Candidato a sucessor de Falcão, Lino tenta manter hegemonia do Brasil

Rafael Bortoloti 

Os pés do jovem Leandro Lino têm, desde a última quinta-feira, a responsabilidade de ajudar o Brasil a reconquistar o título da Copa América de futsal após seis anos. O ala do Magnus Futsal tornou-se referência do time de PC Oliveira desde a aposentadoria de Falcão, o maior do esporte, em março, e é considerado até pelo astro um dos seus possíveis sucessores.

Desde os seis anos na modalidade, Lino fala com brilho nos olhos do futebol de salão. Nem mesmo o sonho do pai, Jair, de vê-lo atuar nos campos falou mais alto. Neste sábado, ele tenta brilhar contra a Argentina, às 21h (de Brasília), na em confronto da penúltima rodada da primeira fase, pelo Grupo A da competição.

– Fui jogar futsal quando eu tinha seis anos, em um time lá da minha cidade, Francisco Morato (SP). Mas, meu pai, louco, queria me empurrar para o campo, onde também fiquei até os 15 anos. Mas não tinha jeito: o futsal é o meu amor, é onde amo de verdade, onde conheço e sei jogar – contou Lino, que na última quinta-feira fez dois gols na goleada do Brasil de 9 a 0, na estreia. Na última sexta-feira, o Brasil voltou a vencer no torneio: 8 a 0 no Chile.

Companheiro de time de Falcão em Sorocaba (SP), Lino não se esquivou das comparações com o eterno camisa 12 e disse que ninguém se iguala ao ex-ala do Brasil. A Amarelinha lidera o grupo A, com seis pontos. A chave ainda tem a Venezuela, adversário do próximo domingo Brasil, Argentina e Venezuela lideram o grupo, com duas vitórias cada.

– Acho essa comparação e esse missão de sucedê-lo como algo a ser construtivo na minha carreira. Eu que o Falcão só vai existir um. Um mito. Falar dele é muito difícil, ainda mais pra mim que o vi jogar, mas espero construir uma carreira tão vitoriosa quanto a dele na Seleção Brasileira e nos clubes onde jogou. Quero ter uma carreira tão brilhante quanto a dele – comentou o jogador.

No confronto mais equilibrado da primeira fase, a Seleção enfrenta a anfitriã e atual campeã. Os argentinos também levantaram o último caneco do Mundial, no ano passado.

– A Colômbia e a Argentina são os nossos principais rivais. Os colombianos são mais habilidosos e é difícil marcar. Já a Argentina tem um jogo mais organizado. Experientes, conseguem tocar a bola bem e ainda são catimbeiros – completou Lino.

Desde novo no esporte e visto como fundamental na nova geração, o atleta do Magnus Futsal alerta que é necessário um maior investimento nas categorias de base da modalidade.

– Falta olhar um pouco mais para as categorias de base do futsal para que tenhamos novos ídolos, assim como faz o Corinthians, que me revelou. Esperamos que o público continue comparecendo aos jogos, mesmo com a ausência do Falcão, até porque eles que nos ajudam a nos tornarmos ídolos – opinou.












A equipe verde e amarela, maior campeã da Copa América, com nove conquistas, ainda enfrenta a Venezuela no domingo. Os dois primeiros de cada chave avançam à semifinal, na terça-feira. A decisão será na quarta.

BATE-BOLA
Leandro Lino, ala da Seleção Brasileira, ao LANCE!

O que sentiu quando o Falcão foi para seu time, o São Paulo?
Quando eu soube que ele ia jogar no São Paulo, pensei: ô, louco, agora vou ter que trocar para o campo de novo'. Mas fiquei ainda mais feliz quando ele voltou pro futsal. Agora, quando eu fui jogar com ele, fiquei ainda mais. Foi um sonho realizado. Você, que também é fã, não consegue se concentrar.

O que o Brasil precisa para criar novos ídolos, como Falcão?
Olhar um pouco mais para as categorias de base do futsal para que tenhamos novos ídolos, assim como faz o Corinthians, que me revelou. Esperamos que o público continue comparecendo aos jogos, mesmo com a ausência do Falcão, até porque eles que nos ajudam a tornarmos ídolos.Mas meu sonho mesmo é ficar aqui no Brasil, me estabilizar. Se algum dia eu sair, vai ser com o coração partido. . Aqui é onde eu quero ficar conhecido.

O time está engasgado com a eliminação precoce no Mundial?
A derrota da última edição já passou, ficou para trás. Não acho que temos vontade de querer mudar a imagem, não. Temos que trabalhar para não repetirmos os mesmos erros.

Como é a vivência com o Falcão?
O nosso dia-a-dia é brilhante. Agora estamos na mesma equipe, a Magnus...Ele vem até mim, conversa comigo. As vezes eu tento dar um drible nele...ele vem e fala comigo o que devo fazer, como fazer, a hora que fazer. E isso eu sei que vai me ajudar muito na carreira. Ele é um cara sensacional, que sempre está presente. Se precisar dele, ele ajuda.

Tem alguma história curiosa com ele?
No ano passado, quando eu estava no Corinthians, o Tiago cruzou pra ele, ele dominou no peito e começou a 'petecar' a bola, 'petecar', petecar e eu tentando tirar a bola dele. Tentava, tentava...Ele virou para mim e disse que eu não ia conseguir roubar a bola dele e aí parei pra pensar que realmente não conseguiria e o deixei fazer o que ele queria.

Está pronto para a responsabilidade?
Venho trabalhando muito no Magnus. Não vou dizer que me sinto preparado, mas acho que tenho que dar um passo de cada vez, ouvindo muitos conselhos, dele também. Conforme eu for jogando eu vou virando ídolo.




















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