Bruno Ono: De jogador campeão do mundo à coach que dominou o Brasil

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(Foto: Reprodução/Instagram)
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Por Filipe Carbone (@filipe_carbone)

Bruno Ono é pouco notado atrás dos cinco jogadores da paiN Gaming que varreram quase todos os títulos que disputaram neste ano no Counter-Strike brasileiro. Quem observa de longe o sucesso da equipe pode não saber o que o treinador, um dos principais pilares para a hegemonia da organização já fez pelo CS do Brasil.

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Bruno Ono, ou Bruno “ellllll”, não recebe o mesmo destaque que já recebeu nos primórdios de um dos jogos de FPS de maior sucesso de todos os tempos. Ao lado de figuras conhecidas até hoje como Lincoln "fnx" Lau, Renato "nak" Nakano (atuais jogadores da RED Canids) e Raphael "cogu" Camargo, Bruno ajudou a conquistar o primeiro Campeonato Mundial de Counter-Strike para o Brasil.

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Quase invisível aos olhos da geração que acompanhou Gabriel “FalleN” Toledo e companhia com os Majors pela Luminosity Gaming e SK Gaming, a história escrita por Bruno “ellllll” é lembrada com carinho pela velha guarda do Counter-Strike. Apesar do título ter vindo apenas em 2006, a carreira do jogador começou alguns anos antes disso. Na época, não demorou para conseguir uma vaga no time de Alexandre “Gaules”, a G3X.

“Eu comecei a jogar mesmo em 2002 com o boom da lan-house. Entrei para um time profissional bem rápido, em 2004. Na época fui para o G3X, time do Gaules, e a partir dali só fui continuando a carreira”, diz o atual treinador da paiN Gaming.

Counter-Strike raiz

Vivendo de perto duas gerações do jogo da Valve, Bruno Ono acompanhou o nascimento e crescimento do Counter-Strike. Muito jogado em lan-houses em função da dificuldade de acesso à internet, o ex-jogador relembra como era comum o encontro entre jogadores para partidas presenciais e como isso é mais raro nos dias de hoje.

“Os jogos em lan-house eram bem rotineiros. O contato entre os jogadores que todo mundo gostava. A gente diz que era o CS raiz, o CS gritaria. Antigamente você já tinha essa experiência de jogar em lan. Disputar campeonatos presenciais não era diferente do que você fazia no dia-a-dia”.

Muito mais do que a facilidade de estar cara a cara com os oponentes durante as competições, Bruno usa o lado de treinador para avaliar também as questões pessoais que o convívio trazia para os jogadores.

De acordo com ele, o convívio entre os players antes das competições eram coisas normais, o que é muito diferente dos dias atuais. Bruno diz que “o pessoal novo é muito difícil porque muitas vezes são jogadores que não estão acostumados a sair de casa”.

“Principalmente quando chega a parte do convívio. Pessoalmente eles são mais difíceis de trocar ideia, de aceitar mais as críticas. Além disso tudo a própria pressão de estar em uma lan. Quando disputamos a Star-Series Season 7 na China tinha jogador do nosso time que nunca havia jogado em lan-house e a primeira partida dele foi contra a FaZe”, diz.

De “ellllll” para Bruno Ono

(Foto: Reprodução/Instagram)
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Foram cinco anos afastado do cenário competitivo de Counter-Strike desde que Bruno Ono decidiu largar a carreira de jogador. O atual coach encerrou a carreira em 2013 e, apesar de nunca ter largado totalmente o jogo, seguia a vida em um trabalho “comum”, pelo menos até surgir a oportunidade de voltar a competir, mas não mais como jogador.

Bruno fala que o convite surgiu de um ex-aluno para quem deu aula na Games Academy. Na época, assumiu a Virtue Gaming no ano passado e foi lá que conheceu Paulo “land1n” Felipe, Alef “tatazin” Pereira e Vinicios “PKL” Coelho, a base do time que o levou à glória com a camisa da paiN Gaming.

De acordo com ele, “estar infeliz na área em que estava trabalhando” foi um dos principais fatores que o fez aceitar o desafio de comandar uma equipe pela primeira vez. Iniciante, cabia a ele utilizar tudo que aprendeu como jogador para passar para os novos comandados.

“Acumulei treinadores muito bons, como Apoka e Gaules. Acho que o CS não é só saber atirar, mas saber conviver e saber controlar o time. Lógico que eu passei por muitas coisas, por mais que o jogo seja diferente, eu ainda consigo transmitir essas experiências para os meninos”, diz.

Ainda assim, Bruno não tem vergonha em assumir que segue aprendendo com o jogo, principalmente por ter vivido outra época do Counter-Strike, onde o uso de utilitárias era quase inexistente. Para o treinador que venceu quase tudo que disputou em 2019, “os próprios meninos ainda ajudam muito”.

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