Carille evita fazer desabafo após alcançar a primeira final da carreira

De opção descartada pelo presidente Roberto de Andrade para o cargo de técnico do Corinthians em 2017, Fábio Carille terá a chance de ser campeão paulista com menos de 40 jogos em seu currículo. Ele credenciou o Corinthians a disputar a final contra a Ponte Preta com um empate por 1 a 1 com o São Paulo neste domingo, em Itaquera.

“Internamente, nós mesmos sabíamos que teríamos dificuldades neste ano”, minimizou Carille, sobre o fato de ter surpreendido os críticos. Ele e o seu Corinthians iniciaram a temporada em meio a protestos de torcedores organizados, consequência do fraco rendimento em 2016 e dos investimentos escassos para 2017.

Nesse cenário, o time de Fábio Carille passou a ser apontado como a quarta força do Estado. “Até onde acompanho, sou muito respeitado, sim. Falavam isso de quarta força por tudo o que aconteceu no ano passado. Além disso, o Palmeiras ganhou o Campeonato Brasileiro e buscou reforços, o Santos estava montado e o São Paulo veio contratando bem. Era normal que as críticas fossem direcionadas a nós”, aceitou o treinador.

Para passar a receber elogios, o novato Carille se escorou no aprendizado que teve como auxiliar de Tite, hoje na Seleção Brasileira, e decidiu armar um time seguro defensivamente, que não prioriza o ataque.

“Mesmo não jogando um futebol bonito, o Corinthians tem jogadores que cumprem as suas funções, que fazem triangulações e que se dedicam muito. Eles compraram a nossa forma de jogar. Foi o que pedimos desde a Copa Flórida. Chegamos muito fortes para essa final”, confiou o técnico.

Ainda durante a ascensão corintiana, contudo, Carille conviveu com contestações. O seu time jogou mal na quarta-feira e acabou eliminado da Copa do Brasil, nos pênaltis, pelo Internacional.

“Foi uma semana em que fomos os melhores do mundo quando ganhamos do São Paulo e passamos a ser os piores do mundo quando perdemos para o Inter. Agora, as pessoas voltam a falar bem. É por isso que não devemos nos influenciar e seguir centrados nas nossas decisões, na nossa caminhada”, concluiu o comedido Fábio Carille.