Em reunião vazada, Caboclo afirma: 'CBF, Federações e clubes fizeram o que os governos deveriam ter feito'

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O presidente da CBF, Rogério Caboclo, não se restringiu a se opor veementemente à paralisação das competições nacionais. Em novo trecho da reunião de 10 de março divulgado pelo repórter Venê Casagrande em "O Dia", o mandatário afirmou que a entidade máxima do futebol nacional, as federações e os clubes fizeram "aquilo que o Governo deveria ter feito" em meio à pandemia de Covid-19 no ano de 2020.

No novo trecho da reunião por videoconferência com dirigentes dos clubes das Série A e B, Caboclo disse que todos fizeram ações indefectíveis.

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- A CBF, as Federações e os clubes fizeram um trabalho lindo e maravilhoso. Eu vou dizer indefectível. Quando demonstrar todo o trato desde as camisas dos clubes até as ações sociais demonstradas e fizeram de coração. Com ação social, ação efetiva, com poucos ramos da sociais fez. Desde Governos municipais, Governos de Estado e até federal. Fizemos funções sociais que ninguém fez. Os clubes fizeram. As Federações fizeram. E a CBF fez. Não quero crédito para ninguém. Acho que ninguém fez melhor do que ninguém - e, em seguida, soltou críticas em relação às autoridades:

- O fato é que praticamos aquilo que o Governo deveria ter feito. Os governos talvez não tenham feito. Não vou me alongar. Eu queria ter colocado uma ampulheta para delimitar as palavras daqueles que vão falar a respeito de tudo isso - completou.

Em seguida, falou da unidade entre todas as entidades.

- Objetivamente, a CBF, junto com as Federações e com os clubes, fizeram 90 mil testes e gastaram R$ 30 milhões. Em competições nacionais, não reduziram uma única partida, e eu ouvi isso dos maiores dirigentes do futebol no mundo. Ninguém fez isso. Como é que vocês fizeram? Com vontade, vigor, voluntariedade, unidade de clubes e de federações, porque estávamos unidos. Ninguém quis se gabar por isso, ninguém quis ganhar status por isso, nem do maior e nem do menor clube, ninguém quis se realizar a partir disso, nem a CBF.... - disse.

O presidente da CBF ainda frisou que não houve desigualdade da entidade no tratamento dispensado aos clubes.

- Eu disse para o presidente da Fifa (Gianni Infantino): "O Flamengo tem uma camisa gigante, mas aqui ele é tratado quase igual ao clube que foi rebaixado, como o Oeste de Itápolis". Não diferenciamos nenhum clube. Não existe o gigante, não existe o pequeno. Nós tratamos os clubes de forma equânime, cada um com o seu potencial econômico e financeiro, naturalmente cada qual vai ser mantido no seu patamar. Cada um vai ser resguardado da maneira que se manteve, se respeitou, se guarneceu. Ao Flamengo, a dignidade do futebol do Brasil. Ao Palmeiras, aos clubes brasileiros que foram além do país e que merecem o nosso respeito, mas todos merecem o mesmo respeito... - disse o dirigente.

No trecho divulgado nesta quarta-feira, Caboclo pede uma ação coletiva dos clubes.

- Eu vou dizer aqui. Se não houver negociação coletiva, o Brasil perde. Afirmo. Perde o Nordeste, o Bahia, o Ceará, o Fortaleza, todos. Perdem os clubes do Rio, que nunca vão se equiparar, perde o Vasco, o Botafogo, o Fluminense. Eu elevo o Flamengo ao status que merece hoje. Os clubes de São Paulo, muito bem colegiados e estabelecidos, têm uma noção razoável, erigidos pelo presidente Reinaldo (Carneiro Bastos, mandatário da FPF), são cinco clubes que falam a mesma voz, uma única voz.... - declarou.

No trecho divulgado nesta quarta-feira, estão também os seguintes dirigentes: Wagner Dal Zotto, do Juventude, Robson Seerig, da Federação Paranaense de Futebol, J.B. Telles, de clube ou federação não identificado, Evandro Carvalho, mandatário da Federação Pernambucana de Futebol, Sérgio Malucelli, gestor do Londrina, Francisco Cezário de Oliviera, presidente da Federação Mato-grossense de Futebol, Marcelo Penha, coordenador administrativo do Fluminense, Leomar Quintanilha e presidente da Federação Tocantinense de Futebol.

Ao UOL, Rogério Caboclo disse que não comentaria o trecho da reunião. Na última terça-feira, foi divulgado outro trecho, no qual o mandatário defende a continuidade das competições nacionais e diz:

- A Rede Globo não quer. Ninguém quer, seus patrocinadores não querem. E se parar sabe quando nós temos a segurança de dizer que a gente pode voltar? Nunca - afirmou.