Cada vez mais perto: Saiba o que cada brasileiro precisa para conquistar o título mundial de surfe

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Filipe Toledo é o atual líder do circuito (Sebastian Rojas/FramePhoto/Gazeta Press)
Filipe Toledo é o atual líder do circuito (Sebastian Rojas/FramePhoto/Gazeta Press)

Por Emanoel Araújo e Guilherme Daolio

Daqui há alguns anos, muitos podem lembrar de 2018 como o ano de mais uma eliminação precoce da Seleção Brasileira na Copa do Mundo ou como um ano eleitoral dos mais complexos e importantes dos últimos tempos no nosso país, mas ninguém poderá contestar o sucesso absoluto do Brasil no surfe. O domínio verde e amarelo começou em março e, ao que tudo indica, não vai acabar antes de mais um título mundial.

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A temporada em cima das pranchas começou em março e o australiano Julian Wilson venceu a primeira etapa do ano em sua casa, na Gold Coast. De lá para cá foram outros seis eventos, e todos tiveram um brasileiro como o grande campeão.

Em Bells Beach, Italo Ferreira aposentou a lenda Mick Fanning e levantou pela primeira vez um troféu na elite. A terceira etapa começou em Margaret River, mas foi paralisada por conta de tubarões e terminou em Uluwatu com a também inédita vitória do novato Willian Cardoso. Em Saquarema, no Rio de Janeiro, Filipe Toledo deu show e conquistou o bicampeonato. O Circuito Mundial foi então para Bali, onde Italo garantiu sua segunda vitória no ano. Filipinho não quis ficar pra trás e também assegurou seu segundo troféu em 2018 nas tradicionais direitas de Jeffreys Bay, na África do Sul. Na sétima e última etapa disputada, Gabriel Medina mostrou que conhece todos os atalhos da perigosa etapa de Teahupoo.

As contas

Depois de sete etapas, o domínio da Tempestade Brasileira é mais do que visível no ranking mundial. Dos quatro melhores do mundo até agora, nada menos que três são brasileiros. Em busca de seu primeiro título, Filipe Toledo lidera a lista, seguido pelo campeão de 2014 Gabriel Medina. Julian Wilson é o intruso, na terceira colocação, mas já vê o potiguar Italo Ferreira em sua cola após desempenho abaixo do esperado em Teahupoo.

Faltam quatro eventos até o fim da temporada. Dos onze resultados conquistados, cada surfista descarta os dois piores. Então o que será que os brasileiros precisam para trazer mais um caneco pra gente?

Filipe Toledo – 41.985 pontos

Filipe Toledo comemora após vencer etapa na África do Sul (WSL-EFE)
Filipe Toledo comemora após vencer etapa na África do Sul (WSL-EFE)

O atleta de Ubatuba tem a seu favor o fato de só ter um resultado fraco até agora (13º em Bells Beach), então ainda tem direito a mais um descarte. Para quem quer ser campeão em dezembro, parar nas três primeiras fases é muito ruim. As próximas três etapas, no Surf Ranch, França e Portugal, se encaixam muito bem em seu estilo e isso pode ser fundamental para chegar no último evento, em Pipeline, com uma boa margem sobre os adversários. Ele já venceu em Peniche em 2015.

Hoje, Filipinho tem 6.300 pontos de vantagem para Gabriel Medina. No mundo do surfe, isso quer dizer que se chegar apenas ao Round 4 na próxima etapa, garante a camisa amarela até a primeira parte da perna europeia. Para seguir na liderança e manter vivas as chances do inédito título, Filipe tem que continuar chegando entre os cinco melhores, pelo menos quartas de final, em todas as etapas. Caso isso aconteça, dificilmente alguém conseguirá ultrapassá-lo.

Gabriel Medina – 35.685 pontos

Gabriel Medina faz a festa no Taiti. Foto: WSL / DAMIEN POULLENOT
Gabriel Medina faz a festa no Taiti. Foto: WSL / DAMIEN POULLENOT

Campeão mundial em 2014, Gabriel Medina tem a experiência e frieza em momentos decisivos como sua principal característica. E todos sabem que as últimas etapas do ano são a melhores pra ele, que fez dobradinha na França e Portugal no ano passado. Assim como Filipe Toledo, ele tem apenas um resultado ruim até agora (13º na Gold Coast).

Assumir a camisa amarela na próxima etapa será uma missão quase impossível, mas a meta de Medina é reduzir a diferença no Surf Ranch, chegar com tudo na perna europeia e fazer valer sua maior conexão com as ondas de Pipeline para conquistar o bicampeonato mundial. No Havaí, ele já chegou duas vezes até a decisão. Como Filipinho não deve entregar fácil a camisa, o ideal é vencer mais uma etapa e sempre se manter entre os cinco melhores de cada evento para ir reduzindo aos poucos a diferença.

Italo Ferreira – 30.160 pontos

WSL/Divulgação
WSL/Divulgação

A missão mais difícil está nas mãos de Italo Ferreira. Apesar das duas espetaculares vitória na temporada, o potiguar vive um ano de altos e baixos. Em Jeffreys Bay caiu logo na segunda fase (25º lugar) e foi eliminado no Round 3 na Gold Coast, em Uluwatu e em Saquarema (segundo pior resultado, 13º lugar). Dessa forma já gastou seus dois descartes e fatalmente irá somar um resultado ruim.

Já são quase 12 mil pontos de diferença para Filipe Toledo e mais de 5 mil para Gabriel Medina. Se quiser terminar o ano como o melhor surfista do mundo, Italo precisa vencer ao menos uma etapa e sempre estar pelo menos nas semifinais. A seu favor pesa o fato de já ter sido vice-campeão em Portugal (perdeu para Filipinho na final de 2015) e, já que é visto como zebra, ser o único dos três a surfar sem favoritismo e a pressão que isso traz.

A pergunta já não é mais se um brasileiro chegará ao Havaí com chances de título mundial, e sim quais serão os nossos surfistas que irão brigar até o fim pelo posto de melhor do mundo. A Tempestade Brasileira já é mais do que uma realidade e você encontra todas as informações sobre o mundo do surfe aqui no Yahoo!

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