Campeã olímpica, judoca Rafaela Silva é flagrada em antidoping

DANIEL E. DE CASTRO
Folhapress
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 03.09.2018 - A judoca Rafaela Silva da entrevista após treino da seleção brasileira em Pindamonhangaba (SP). (Foto: Alberto Rocha/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 03.09.2018 - A judoca Rafaela Silva da entrevista após treino da seleção brasileira em Pindamonhangaba (SP). (Foto: Alberto Rocha/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A judoca brasileira Rafaela Silva, 27, foi flagrada em um exame antidoping realizado no dia 9 de agosto, durante os Jogos Pan-Americanos de Lima, com a substância fenoterol, utilizada no dia a dia para o tratamento de doenças respiratórias pelo seu efeito broncodilatador.

Em entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira (20), no Rio de Janeiro, a atleta afirmou que não sofre de asma e que a substância entrou no seu corpo por meio do contato com a filha de uma colega de treino. Segundo Rafaela, a bebê tem a doença e faz uso dessa medicação.

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"Eu tenho o costume de brincar dando o nariz para a criança ficar chupando, como se fosse uma chupeta ou uma mamadeira. O que pode ter acontecido é que, conforme ela ia chupando o meu nariz, eu ia inalando a substância e mandando para o meu corpo", disse.

Uma possível suspensão da brasileira, que pode chegar a dois anos e tirá-la da Olimpíada de Tóquio-2020, será analisada pela Federação Internacional de Judô. A entidade ainda não abriu um procedimento para analisar esse caso, e no momento a atleta não está impedida de treinar ou competir.

Rafaela foi medalhista de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima e de bronze no Mundial realizado no Japão, no fim de agosto. Caso a suspensão seja confirmada, eles devem ser invalidados.

De acordo com a atleta, o exame a que foi submetida no Mundial, 20 dias depois daquele que fez durante o Pan, não acusou a presença de nenhuma substância proibida pela Agência Mundial Antidoping (Wada).

"Estou aqui para falar. Não tomo remédio, não tomo bebida alcoólica, só tomo gel de carboidrato quando a nutricionista passa. Não pego garrafinha de ninguém. Sempre tive muito cuidado", ela afirmou durante a entrevista.

A atleta disse que por enquanto manterá sua rotina de treinos para competições ao mesmo tempo em que prepara sua defesa, auxiliada pelo advogado Bichara Neto e pelo bioquímico L.C. Cameron.

"É muito tranquilo que uma criança que acabou de usar tenha expirado o fármaco. É bastante plausível que a Rafaela tenha sido exposta dessa forma", disse Cameron.

Segundo o bioquímico, o motivo de fenoterol ser proibido é o fato de ele provocar uma melhor troca gasosa entre o sangue e o pulmão e ter o potencial de melhorar a performance esportiva.

Uma das principais judocas da história do país, Rafaela Silva foi campeã olímpica na Rio-2016 e também conquistou o campeonato mundial realizado na cidade em 2013.

O ano de 2019 tem sido marcado por vários casos de doping no esporte brasileiro. Em janeiro, a judoca Jéssica Pereira, 25, foi suspensa após ser pega com furosemida, diurético conhecido pela possibilidade de mascarar outros produtos dopantes.

Assim como Rafaela, Jéssica defende o Instituto Reação, organização não governamental que também é um dos principais clubes de judô do Brasil. A entidade foi criada na favela da Rocinha pelo ex-judoca medalhista olímpico Flávio Canto.

Com a aposentadoria de Érika Miranda no ano passado, Jéssica havia se tornado o principal nome da categoria até 52 kg para a próxima Olimpíada.

Em julho, o nadador Gabriel Santos, 23, titular do revezamento 4 x 100 nado livre, foi suspenso por um ano após ter sido flagrado com a substância anabólica clostebol. Com isso, ele está fora da seletiva olímpica para os Jogos de Tóquio-2020.

No mesmo mês, a melhor tenista brasileira da atualidade, Beatriz Haddad, 23, foi suspensa de forma provisória pela Federação Internacional de Tênis por testar positivo para o anabólico SARM (sigla em inglês para moduladores seletivos de receptor de androgênio), substância conhecida por ser uma alternativa aos esteroides anabolizantes. Ainda não há definição sobre o tempo de sua suspensão.

Mais cedo em setembro, a medalhista de prata no Pan de Lima Andressa de Morais, do lançamento do disco, foi suspensa provisoriamente pela Athletics Integrity Unit (órgão de controle do atletismo) por testar positivo também para o SARM durante a competição no Peru.

Outros dois atletas brasileiros foram flagrados nos Jogos de Lima: o jogador de vôlei Rodriguinho e o ciclista Kacio Freitas. Nenhum desses casos foram comunicados até agora de forma oficial pela entidade organizadora do evento, a Panam Sports.

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