o meu pai no futebol, a pessoa em quem eu procuro me espelhar. Hoje o que eu trago no meu trabalho é muito do que eu aprendi com ele e com o Mano, então é uma pessoa muito próxima.

PLANOS PARA A CARREIRA

É um sonho trabalhar na Europa, eu quero ser um dos primeiros (técnicos brasileiros) a fazer sucesso nos clubes da Europa. A gente tem o Felipão que fez sucesso na seleção, e não em clube. Sabemos das dificuldades, porque os nossos cursos ainda não são aceitos pela Fifa. Melhorou, hoje você sendo durante cinco anos treinador de equipes de primeira divisão você pode trabalhar, e acho que a cada vai ser mais fácil. Não sou de pensar muito lá na frente, sou de pensar no amanhã, e amanhã eu quero ser melhor do que fui hoje. Tenho dois anos de contrato aqui, quero cumprir, e quem sabe ficar aqui, porque morar em uma das melhores cidades da Arábia Saudita dá prazer e é gostoso.

POR QUE NÃO HÁ GRANDES TREINADORES BRASILEIROS NA EUROPA?

Quando você não sabe falar a língua, dificulta. Mas o que acontece, pelo que eu escuto e pelo que eu busco na internet, é que muitas vezes a gente quer chegar num país e quer que o país se molde a você. A Europa tem a sua linha de trabalho, tem a sua linha de pré-temporada, tem a sua forma de trabalhar, normalmente é um treino só por dia. E muitas vezes os técnicos, não só brasileiros, mas argentinos, de outras nacionalidades, enfim, chegam lá e querem que o país se molde a você. Então você tem que chegar, entender o país, entender o que é a cultura e aí sim colocar as suas ideias em cima disso. Acho que esse é o primeiro passo. Mas com certeza, se você não sabe falar o inglês, se você vai para a Europa é importante ter uma pessoa, um tradutor que fale que nem você, que interage que nem você.

SUCESSO RÁPIDO COMO TREINADOR

Eu falo com toda a certeza que eu sou uma pessoa muito abençoada. Trabalhei até 19 anos em uma usina, em almoxarifado, comecei a jogar no meu último ano de juniores. Eu comecei no Sertãozinho, depois no XV de Jaú, e com dois anos como profissional, de repente eu estava no Corinthians em 95. Foi tudo muito rápido na minha vida. Passei pelo Paraná Clube, Coritiba, Suíça, China como atleta. Em 2006 em fui contratado pelo Barueri, ali em tinha 32 anos para 33, eu queria jogar até 36 anos, mas com muita dor no púbis tive que parar logo na sequência. Eu já vinha fazendo alguns cursos, parei de jogar em 2007, mas desde 2000 eu já coloquei na cabeça que eu queria seguir no futebol. Então logo que falaram da cirurgia no púbis, o presidente do Barueri me ofereceu a oportunidade de começar na Série B como auxiliar. Fiz com o Ruy Scarpino no primeiro ano, no segundo ano depois de alguns técnicos teve o Márcio Araújo, que é uma pessoa que eu considero demais, me ajudou muito. Consigo o acesso com o Barueri (em 2008), e em janeiro (de 2009) eu estou no Corinthians. Então, em um ano e meio também, como foi como atleta, foi como auxiliar. O Mano e o Sidnei Lobo abriram as portas do Corinthians para mim. Depois, participar de um título de Libertadores, que era o sonho, estar ali no dia a dia. Participar de um Campeonato Paulista como o Mano de forma invicta, Copa do Brasil, Brasileiro, Libertadores, Mundial, Recopa, Paulista. Depois eu ganho a oportunidade de ser técnico e no primeiro ano, com toda a desconfiança, você é campeão paulista jogando bem. Aí vem o Brasileiro que surpreende todo mundo, até a mim. Depois chega o outro ano e você é campeão paulista sem ter um time formado. Eu sou abençoado. E ter a possibilidade de trabalhar com o Ronaldo dois anos, com o Roberto Carlos, que são pessoas que eu acordava de madrugada, de manhã para assistir a jogos dessas pessoas. O Roberto Carlos era a minha inspiração, eu era lateral esquerdo quando eu comecei. O Roberto Carlos é 73 que nem eu, o Ronaldo é 76. Em 2010, antes da chegada do Tite, eu dei preleção para esses jogadores antes de um jogo. Então, por tudo que aconteceu, eu sou um cara abençoado e não tenho vergonha de falar sobre isso.

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