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Bruno Schmidt relembra ouro em 2016: 'Mentiria se dissesse que me dei bem'

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Imagine disputar sua primeira Olimpíada já com grandes expectativas, dentro de casa e com todo mundo esperando que você vá ao pódio. Foi isso que aconteceu com Bruno Schmidt. O capixaba foi campeão olímpico em 2016, no Rio de Janeiro, ao lado do parceiro Alison, em uma noite memorável na Praia de Copacabana.

"A minha primeira participação olímpica em casa, e como favorito, foi... Eu me preparo, já jogo vôlei de praia há muito tempo. Mas passar por tudo isso não foi fácil. Eu mentiria se dissesse 'Ah, me dei bem. Quando começou o evento eu me acostumei, eu relaxei'", conta Bruno em entrevista ao Yahoo Brasil. "Mas, imagine um país carente de medalhas. Quando chega o momento, todo mundo quer saber quem vai trazer medalhas, ninguém quer saber como. Querem saber quem são as possíveis medalhas. Acho que é uma característica do povo brasileiro, esse imediatismo. Não quer saber o como, o que fez, mas quer saber o que naquele momento, onde ele pode ganhar." 

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De todos os lados, a pressão era muito alta. Schmidt lembra que o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) chegou a vazar que esperavam a medalha de ouro da dupla, que para alguns especialistas liderava a expectativa de medalha, acima até do futebol masculino e das equipes de vôlei de quadra. 

Na fase de grupos, estreia vencendo os canadenses Binstock/Schachter por 2 a 0. No segundo jogo, um tropeço inesperado: 2 a 1 para os austríacos Doppler/Horst, para quem eles nunca tinham perdido. Mas a recuperação veio no jogo final, batendo os italianos Carambula/Ranghieri por 2 a 0.

"A gente perdeu um jogo fácil na chave, se é que se pode falar isso, se não a gente não perderia. Mas uma dupla que a gente nunca havia perdido. O nosso caminho se complicou muito. E o vôlei de praia tem essa particularidade, eles fazem um sorteio no meio da competição, e você pode cair em qualquer lugar. Depois que eu não saí em primeiro do grupo, a gente saiu em segundo por conta de um ponto, a gente caiu no caminho mais difícil", explica Bruno.

O mata-mata comecçou com 2 a 0 sobre os espanhóis Gavira/Herrera, antes de um 2 a 1 cheio de tensão contra os americanos Dalhausser/Lucena. Na semifinal, outra vitória extremamente complicada, 2 a 1 sobre os holandeses Brouwer/Meeuwsen, o time nº 2 do torneio.

O capixaba lembra que depois da semifinal, a dupla recebeu um conselho muito importante de uma pessoa da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV): “Olha, mantenha o foco. Tente descansar o máximo que você puder. Eu tenho certeza que o dia da final vai ser o dia mais longo e mais difícil, mas terá o melhor desfecho da vida de vocês”.

Principal parceira do Comitê Olímpico Internacional (COI), a emissora norte-americana NBC acaba tendo o direito de pedir que determinados esportes atendam ao seu calendário. Por causa disso, a final do vôlei de praia foi marcada para a 0h, horário de Brasília. E mesmo sem dupla americana na decisão, o horário não foi alterado. 

"Não dormi nada no dia anterior. Fui acordar às cinco da manhã e só ia jogar a meia noite. Assim, zero hora do outro dia. Foi o dia mais longo, disparado, da minha vida. Passou de tudo na minha cabeça: todos os desfechos bons, os ruins. Eu tentava me acalmar, tentava dar uma relaxada e nada", contra Bruno.

Na grande decisão, dois sets equilibrados contra os italianos Daniele Lupo e Paolo Nicolai, mas com vitória de Alison e Bruno Schmidt por 2 a 0 (21-19 e 21-17).

"A minha família esteve ao meu lado em todos os momentos que eu precisava. Então, quando acabou, quando aquela bola caiu e eu vi que não tinha mais volta, eu saí correndo, e quando eu fui ver eu já estava lá em cima. O pessoal depois me ajudou a descer, falaram 'Cara, como você subiu assim tão rápido?', e depois que eu vi o tamanho da altura que era pra você alcançar a arquibancada. Mas foi bom demais. Foi bom demais, realmente. Todo mundo esgotado", relembra o atleta sobre o momento após o último ponto da partida.

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