Campello faz balanço do seu trabalho no Vasco e revela planos para 2020

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Campello completou dois anos como presidente do Vasco (Thiago Ribeiro/AGIF)
Campello completou dois anos como presidente do Vasco (Thiago Ribeiro/AGIF)

No dia que completou dois anos como presidente do Vasco, Alexandre Campello aproveitou para fazer um balanço da sua administração e tirou dúvidas sobre assuntos que sempre são comentados pelos torcedores cruz-maltinos, como o pagamento das dívidas, austeridade financeira e o que foi feito com o dinheiro recebido através do plano de sócio-torcedor. 

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Em entrevista ao canal “Atenção, Vascaínos”, ela ainda falou sobre a busca pela renovação de contrato do volante Fredy Guarín, das negociações com o zagueiro e revelou o desejo de ainda construir um segundo centro de treinamento, que serviria para o futebol feminino e para as categorias de base. 

Confira alguns trechos da entrevista:

Evolução do Vasco após dois anos na presidência

- Quando assumimos, o clube tinha uma dificuldade enorme. O clube não tinha dinheiro para pagar as passagens (para a estreia na pré-Libertadores de 2018). Não existia qualquer recurso no clube. Só tinha uma conta ativa, com limite de cheque especial de um milhão. Não tínhamos nenhum tipo de dinheiro a receber de patrocinador. Existia um contrato com um patrocinador, que seria o master, que deveria fazer um pagamento no fim de janeiro, mas que não acreditávamos que isso aconteceria. Não existia recursos para entrar de material esportivo, de televisão, enfim, nenhum tipo de recurso que pudesse fazer parte do fluxo de caixa do clube, nos primeiros meses. Era uma situação caótica.

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Só foi possível fazer o clube se manter de pé por conta de um empréstimo emergencial. Logo em seguida, nós começamos a trabalhar para buscar um entendimento do tamanho da dívida e chegamos a um número, a partir do primeiro balanço publicado, que a dívida era de R$ 680 milhões. O Vasco tinha uma receita, no ano de 2017, de R$ 200 milhões para um custo anual, se eu não me engano, de cerca de R$ 180 milhões. Desde então, estamos trabalhando para reequilibrar o clube financeiramente.

No que consiste esse trabalho? Em um primeiro momento, buscamos ver onde era possível reduzir essas despesas. O clube tinha uma folha salarial bruta, no futebol, em torno de R$ 5 milhões, um custo mensal de algo em torno de R$ 15 milhões. E trabalhamos para reduzir esses custos e aumentar a receita.

De lá para cá tivemos grandes avanços, no que diz respeito à reestruturação do clube, não só a financeira, como na parte da gestão, de modernização do clube e aproximação dos sócios, o programa de sócio-torcedor, a relação com as mídias e com o mercado (…). Os números mostram a evolução do clube. O ano de 2019 também foi difícil, mas esperamos que o balanço mostre também um superavit, apesar das dificuldades e do clube não ter vendido nenhum jogador (…). Isso teve um impacto grande, já que existia uma previsão. Mas, mesmo assim, houve uma grande evolução no pagamento de dívidas (…).

Preocupação com o pagamento das dívidas

- Isso é inevitável porque o dinheiro não chega a entrar no caixa do clube. É uma dificuldade que vem se enfrentando e que precisa ser enfrentada. Você só consegue resolver mantendo a austeridade e é isso que estamos fazendo. Tínhamos um custo mensal de mais de R$ 14 milhões e hoje é menos de R$ 12 milhões. Ou seja: houve uma redução drástica de custo do clube e um aumento de receita. 

Começa a sobrar dinheiro para a pagar as dívidas, mas não é possível fazer isso da noite para o dia (…).  É preciso ter superavit para pagar a divida, mas ter recursos para pagar à vista e, de onde você pegou emprestado, pagar parcelado (…). A dívida fiscal, de certa forma, está equacionada. Vai ser paga ao longo do tempo (…). O problema maior é o restante dessa dívida, que está o tempo todo sufocando, porque é uma dívida já vencida.

Austeridade na administração do Vasco

- Esse é o risco que eu defendi. Quando se fala em austeridade, tem que se lembrar que é a minha palavra. É o meu compromisso. Eu que assumi o compromisso do clube ser austero. Eu trouxe as pessoas, eu comecei a trabalhar nisso e banquei toda essa situação. A gente tem sido austero desde o início (…). Eu só não concordo em diminuir de um limite porque isso pode trazer prejuízos maiores. Quando eu assumi, a folha salarial do futebol era de R$ 5 milhões. Tínhamos dificuldades porque alguns contratos eram de longo prazo (…). Mas consegui reduzir esse custo ao longo do primeiro ano. A nossa folha salarial de novembro de 2018 era de R$ 4 milhões e 50 mil reais, contando com o que os jogadores recebem na carteira e a imagem.

Em 2019, começamos com o mesmo propósito de diminuir ainda mais os custos, mas, no decorrer do ano, percebemos que o time claudicava e era preciso contratar alguns reforços, ou poderíamos cair. Todo mundo tem na lembrança o que foi 2019. Na primeira fase do Campeonato Brasileiro, nós tivemos dificuldades. Trouxemos alguns jogadores, como Richard e o Guarín e conseguimos terminar o ano sem sustos, em 12º lugar. Isso com uma folha, em novembro, de R$ 4 milhões e 200 mil reais.

A proposta de algumas pessoas, e não é de toda a diretoria, para 2020, por conta da dificuldade de fluxo de caixa, é que deveríamos ser mais radicais. Existia uma previsão de orçamento maior, mas entendia-se que o o cortes também deveriam ser maiores. Eu já tinha cortado o basquete, já tinha feito cortes no atletismo, já tinha cortado em diversos setores. Eu já tinha feito várias reduções. Em um clube de futebol, onde você tem o maior peso, em uma folha salarial? É no futebol. Entendia-se que deveríamos baixar para R$ 3 milhões e 300 mil. Para isso, deveríamos dispensar todos os que tinham contrato até o fim de dezembro, que de fato deixaram o clube, e não contratar ninguém. Nem o Germán Cano. Montar um time com quem ainda tinha contrato e com a base.  

Eu tenho valorizado muito a base (…). Mas temos que usar a base com responsabilidade (…). Acho que devemos fazer algumas contrações pontuais, mantendo a folha salarial baixa, mas dentro de uma faixa de segurança, para não correr o risco de cair. Essa equipe que eu tenho hoje custa R$ 3 milhões e 700 mil reais, incluindo o Germán Cano. A ideia é negociar os jogadores que não estão nos planos de 2020, negociar a saída deles através de empréstimos ou algum acordo. Isso é viável, já fizemos várias vezes para baixar mais alguma coisa para que eu possa trazer mais alguns jogadores e manter a folha salarial na casa do R$ 4 milhões. Isso me dá a garantia e segurança de disputar pelo meio da tabela, pelo menos, sem o risco de cair. O que eu não admito é montar uma equipe, fazer um corte grande, de maneira que a gente corra o risco de cair.

Recursos do sócio-torcedor

- Nós fizemos uma black friday onde o valor que o sócio paga está pela metade. O nosso plano de sócio é barato e a gente fez isso para trazer o sócio e, com a black friday, ficou ainda mais barato. Então, o ticket médio é bem baixo. Quem entrou no plano tem um compromisso até maio, depois ele poderá renovar. Isso totalizou R$ 20 milhões e 500 mil reais. Desse valor, só para o fornecimento de carteirinhas, há um custo de mais de R$ 1,5 milhão.

Antes do plano de sócios, para pagar os salários, nós fizemos uma operação bancária que estava ligada ao plano de sócios. São mais R$ 6 milhões e 300 mil. Tem a comissão da empresa que opera o plano de sócios de R$ 1 milhão e 900 mil. E mais o pagamento de uma empresa que faz o trabalho de telemarketing, que são R$ 450 mil. Isso tudo já totaliza mais de R$ 10 milhões.

Então, dos R$ 20 milhões e 600 mil, mais de R$ 10 milhões foram retidos para o pagamento dos fornecedores. Do dinheiro que sobrou, eu posso dizer o que fizemos. Nós antecipamos esses recursos e pagamos o mês de setembro dos funcionários, o mês de outubro dos atletas. Pagamos a Light, pagamos pessoas jurídicas, que não têm as carteiras assinadas, ajuda de custo da base pagamos, R$ 3 milhões de Profut, acordos com bancos. Despesas do futebol, parte de imagem com os jogadores, férias de funcionários, entre outras coisas (…).

Novo fornecedor de material esportivo

- A gente precisa entender o mercado atual. Hoje, a maioria das marcas não quer investir. As maiores escolhem um ou dois. Há uma tendência, atualmente, de se dividir o risco. Eu entendo que o próximo contrato será mais vantajoso para o Vasco, mas será ainda melhor na media que a gente consiga vender mais.

Situação do volante Guarín

- A proposta sempre existiu. Acho que está mais próximo, talvez. Eu entendo, o Guarín é um jogador de altíssimo nível, que tinha um salário alto, tanto na Itália, como na China. Mas a nossa realidade é outra. O Vasco está disposto a fazer um esforço, mas esse esforço precisa ser feito dentro dos nossos limites. Não posso fugir da austeridade.

Ele gostou do Vasco, acho que gostou do Rio de Janeiro. Me parece que agora está mais inclinado a negociar. Na realidade, não sou eu quem conduzo isso, mas as informações que recebo são positivas.

Contratação do zagueiro Dedé

- Nós gostaríamos muito de contar com o Dedé, mas volto a dizer. Desde que seja dentro dos nossos limites. Todos sabem que, nos últimos anos, o Dedé vem recebendo um salário elevado. Não existe um questionamento sobre o merecimento. Não é uma questão de querer, é uma questão de poder. Não é que não queremos pagar, nós não podemos pagar além do que temos proposto.

Ele conhece a situação do Vasco. Acho que ele tem o desejo de jogar no Vasco, mas a questão financeira tem um certo peso. Vamos ver.


Construção do CT

- Em relação ao CT, tudo está indo muito bem. A gente tem uma dificuldade com as famílias que ocupam parte do terreno (…). Agora, essa semana começa a ser feito o pagamento do aluguel social. Isso leva uns 15 dias. Aí vamos começar a avançar em uma outra área. A ideia é que, até o meio do ano, a primeira etapa esteja concluída, com o muro por todo o terreno, dois campos, vestiário, sala de musculação, departamento médico, entre outras coisas que são necessárias para o funcionamento do futebol.

Poucas pessoas sabem, mas estou trabalhando em um outro CT, que seria para abrigar o futebol feminino e a base até 14 anos, que será no terreno de Caxias, onde o Vasco tem um campo isolado, mas não tem água e luz. A ideia também é que, até o meio do ano, a gente tenha três ou quatro campos, com tudo o que é necessário.

Estou buscando uma parceria para ter esse dinheiro. Colocar esse CT funcionando significa uma economia de R$ 100 mil por mês. Estou trabalhando para viabilizar isso e já tem uma boa parte em andamento. Acho que, em três ou quatro meses, a gente tenha mais um CT para o clube.

Reforma de São Januário

- A gente está trabalhando na estruturação do fundo para que a captação de recursos possa começar.  No dia 29 (de janeiro), devo ter uma reunião importante nesse sentido, com um possível investidor (…). Pode ser que esse ano ainda a gente inicie as obras.

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