Campeã olímpica dispara: "Sugeri mostrar que não tinha pênis"

Caster Semenya já ganhou medalhas de ouro nas Olímpiadas e no Mundial. Foto: Phill Magakoe/AFP via Getty Images
Caster Semenya já ganhou medalhas de ouro nas Olímpiadas e no Mundial. Foto: Phill Magakoe/AFP via Getty Images

Desde que a campeã olímpica dos 800 metros Caster Semenya foi submetida a um teste de feminilidade no Campeonato Mundial de Berlim 2009, que mostrou que seu corpo gera naturalmente mais testosterona do que o normal, a atleta trava uma briga com a Federação Internacional de Atletismo.

Pelas regras, a entidade recomenda que atletas tenham que reduzir seus níveis de testosterona abaixo de 5 nanomoles por litro por um período contínuo de pelo menos seis meses em testes que variam de 400 e 1600 metros. Só assim estariam aptos a competir.

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A fundista sul-africana recorreu desse regulamento e optou por não tomar medicação, por isso teve que subir a distância para competir. Agora, em entrevista exclusiva à HBO Real Sports, a atleta acusou a diretoria do World Athletics de "torturá-la" com a medicação que a obrigaram a tomar a priori.

Assim, Semenya garante que "acharam que eu tinha pênis. Eu disse a eles: 'Está tudo bem. Eu sou mulher, não me importo em mostrar minha vagina. Vocês querem?'".

Após vários testes, descobriu-se que Caster tinha testículos internos, então ela tinha que tomar medicação, conforme estabelecido no novo regulamento do Mundial de Atletismo, se quisesse reduzir seus níveis de testosterona e competir. "Esse remédio me deixou doente, me fez ganhar peso, tive ataques de pânico, não sabia se ia ter um ataque cardíaco. É como se esfaquear todos os dias", desabafou a atleta.

Semenya admite que tomou a medicação por vários anos antes de entrar com ações legais contra os regulamentos da Federação Internacional sobre hiperandrogenismo. "Eu não tinha escolha. Eu tinha 18 anos, queria correr, queria chegar às Olimpíadas, era a única opção para mim", contou.

Agora ela torna pública a troca de declarações que teve com Jonathan Taylor, advogado da World Athletics, que questionou que a medicação indicada para Semenya não fosse saudável. "Se não for, por que os principais especialistas do mundo dizem que é isso que devemos prescrever?", disse ele na época.

Caster rebateu a mensagem: "Jonathan deve cortar sua língua e jogá-la fora. Se ele quer entender como essa coisa me torturou, ele deve ir e tomar essas drogas. Ele vai entender", finalizou.

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