Candidatura de sede tripla para a Copa de 2026 pode ser uma boa ideia

Foto: AP/Mark Lennihan

Pela segunda vez na história, a Copa do Mundo pode ser sediada por mais de um país na mesma edição. Tentando repetir o sucesso da edição de 2002, realizada no Japão e na Coreia do Sul, a bola da vez está com os Estados Unidos, o México e o Canadá.

Neste caso específico, três países recebendo um mesmo Mundial seria inédito. Juntando forças para receber a Copa-2026, os vizinhos norte-americanos já saem na frente de qualquer outro candidato no continente. Como mexicanos e americanos já receberam a competição (1970, 86 e 94), o favoritismo é amplo para que eles sejam eleitos. E pelo menos em estrutura básica para o torneio, como a Fifa exige, os três também estão bem qualificados.

Outro ponto que favorece é que de acordo com o rodízio estabelecido pela Fifa, a sede de 2026 deve ser obrigatoriamente na zona da Concacaf. As únicas três nações capazes de realizar a Copa são justamente as que se candidataram na última segunda-feira. Ou seja: é apenas questão de tempo para que se oficialize a escolha, o que pode acontecer até o ano que vem ou até mesmo antes.

Objetivamente, dividir sedes quase sempre representa uma opção maior de estádios e estruturas para receber as seleções participantes. Como estamos na iminência de uma reforma no formato de disputa, com aumento de times, é ideal que mais sedes estejam à disposição. O modelo de organização funciona, como vimos na Coreia e no Japão em 2002. A diferença para 2026 é que a distância percorrida seria maior, o que força a Fifa a pensar em soluções logísticas para não forçar que as equipes viajem muito entre um país e outro. Algo facilmente resolvido com um pouco de planejamento, evidentemente.

Não é só a Copa do Mundo que pode exibir exemplos bem sucedidos de sede conjunta. A Eurocopa, ainda que em menor escala de países, já teve três edições neste formato só nos últimos 20 anos. Em 2000, Holanda e Bélgica foram as anfitriãs. Em 2008, tivemos Suíça e Áustria. Já em 2012, Polônia e Ucrânia receberam o torneio. E não tivemos problemas em nenhum deles. Espera-se que Estados Unidos, Canadá e México estejam alinhados e ofereçam uma experiência inesquecível para os turistas e torcedores que se deslocarão para a Copa, o evento mais esperado de todos no mundo do futebol.

Já que estamos falando de prós e contras, aí vai algo para se pensar: como todo anfitrião obrigatoriamente já está classificado para o Mundial, seria um tanto injusto com outras seleções da Concacaf que três vagas já fossem dadas de início. Resta saber qual será a nova divisão para a Fifa com o aumento de seleções, mas desde já, são três vagas diretas e uma de repescagem.

É claro que o número geral de seleções classificadas tende a crescer até 2026 e a organização terá uma forma minimamente justa de distribuir estes lugares, mas as Eliminatórias desta região seriam ainda mais acirradas e com menos chance de classificação. Se não a Concacaf, alguma outra federação sairá perdendo em virtude de três países já terem presença garantida na Copa dentro deste cenário.

Ainda assim, os ganhos são maiores que os contrapontos. Tudo indica que os três anfitriões de 2026 terão competência e expertise de sobra para fazer mais uma Copa exemplar. E talvez motivarem outros países a formar uma parceria em busca da sede para outras edições. Curiosamente, o México entrará para a história como o primeiro país a receber três Copas. A saber qual será o próximo, muito provavelmente uma das potências europeias.