De campeão carioca à quarta divisão estadual: São Cristóvão, clube que revelou Ronaldo Fenômeno, tenta se reerguer

Anita Efraim
·5 minuto de leitura
Estádio Ronaldo Nazário não pode receber jogos e precisa de reformas (Foto: Arquivo Pessoal)
Estádio Ronaldo Nazário não pode receber jogos e precisa de reformas (Foto: Arquivo Pessoal)

Quem passa pela Via Expressa João Gourlart, popularmente conhecida como Linha Vermelha, no Rio de Janeiro, pode ver o estádio Ronaldo Nazário e os dizeres “Aqui nasceu o Fenômeno”. É ali a sede do São Cristóvão, clube que revelou um dos grandes jogadores da história do Brasil.

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Fundado em 1898, o São Cristóvão de Futebol e Regatas é um dos oito clubes do Rio de Janeiro que já foi campeão carioca, em 1926. Hoje, o time não tem divisão nacional e o único torneio do ano é a série C, equivalente a quarta divisão, do estadual.

Normalmente, a competição é disputada em outubro, mas, com a pandemia do coronavírus, não há confirmação de que a série C acontecerá em 2020. Tudo isso complica os planos de Thiago Vancellote, gerente comercial e de marketing do clube.

Voluntário do São Cristóvão desde janeiro de 2019, ele conta que, atualmente, o clube tem apenas 10 funcionários remunerados, além de 15 voluntários. Thiago não é torcedor e não tinha nenhuma relação com o São Cristóvão, mas, na tentativa de entrar no mercado do marketing esportivo, bolou um projeto para reerguer o clube. “Não tinham internet na sede nem redes sociais”, lembra.

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E foi a falta de internet que levou o clube a cair da série B2 para a C. Eles precisavam consultar se poderiam escalar um jogador, sem acesso à internet, resolveram perguntar para o próprio. O atleta negou que pudesse estar suspenso – mas estava.

Jogadores fixos, só os das categorias de base, entre dos 13 aos 17 anos. São eles quem entram em campo na série C do carioca, além de outros contratados cerca de seis meses antes de o campeonato começar.

Time joga a série C do carioca, equivalente a quarta divisão. Os atletas fixos são os das categorias de base (Foto: Arquivo Pessoal)
Time joga a série C do carioca, equivalente a quarta divisão. Os atletas fixos são os das categorias de base (Foto: Arquivo Pessoal)

Nesse período em que está no clube, Thiago viu as dívidas diminuírem, mas teme que a crise do coronavírus e a falta do futebol atrapalhe. “Era para ser o ano da consolidação desse trabalho, mas quando for julho, agosto, já vamos pegar essa bola de neve de novo”, prevê.

O clube tem ainda uma equipe de e-sports, que joga Fifa e é autossustentável. O plano é ampliar o número de jogos e aumentar essa área.

RELAÇÃO COM RONALDO

Atualmente, Ronaldo não tem relações com o clube (Foto: Arquivo Pessoal)
Atualmente, Ronaldo não tem relações com o clube (Foto: Arquivo Pessoal)

O São Cristóvão é conhecido por muitos por ser o clube que revelou o Fenômeno, que é quem dá o nome ao estádio. No entanto, hoje em dia, não há nenhum tipo de relação. Thiago não sabe dizer exatamente o que aconteceu, mas percebe que há algo no ar.

“Primeira coisa que pensamos, quando montamos o projeto, foi não ir ao Ronaldo pedir nada. Ficam coisas nas entrelinhas: ele faz uma postagem da carreira dele, ele fala do Cruzeiro, como se tivesse começado lá, não no São Cristóvão”, conta.

Pelo que sabe, o ex-jogador já deu dinheiro para o clube algumas vezes, mas nunca teve retorno. “São boatos, mas de fato, não existe uma conversa.”

Thiago e a diretoria do clube, do presidente João Machado, tem um projeto de fazer um mural no estádio com uma imagem de Ronaldo. Inicialmente, era para ser uma surpresa, mas, como vão usar a imagem do ex-jogador, tiveram de pedir autorização. Foram quase seis meses de espera para ter uma resposta do assessor de Ronaldo, que acenou positivamente e perguntou quanto custaria. O gerente comercial explicou que a ação era do time e não queriam dinheiro.

Ronaldo é acionista majoritário de um clube espanhol, o Real Valladolid. Ele tem 51% das ações da agremiação.

A intenção do São Cristóvão e lançar o mural junto com a reabertura do estádio, isso porque o Ronaldo Nazário, antigo Figueira de Mello, está impedido de receber jogos. É preciso fazer readequações exigidas pelo Corpo de Bombeiros para conseguir o laudo.

Inicialmente, o objetivo era que tudo estivesse pronto até o fim de 2020 – mas as metas do São Cristóvão esbarram, mais uma vez, na pandemia e na paralisação do futebol.

Ronaldo é a grande marca do time. Mas, para Thiago, a saída do jogador é, também, o momento em que a situação começou a piorar. Por ter revelado o jogador, o São Cristóvão tinha direito a uma parcela da venda. Pode ter sido nesse momento que antigos dirigentes tiraram proveito no clube.

ESPERANÇA

Em relação à torcida, o São Cristóvão tem cerca de mil associados em seu quadro, mas 70% deles estão inadimplentes. Mas, segundo Thiago, é comum que no Rio de Janeiro as pessoas tenham seus times principais e outro com o qual simpatizam.

Ele espera que, com a reabertura do estádio, esses simpatizantes possam aproveitar a boa localização do Ronaldo Nazário e passar a frequentar o local. A ideia é proporcionar mais experiências além do próprio futebol.

“Eu acredito que (que pode voltar a ser o que era). Eu continuo olhando pra lá como da primeira vez. Tem uma história maravilhosa.”

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Esperança da diretoria é que, com jogos, o clube consiga dar a volta por cima (Foto: Arquivo Pessoal)
Esperança da diretoria é que, com jogos, o clube consiga dar a volta por cima (Foto: Arquivo Pessoal)