Candidato de oposição vê São Paulo 'pré-falido'

Ópice Blum condenou a contratação de 12mi de euros por Maicon (Arquivo pessoal)

* atualizado às 11h49 de 06/04

Dono de um dos maiores escritórios de advocacia do país, José Roberto Ópice Blum está alarmado com a situação do São Paulo. Candidato à presidência do Conselho Deliberativo pela oposição, o ex-desembargador classifica o Tricolor como um clube “pré-falido”, que significa a fase iniciada com o pedido de falência e se encerra com a sentença declaratória, abrindo o processo de falência em si. Nesta entrevista exclusiva, Ópice explica por que está tão preocupado com as contas do São Paulo, fala de suas promessas em caso de vitória no dia 18 de abril, analisa a gestão do presidente Leco…

BLOG: Como o senhor avalia o momento financeiro do São Paulo?
ÓPICE BLUM: Pelo retrato que tivemos na apresentação do último balanço (na quinta-feira passada), o São Paulo está pré-falido. O clube deve mais de R$ 200 milhões.

Mas não é algo reversível?
É, desde que exista uma administração severa, que corte na carne. Não dá, por exemplo, para gastar 12 milhões de euros na contratação de um jogador (valor total do negócio de Maicon, que pertencia ao Porto). Porque nosso balanço fala em 6 milhões de euros, mas o do Porto assegura que são 12 milhões de euros (Ignácio e outro jogador da base serão usados para abater o preço do negócio).

Como o senhor agiria à frente do São Paulo para evitar a falência?
É preciso arrumar dinheiro para pagar os bancos. Depois, o clube tem a necessidade de quitar as dívidas que foram alongadas, mas seguem grandes. Esses ajustes precisam acontecer sem prejudicar o departamento de futebol, que é o carro-chefe do São Paulo.

O que pretende mudar caso seja eleito presidente do Conselho Deliberativo?
A primeira missão é implantar definitivamente o novo estatuto do clube e fazê-lo ser cumprido. Depois, a ideia é modernizar o Conselho Deliberativo, criando condições para que todos se manifestem de maneira educada. Estamos na era da eletrônica, então, quero implantar o mundo digital no conselho. Além de outras novidades que não dá para adiantar ainda.

O senhor concorrerá contra o atual presidente do conselho, Marcelo Pupo. Como avalia o mandato dele?
Prefiro não criticá-lo. Não é do meu perfil. Sou amigo do Marcelo e espero continuar sendo, sem se esquecer de que vou trabalhar muito para ganhar. A eleição já é quase aí. Levando em conta a Páscoa, são praticamente duas semanas que nos separam até a eleição.

Por semanas, especulou-se que o senhor seria candidato à presidência do Tricolor. Por que recuou e só concorrerá à presidência do conselho?
Eu nunca disse que queria ser o presidente do São Paulo, mas as pessoas que faziam campanha. Então, eu respondi que só começaria a pensar se tivesse o apoio de pelo menos cem conselheiros. Mas nem deu tempo, porque nesse caminho o (José Eduardo) Mesquita Pimenta apareceu e se candidatou, o que eu considerei ótimo.

Está satisfeito com a gestão do presidente Leco?
Não dá para estar com as contas do São Paulo na atual situação. O próximo presidente terá muita dificuldade em casa.

* O São Paulo divulgou em seu site oficial uma nota para responder às declarações de Ópice Blum nesta entrevista. Abaixo, o texto na íntegra:

“O São Paulo foi alvo de um ataque à sua credibilidade, desferido por um candidato da chapa de oposição à Presidência do Conselho Deliberativo na eleição de 18 de abril. O conselheiro-candidato disparou mentiras e atingiu o clube que deveria honrar.

Não há um mero respingo de verdade na afirmação de que o São Paulo está pré-falido. Ao contrário, em 2016, o clube pagou R$ 56 milhões em dívidas e registrou o primeiro superávit operacional em três anos – uma evolução de R$ 76 milhões do resultado em relação a 2015. Tais números, registrados em balanço, mostram grande evolução das finanças.

Quando uma pessoa interna do clube faz uma acusação dessa natureza, ainda que levianamente como agora, fere a credibilidade da instituição. Não só afeta a relação do clube com seus parceiros comerciais como ameaça sua posição em futuras negociações.

E não há razão para duvidar da situação do clube. Há menos de uma semana, o balanço financeiro de 2016 foi aprovado, por 145 votos a 1, com o voto favorável do ora conselheiro-candidato.

Este episódio é mais lamentável porque o acusador deveria ser especialmente zeloso por suas atitudes, já que preside o Conselho de Ética do clube.”

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