Capitã do São Paulo cobra organização no calendário: “Falta comunicação e bom senso”

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Além de se destacar dentro de campo, Ary chama a atenção por seu posicionamento fora dele (Twitter/@_aryborges)
Além de se destacar dentro de campo, Ary chama a atenção por seu posicionamento fora dele (Twitter/@_aryborges)

Por Artur Rodrigues

O que era para ser euforia e festa virou apreensão e desconforto no São Paulo. Após se classificar para a final do Campeonato Paulista Feminino, a equipe teve que esperar mais de um mês para a realização da primeira partida, que acontece neste sábado (02), contra o Corinthians no Morumbi. Em meio à espera, uma das destaques da equipe na temporada, Ary Borges, sofreu uma lesão no cotovelo durante a decisão da Copa Paulista e não disputará a final do Paulistão.

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A última partida da equipe pelo torneio aconteceu no dia 21 de setembro, na semifinal contra o Santos. Ao todo, são 41 dias no aguardo do primeiro jogo da decisão. Em um primeiro momento, o São Paulo teria que ficar todo este período sem jogar, apenas treinando. O clube até pediu para que a final fosse realizada logo após a semifinal, mas a Federação Paulista decidiu marcar apenas para novembro. Após 21 dias só de treino, a FPF anunciou a criação da primeira Copa Paulista Feminina, que foi disputada nos dois finais de semana antecessores ao primeiro jogo da final do Paulistão. O São Paulo, que esteve entre os times participantes ao lado de Palmeiras, Juventus e São José, foi vice-campeão e perdeu sua atacante de 19 anos.

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“A Copa Paulista nos deu ritmo de jogo, mas também nos deixou expostas às lesões. As demais equipes não tinham nada a perder, pois só tinham aquele campeonato para disputar. Nós poderíamos perder muito”, disse Ary Borges. “Nós, jogadoras, preferíamos jogar a final do Campeonato Paulista antes do Corinthians viajar para disputar a Libertadores”, continuou.

O discurso de Ary não gira em torno apenas da final do Campeonato Paulista e sim do calendário do futebol brasileiro como um todo. Caso a FPF atendesse ao pedido do São Paulo e colocasse a final do Paulistão para ser disputada logo após a semi, o clube ainda sofreria com o período sem jogos. Ficaria outubro, novembro e dezembro sem disputar campeonato algum, só a Copa Paulista, que teve duração de apenas dois finais de semana. “Seria uma situação problemática de qualquer jeito, porque a questão não é a data da final e sim como todos os jogos foram organizados, entende? Jogar a final em novembro gerou um problema. Jogar em setembro e outubro geraria outro problema. O próprio Corinthians voltaria da Libertadores e não teria mais partidas para disputar no ano. Ficaria dois meses só treinando, assim como nós. O erro está na estrutura do calendário”, falou a jogadora.

Para ela, o futebol nacional encerra a temporada 2019 com um saldo negativo quanto à sua organização. “Faltou comunicação entre as Federações (no caso, FPF e CBF). Muitos jogos foram alterados no meio das competições e houve muito cruzamento de datas. Nós, do São Paulo, chegamos a fazer quatro jogos em 11 dias. Aqui temos estrutura para suportar uma sequência como essa, mas como fica a situação dos clubes menores?”, indagou.

O Campeonato Brasileiro teve uma pausa ao longo do ano por conta da Copa do Mundo de Futebol Feminino. Em contrapartida, o Campeonato Paulista não teve suas partidas interrompidas e seguiu com seu calendário normalmente. Na volta do Mundial muitos jogos se cruzaram, como a final do Brasileirão A2, disputada entre São Paulo e Cruzeiro, e o clássico entre o Tricolor Paulista e o Santos, pelo Paulistão. “Jogamos quarta e domingo por várias semanas consecutivas. E agora? Faltam dois meses para acabar o ano e temos que esperar 40 dias para disputar uma final. Não é ruim jogar quarta e domingo. O ruim é jogar assim por um período e depois ficar mais de um mês sem nada. Isso sem falar dos clubes que não têm mais campeonato para disputar. Poderiam ter mais bom senso e espaçar melhor as datas ao longo do ano”, disse Ary.

A CBF anunciou o calendário de 2019 do futebol feminino em fevereiro. Já a Federação Paulista, que dependia das datas do Brasileirão para fazer sua elaboração, divulgou o seu calendário em março, um mês antes do início do Paulistão. É uma situação bastante diferente do que acontece no futebol masculino, que quase sempre tem suas datas divulgadas já no ano anterior. Por exemplo, a CBF já anunciou um esboço do calendário de 2020, assim como a FPF já definiu os grupos da Série A1 do Paulistão. Quando informada sobre isso, Ary se mostrou surpresa e ficou espantada. “Confesso que eu não sabia que era tão rápido, fiquei com inveja”, disse ela com bom humor.

A reportagem entrou em contato com as assessorias das duas Federações para entender como funciona a elaboração do calendário feminino, mas não obteve resposta. As partidas das finais do Campeonato Paulista acontecem nos dias 2 e 16 de novembro, ambas em um sábado.

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