Como o Canadá tenta dominar o tênis mundial após ano mais vitorioso de sua história

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Bianca Andreescu comemora seu título no US Open 2019 sobre Serena Williams. Foto: Lev Radin/Anadolu Agency via Getty Images
Bianca Andreescu comemora seu título no US Open 2019 sobre Serena Williams. Foto: Lev Radin/Anadolu Agency via Getty Images

Por Ivo Felipe

O sotaque carregado do inglês de Louis Borfiga não deixa dúvida de sua origem. Francês, sente-se em casa em Montreal, na província francófona de Quebec, onde baseia-se há 13 anos e de onde comanda um dos mais bem-sucedidos programas do tênis mundial. Projeto de alto rendimento que, em suas palavras, levará o Canadá em breve ao topo do ranking mundial tanto da ATP quanto da WTA - entidades que regem o esporte em ambos os gêneros. 

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2019 serviu apenas para reassegurar sua confiança. Em setembro, Bianca Andreescu, de apenas 19 anos, desbancou a multicampeã Serena Williams, faturou o Aberto dos Estados Unidos e tornou-se a primeira canadense a erguer a taça de um torneio de Grand Slam. Dois meses depois, o time masculino sagrou-se vice-campeão da Copa Davis - mais tradicional torneio por equipes do mundo -, comandados pelos jovens Denys Shapovalov (20) e Félix Auger-Aliassime (19).  

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Ao todo, foram 27 títulos conquistados pelo Canadá na temporada: 12 de simples e 15 de duplas. Quatro tenistas estão no Top 50, com Milos Raonic juntando-se ao trio de jovens. Resultados construídos após sensíveis mudanças estruturais no tênis canadense.  

Louis Borfiga (e) é um dos grandes responsáveis pelo atual momento do tênis canadense. Foto: Tennis Canada
Louis Borfiga (e) é um dos grandes responsáveis pelo atual momento do tênis canadense. Foto: Tennis Canada

Borfiga deixou a Federação Francesa de Tênis em 2006 para assumir o posto de vice-presidente de alta performance e desenvolvimento na Tennis Canada. No país norte-americano, chefiou a inauguração do Centro Nacional de Tênis, em Montreal, e quatro centros regionais, em Toronto, Montreal, Vancouver e Calgary.  O foco era unificar o trabalho e dar a jovens de 13 a 17 anos, selecionados a dedo, as condições de desenvolvimento necessárias para não só chegarem ao tour, mas prosperarem no mais alto nível.

“A oportunidade de vir ao Canadá treze anos atrás me atraiu pois pude colocar em prática um sistema de longo-prazo. Este sistema tem como base o Centro Nacional e também os regionais. Mas, mais importante ainda, era necessário deixar clara uma mensagem aos jovens: os canadenses precisavam de maior ambição, de mais confiança. Isso passou a mudar com o surgimento de Milos (Raonic) e Genie (Bouchard). Então, tão importante quanto a estrutura, era preciso fazê-los terem mais ambição”, disse Borfiga, em entrevista concedida ao Yahoo Esportes Brasil. 

A ambição de Borfiga é clara: em quatro anos, o Canadá terá o melhor tenista do planeta entre os homens e entre as mulheres. Atualmente, Bianca Andreescu é a mais próxima de tornar esta meta realidade, já que ocupa a quinta colocação no ranking da WTA. Denys Shapovalov, por sua vez, é 15º na ATP, e Félix Auger-Aliassime, 21º. 

“Bianca (Andreescu) será número 1 do mundo muito em breve e vencerá uma série de torneios de Grand Slams. Ela já foi a melhor tenista do ano em 2019. Denys e Felix precisam de um pouco mais de tempo, mas em três ou quatro anos também chegarão lá, não tenho dúvidas”, afirmou o mentor de nomes como Jo-Wilfried Tsonga, Gael Monfils e Gilles Simon na França. 

Shapovalov é a realidade do Canadá no tênis masculino. Foto: David Aliaga/MB Media/Getty Images
Shapovalov é a realidade do Canadá no tênis masculino. Foto: David Aliaga/MB Media/Getty Images

Caso o plano se concretize, o Canadá entrará em um seleto grupo de países que já conseguiram o feito. Apenas Estados Unidos, Austrália, República Tcheca, Alemanha, Espanha, Rússia e Romênia tiveram representantes no topo do ranking mundial em ambos os gêneros desde que as listas passaram a ser publicadas, na década de 70.

O sucesso recente ressona, ainda, dentro do próprio país. Apesar de o Aberto do Canadá ser um dos torneios mais tradicionais do circuito, com mais de cem anos de existência, apenas em 2019 um tenista local o conquistou. Novamente, Bianca Andreescu foi a responsável. Seu reconhecimento iria além, já que a jovem venceu em dezembro o Prêmio Lou Marsh, concedido anualmente ao melhor esportista canadense. 

“O respeito que o Canadá conseguiu no Tour é notório. A diferença salta aos olhos, já que nunca houve uma cultura de tênis tão forte por aqui, como em países como a Espanha, Itália ou até mesmo no Brasil. Hoje você vê os resultados e os outros países nos respeitam”, conclui Borfiga.

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