Carille comenta regra sobre demissão de técnicos no Brasileirão: 'Devemos ter um respaldo maior'

João Brandão
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Fábio Carille, treinador do Al-Ittihad, comentou sobre a nova regra do Brasileirão em que cada clube só pode ter dois técnicos durante a competição, ou seja, só pode demitir um profissional no decorrer do torneio. Ao LANCE!, o comandante da equipe que ocupa o 3º colocado do Campeonato Saudita também comentou sobre ajustes que precisam ser feitos no calendário nacional.

Dança de treinadores

Caso um clube brasileiro demita o segundo treinador durante o Campeonato Brasileiro, o posto deverá ser assumido por alguém que trabalhe no mínimo há, no mínimo, seis meses. Na última temporada, o Goiás, Coritiba e Botafogo, todos rebaixados, mandaram para a rua três dos seus comandantes. Carille explicou a pressão vivida pelos profissionais no país e a exposição.

- Eu não sei se essa é a melhor solução (a nova regra do Brasileirão), mas o técnico deve ter um respaldo maior. As escolhas sobre um novo treinador são realizadas, muitas vezes, por pressão da imprensa, torcida. Acho interessante para a segurança do profissional, mas precisamos ver na prática. O profissional no Brasil é muito exposto, enquanto aqui a gente quase não aparece. É uma tentativa.

Calendário

Apesar da CBF buscar uma solução para esta situação desenfreada, Carille aponta o principal inimigo do futebol brasileiro: o calendário. O treinador acredita que o ideal é que uma equipe faça cerca de 60 partidas por temporada, além dos atletas terem um mês de férias e um de pré-temporada.

- Apesar da pandemia, é uma judiação ver os times jogando a cada dois dias. É um absurdo você atuar domingo, quarta e sábado. Não dá para preparar as equipes para os confrontos. Acredito que 60 jogos por anos seria o ideal e é fundamental para a qualidade da partida, a recuperação dos jogadores e para que o torcedor e a televisão tenham um produto melhor.

O comandante do Ittihad disse não ser a favor do fim dos estaduais para que o calendário brasileiro fosse ajustado e acredita ser difícil adequar o ano do futebol nacional ao modelo europeu, em que a temporada tem início em agosto.

- Eu não concordo com o fim dos estaduais, pois muita gente depende disso e com esse dinheiro sustenta a família o ano todo. Para adequar o calendário do futebol brasileiro com o europeu, teria que mudar o formato das escolas. Eu penso que seria fundamental até por questões de mercado, mas a princípio não faria isso. Eu tentaria ajustar o formato do Campeonato Brasileiro.

Carille tem contrato com o Al-Ittihad até o dia 30 de junho, mas o clube árabe tem preferência pela renovação do brasileiro até o final de abril. A partir de maio, o comandante estará livre para negociar seu futuro e não fechou as portas para um retorno ao Brasil. No entanto, o ceticismo com o futebol nacional segue de pé.