Brasileiras ficam perto do título Mundial de Snipe Feminino de vela

·4 minuto de leitura


O Mundial Feminino de Snipe praticamente definiu a dupla campeã de 2021. As baianas Juliana Duque e Mila Beckerath novamente venceram as duas regatas do dia nesta sexta-feira (8), no Yacht Club Paulista, em São Paulo (SP), e abriram vantagem confortável na liderança do campeonato exclusivo para mulheres. A competição conta com 42 duplas de sete países e já foram realizadas seis provas ao todo.

As últimas regatas serão neste sábado (9) e com a entrada do descarte do pior resultado, Juliana Duque e Mila Beckerath precisam apenas de colocações medianas nas provas finais. As atletas somam apenas 6 pontos perdidos contra 18 da dupla formada pela croata Andela Viturri e pela norueguesa Maj Kristin Borgen. Em terceiro estão as brasileiras Martha Rocha e Larissa Juk com 19 pontos perdidos.

As representantes do Yacht Club da Bahia literalmente sobraram nas provas desde quarta-feira (6), que foram realizadas na Represa do Guarapiranga. Acertaram todas as largadas e nas montagens de boia abriram frente para as adversárias. No Campeonato, elas pegaram dois segundo lugares e quatro vitórias literalmente de ponta a ponta.

- Hoje foi bom outra vez! A gente abriu uma frente boa e faltam duas regatas agora. Vamos tentar velejar bem novamente. Largamos muito bem nas duas provas de hoje e acertamos a tática. Estou muito feliz - contou Juliana Duque, medalhista pan-americana em Lima 2019 e campeã mundial de Snipe de 2016.

As regatas de sexta-feira tiveram ventos variando de 8 a 12 nós, com mais intensidade na segunda prova do dia. ''Dever cumprido. Estamos mais aliviadas, principalmente hoje com uma regata difícil com vento rondado. Isso deu um trabalhinho. Estamos sobrando pois estamos alinhadas mesmo com pouco treino. A Juliana é unânime! Veleja muito'', explicou Mila Beckerath.

A amizade das baianas é de longa data e não está apenas no esporte. Juliana Duque e Mila Beckerath são madrinhas de casamento uma da outra. Além disso, elas correram juntas o Mundial de Snipe Feminino de 2012, em Málaga, na Espanha, e ficaram na quarta posição.

- Muito bom o desempenho delas! Agora é ficar no top 15 no sábado para confirmar o título. A Ju e a Mila estão enfrentando concorrentes muito boas, o que não aparece na súmula - comemorou o treinador Rafa Martins.

Quatro anos depois, Juliana Duque ao lado da proeira Amanda Sento Sè foi campeã mundial em Bracciano, na Itália. O foco de Juliana agora passa a ser a Copa Brasil de Vela ao lado de Rafa Martins, agora na classe 470. O evento será em Ilhabela (SP) na semana que vem e reunirá as classes olímpicas e pan-americanas. A categoria 470, assim como o Snipe, será mista para Paris 2024.

A croata Andela Viturri está feliz com seu desempenho. Segunda colocada, a velejadora olímpica espera voltar a navegar bem nas regatas finais para se manter na zona do pódio. ''As condições da raia aqui no Brasil são bem difíceis! Hoje as regatas foram bem difíceis na represa. É impossível prever alguma coisa e por isso vamos pensar dia a dia''.

O presidente da Confederação Brasileira de Vela esteve no Yacht Club Paulista para prestigiar o evento antes da viagem de visita técnica à raia olímpica de Marselha, onde serão disputadas as provas de Paris 2024. Marco Aurélio de Sá Ribeiro está contente com o crescimento da vela feminina no País.

- O Campeonato Mundial de Snipe tem um nível técnico muito alto. Velejam medalhistas pan-americanas, campeãs mundiais, representantes do Brasil em olimpíadas e, principalmente, a nova geração da modalidade. Ver uma raia tão forte e meninas trocando experiências é muito importante para a vela feminina brasileira - disse Marco Aurélio de Sá Ribeiro, presidente da CBVela.

Além das atletas juvenis como Melissa Paradeda, filha de Xandi Paradeda, o evento conta com velejadoras experientes e consagradas na modalidade como as campeãs mundiais de 420 Isabel Ficker e Laura Zanni, Andrea Grael, mãe de Martine e Marco, Adriana Kostiw, Cacau Swan e Mônica Scheel, representantes do Brasil em Barcelona 92.

- De Barcelona em 1992 para cá tudo ficou muito mais profissional na vela, a turma está treinando mais e com mais recursos. Antes era bem amadora, nem técnicos a gente tinha acompanhado. A vela feminina cresceu muito, é muito legal ver tanta mulher reunida. Graças a Deus a mulherada apesar de ter filhos e tudo mais voltaram à vela e continuam até hoje - reforçou Monica Scheel.

As regatas finais do Mundial de Snipe Feminino estão marcadas para 12h deste sábado (9). Serão premiadas as campeãs junior e máster do evento.

Top 10 do Mundial (6 regatas e 1 descarte)

1º - Juliana Duque/Mila Beckerath (YCB/MB) 6 pontos
2º - Andela Viturri/Maj Kristin Borgen (CRO/NOR) 18 pontos
3º - Martha Rocha/Larissa Juk (ICSC/MB) 19 pontos
4º - Mariela Salermo/Florencia Buiatti (YCA/YCR) 31 pontos
5º - Marina Roma Fonte/Alexia Buck (CIC/YCSA) 33 pontos
6º - Odile Ginald/ Adhara Ginald (ICES/MB) 33 pontos pontos
7º - Kathleen Tocke/Jessica Claflin (EUA) 34 pontos
8º - Anna Julia Tenório/Débora Bergamini (EVI) 37 pontos
9º - Gabriela Kidd/Marina Issler (ICRJ/MB) 42 pontos
10º - Isabel Ficker/Laura Zanni (YCSA) 43 pontos

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos