Thuram lembra título mundial em 1998 e critica Pelé ao discutir racismo

EFE

Paris, 20 mar (EFE).- O ex-defensor Lilian Thuram relembrou, em entrevista exclusiva à Agência Efe, a sensação de conquistar a Copa do Mundo, em 1998, também apontou os favoritos para a edição do torneio que acontecerá na Rússia e ainda discutiu racismo no esporte.

"Quando ganhamos do Brasil, disse a mim mesmo: 'Não é verdade'. Ainda hoje continuo pensando às vezes que não foi verdade", afirmou o campeão do torneio como lateral-direito.

Na decisão, a França bateu a seleção comandada por Zagallo por 3 a 0, no Stade de France, em Saint-Denis, com dois gols de Zinedine Zidane e um de Emmanuel Petit, selando inédita conquista para os anfitriões.

"Tive a sorte de ganhar diante da minha família, dos meus amigos. É uma experiência que me faltam palavras para explicar. Um sonho de infância", contou o antigo jogador.

Thuram, que atuou em Monaco, Parma, Juventus e Barcelona, participante de três Copas do Mundo, aproveitou para apontar as seleções que considera favoritas para a edição deste ano, que será disputada na Rússia.

"Brasil, Espanha, França, Alemanha e Argentina. Se você olhar a história dos Mundiais, no fim, são os mesmos que sempre ganham", palpitou o ex-jogador.

O francês, símbolo na luta contra o racismo e reconhecido internacionalmente pelo engajamento político, lembrou que entendeu a existência de preconceito desde a infância e que, na Itália, se acostumou a ver pessoas imitando macacos nas arquibancadas.

"Eu entendia o motivo daquilo. Não me agradava que a imprensa dissesse que se tratava de um estúpido fazendo aquilo. Era preciso perguntar a ele porque fazia aquilo. Era por preconceito. Ele não nasceu racista, mas somos de uma cultura racista. Dizer que é alguém estúpido, não muda nada", disse.

Thuram ainda lembrou o caso envolvendo o lateral-direito brasileiro Daniel Alves, em 2014, quando atuava pelo Barcelona, em que torcedores do Villarreal jogaram uma banana no gramado, que acabou sendo comida pelo jogador.

"É uma reação individual. Ali, ele é o único que enfrenta o problema. Os companheiros não fazem nada, o árbitro também não. Os jogadores que não negros, precisam dar um passo adiante e dizer: 'Vamos proteger vocês'", garantiu o francês.

O ex-defensor, que exaltou o jogador americano de basquete LeBron James, pelo engajamento na defesa do racismo, voltou a criticar Pelé, o "Rei do Futebol".

"Há muitas pessoas que sempre estão perto do poder. Desgraçadamente, é o caso de Pelé, que conversa essa atitude. É uma pena, porque, com seu poder midiático, poderia ter contribuído para mudar as coisas. Lembro, em 2013, durante a Copa das Confederações, em que pediu para que brasileiros não protestassem, apesar das carências do Brasil", lamentou Thuram. EFE


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