Campeã olímpica, judoca Rafaela Silva é flagrada em antidoping

DANIEL E. DE CASTRO
Folhapress
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 07/01/2017: A judoca Rafaela Silva participa do projeto Sesc Verão 2017, na unidade Bom Retiro, em São Paulo. (Foto: Greg Salibian/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 07/01/2017: A judoca Rafaela Silva participa do projeto Sesc Verão 2017, na unidade Bom Retiro, em São Paulo. (Foto: Greg Salibian/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A judoca brasileira Rafaela Silva, 27, foi flagrada em um exame antidoping realizado no dia 9 de agosto, durante os Jogos Pan-Americanos de Lima, com a substância fenoterol. Ela está presente no berotec, medicamento utilizado no dia a dia para o tratamento de doenças respiratórias pelo seu efeito broncodilatador.

Em entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira (20), no Rio de Janeiro, a atleta afirmou que não sofre de asma e que a substância entrou no seu corpo por meio do contato com a bebê de uma amiga e parceira de treino no Instituto Reação. Segundo Rafaela, a filha de Flávia Rodrigues tem a doença e faz uso dessa medicação.

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"Eu tenho o costume de brincar dando o nariz para a criança ficar chupando, como se fosse uma chupeta ou uma mamadeira. O que pode ter acontecido é que, conforme ela ia chupando o meu nariz, eu ia inalando a substância e mandando para o meu corpo", disse.

Uma possível suspensão da brasileira, que pode chegar a dois anos e tirá-la da Olimpíada de Tóquio-2020, será analisada pela Federação Internacional de Judô. A entidade ainda não abriu um procedimento para analisar esse caso, e no momento a atleta não está impedida de treinar ou competir. Ela inclusive deverá participar de um torneio nacional neste sábado (21).

Recentemente, Rafaela foi medalhista de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima e de bronze no Mundial realizado no Japão no fim de agosto. Também ajudou o Brasil a ficar com a terceira posição na disputa por equipes. Caso uma suspensão seja confirmada, esses resultados devem ser invalidados.

De acordo com a atleta, o exame a que foi submetida no Mundial, 20 dias depois daquele que fez durante o Pan, não acusou a presença de nenhuma substância proibida pela Agência Mundial Antidoping (Wada).

"Estou aqui para falar. Não tomo remédio, não tomo bebida alcoólica, só tomo gel de carboidatro quando a nutricionista passa. Não pego garrafinha de ninguém. Sempre tive muito cuidado", ela afirmou durante a entrevista.

Por enquanto, a judoca manterá sua rotina de treinos para competições ao mesmo tempo em que prepara sua defesa, auxiliada pelo advogado Bichara Neto e pelo bioquímico L.C. Cameron.

"É muito tranquilo que uma criança que acabou de usar tenha expirado o fármaco. É bastante plausível que a Rafaela tenha sido exposta dessa forma", disse Cameron.

Segundo o bioquímico, o fenoterol melhora a troca gasosa entre o sangue e o pulmão e tem o potencial de contribuir para a performance esportiva.

Flagrada com a mesma substância em 2016, a nadadora Etiene Medeiros, 28, foi absolvida às vésperas da Olimpíada pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) da natação.

Uma das principais judocas da história do país, Rafaela Silva foi campeã olímpica na Rio-2016 e também conquistou o campeonato mundial realizado na cidade em 2013.

O ano de 2019 tem sido marcado por casos de doping no esporte brasileiro. Em janeiro, a judoca Jéssica Pereira, 25, foi suspensa após ser pega com furosemida, diurético conhecido pela possibilidade de mascarar outros produtos dopantes.

Assim como Rafaela, Jéssica defende o Instituto Reação, organização não governamental que também é um dos principais clubes de judô do Brasil. A entidade foi criada na favela da Rocinha pelo ex-judoca medalhista olímpico Flávio Canto.

Com a aposentadoria de Érika Miranda no ano passado, Jéssica se tornou o principal nome da categoria até 52 kg para a próxima Olimpíada.

Nesta sexta, Canto estava do lado da pupila durante a entrevista. "Rafaela é lutadora e vai botar a cara a tapa aqui", afirmou.

Em julho, o nadador Gabriel Santos, 23, até então titular do revezamento 4 x 100 nado livre, foi suspenso por um ano após ter sido flagrado com a substância anabólica clostebol. Assim, ele está fora da seletiva olímpica para os Jogos de Tóquio-2020.

No mesmo mês, a melhor tenista brasileira da atualidade, Beatriz Haddad, 23, foi suspensa de forma provisória pela Federação Internacional de Tênis por testar positivo para o anabólico SARM (sigla em inglês para moduladores seletivos de receptor de androgênio), substância conhecida por ser uma alternativa aos esteroides anabolizantes. Ainda não há definição sobre o tempo de sua suspensão.

Para Bichara Neto, que também defende o nadador e a tenista, o número elevado de resultados positivos em exames antidoping nos últimos meses está relacionado a uma frequência maior de testes feitos pelas entidades responsáveis por esse controle.

Em setembro, a medalhista de prata no Pan de Lima Andressa de Morais, do lançamento do disco, foi suspensa provisoriamente pela Athletics Integrity Unit (órgão de controle do atletismo) por testar positivo também para o SARM durante a competição no Peru.

Outros dois atletas brasileiros foram flagrados nos Jogos de Lima: o jogador de vôlei Rodriguinho e o ciclista Kacio Freitas. Nenhum desses casos foi comunicado até agora de forma oficial pela entidade organizadora do evento, a Panam Sports.

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