Cacá diz que "não vi nada muito produtivo" da nova gestão da CBA que "é parte do mesmo grupo político"

NATHALIA DE VIVO
Grande Prêmio

Cacá Bueno fez uma breve análise sobre a atual gestão da CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo). Sem observar grandes mudanças e iniciativas por parte da entidade, o piloto reconheceu que gostaria de ter visto mais novidades no cenário do esporte a motor nacional.

 

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Desde março de 2017, Walder Bernardo, conhecido como Dadai, assumiu o comando da CBA, sucedendo Cleyton Pinteiro. Na época, ganhou a votação por dez votos a sete, e agora fica no cargo até 2020.

 

O titular da Cimed, sempre com discursos críticos e bastante diretos, não viu com bons olhos o início da gestão de Bernardo que, em sua opinião, não comandou grandes mudanças de nenhuma forma. “Não vi ainda nada extremamente produtivo, nada de grande mudança. Não sou nenhum grande crítico do Dadai, também não posso dizer que somos amigos”, falou com exclusividade ao GRANDE PRÊMIO.

 

“Meu problema pessoal com ele, para falar que não tenho nenhum também não é verdade, ele fazia parte do mesmo grupo político que me suspendeu, que foi recorrente em punições comigo. Me usar como exemplo e usar um rigor da regra diferente para mim do que para outros, e ele fazia parte do mesmo grupo. Aquela famosa frase ‘quem bate esquece, quem apanha nunca esquece’”, continuou.

Walder Bernardo, o Dadai


“Para mim, ele não se desvinculou completamente ainda das pessoas que, do meu ponto de vista, não fazem bem nenhum ao automobilismo. Não houve grandes mudanças, então não vejo realmente que a CBA está operando melhor praticamente em nenhum grupo”, completou.

 

Entretanto, Bueno reconheceu que o trabalho não é tarefa fácil e que se leva tempo para realmente ver mudanças, mas que, mesmo assim, grandes coisas já deveriam ter sido feitas. “Acho que, talvez em alguns pontos, o Dadai deu jeito na gestão, sei que é um trabalho difícil e longo, também não estou no dia a dia respirando aquilo”, comentou.

 

“Mas não vi um grande choque de gestão, uma grande mudança de nomes, uma grande mudança de postura, não vi projetos de formação de engenheiros, projetos de formação de mecânicos, não vi parcerias com estados para fazer colégios de engenharia e de mecânicos, você utilizar esse pessoal como trainee ou estagiários em grandes equipes. Não vejo projeto para formação de pilotos.”

 

“De fora é muito fácil falar, mas eu não vejo muita coisa que eu gostaria de ver. Não sei como fazer, não sou político, não tem como fazer, mas coisas que eu vejo acontecer em outros países que tem o automobilismo com tamanha importância como o Brasil tem. Vejo a Argentina fazendo diferença, a Austrália, Estados Unidos, França, Inglaterra, Itália, eu vejo todos esses fazendo diferente”, emendou.

Cacá Bueno fez um bom treino classificatório no Velo Città (Foto: Duda Bairros/Vicar/Vipcomm)


“Eu não posso comparar o Brasil com o Chile onde o automobilismo é praticamente inexiste, não posso comparar o Brasil mesmos com países muito grandes territorialmente, pois o automobilismo não é tão importante”, disse.


Por fim, o piloto apontou que o esporte a motor brasileiro deve ser tratado de maneira diferente, não visto como um esporte de nicho, mas sim para toda a população. "O automobilismo aqui é o segundo esporte, e não o vejo sendo tratado como segundo esporte. Eu o vejo sendo tratado como esporte de nicho, mas o automobilismo no Brasil é um esporte de massa. Temos várias transmissões todo o final de semana. Não é um esporte de nicho, é um esporte de massa e merecia ser tratado assim", encerrou.

 

A história do carioca com a CBA já vem de longa data. Na temporada 2015, o piloto acabou suspenso da rodada dupla de Curitiba por conta de críticas feitas aos comissários no fim da corrida em Ribeirão Preto. Na época, a suspensão saiu cara, pois atrapalhou sua briga pelo título do campeonato. No final, terminou como vice-campeão, atrás de Marcos Gomes.


Mas isso não foi tudo. Em 2016, um grande escândalo explodiu no cenário do automobilismo nacional envolvendo comissários da Stock Car. Em uma troca de mensagens, os personagens envolvidos deixaram a entender que prejudicaram deliberadamente o piloto.


 

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