Brasileiros apostam em 'garra' para tirar atraso sobre rivais em Tóquio

Jonas Moura
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Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio, adiados para 2021 devido à pandemia da COVID-19, tendem, caso de fato aconteçam, a serem mais uma celebração dos povos do que um evento de alto nível técnico. Mas alguns dos maiores astros e estrelas do esporte brasileiro não veem a demora para a retomada das atividades no país como uma desvantagem em relação aos rivais que já começam a frequentar quadras, pistas e campos pelo mundo.

Em live do Fórum 360 nesta segunda-feira, os campeões olímpicos Alison (vôlei de praia), Bruninho (vôlei), o campeão paralímpico na natação Daniel Dias, e a campeã mundial no solo da ginástica artística Daiane dos Santos compartilharam suas angústias diante do adiamento, concordaram que a possível realização dos Jogos com portões fechados ao público seria um golpe e disseram acreditar em uma rápida "virada de chave".

Daniel avalia que a falta de definição sobre a data de retorno aos treinamentos é o mais angustiante e diz que tenta evitar pensar sobre o que estão fazendo seus rivais de países que vivem uma fase mais adiantada da pandemia.

- Neste ano, sabemos que não teria condições de ter Jogos. Ganhando um ano, em dois meses já não fizemos nada. A Itália já voltou, e tenho grandes adversários lá. Mas acho que vai reequilibrar tudo. Estamos acostumados a nos superar. Na hora que subirmos no bloco lá, vai ganhar quem tem mais coração, garra e força de vontade. Fisicamente, daremos um jeito - disse o nadador.

Ouro na Rio-2016 ao lado de Bruno Schmidt e hoje parceiro de Álvaro Filho, Alison acredita que, em um ano, o cenário de cada modalidade pode mudar.

- A Olimpíada une os povos. Unir o mundo sem público seria algo histórico. Essa Olimpíada já é totalmente diferenciada. Muitos times na minha modalidade ainda não conseguiram a classificação. Imagino a ansiedade deles. Temos várias perguntas na cabeça. Tinham muitos candidatos à medalha, mas em um ano as coisas mudam. Boa parte vai se preparar melhor, estudar mais. O cara que já voltou a treinar na Europa ganhou agora, mas pode não ter ganhado tanto assim na recuperação de treinamentos. Tudo virá mesmo em função da Olimpíada - avaliou o jogador.

O levantador Bruninho, que acertou o retorno ao Brasil para defender o EMS Taubaté na próxima Superliga, vê a chance de jogar ao lado de seus companheiros de Seleção como mais uma oportunidade de entrosamento, com foco na Olimpíada de Tóquio. E tenta levar a situação com bom humor.

- Depois de termos combatido esse adversário, será um momento de celebração. Brincamos no nosso grupo da Seleção de 2016 que nós seremos os campeões olímpicos que mais duraram na história (risos) - disse o atleta.

Para a ex-ginasta, as dificuldades dos países na preparação para os Jogos não apagarão o brilho do evento.

- Tenho certeza de que a dedicação dos atletas após o isolamento será mil porcento, para chegarem ao ápice e defender o Brasil. Vai ser diferente para todo mundo. Será muito forte o sentimento de "vencemos pelo outro", pelo amor. Não vai ter como não se arrepiar e não se emocionar - avaliou Daiane.


















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