Brasil vence quase tudo e é favorito no surfe em Tóquio

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Time Brasil vence título inédito dos Jogos Mundiais (ISA/Ben Reed)
Time Brasil vence título inédito dos Jogos Mundiais (ISA/Ben Reed)


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Por Emanoel Araújo

O termo “condições épicas” no surfe sempre é atrelado a um dia com ondas perfeitas. A última semana provou que, no esporte olímpico, o termo é usado no sentido original. A definição no dicionário se refere a uma sucessão de eventos extraordinário vividos por um herói. Essa é a palavra para definir o trabalho realizado pelo Time Brasil em Miyazaki, no Japão.

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Personificado na incrível conquista de Italo Ferreira, que saiu de um assalto em Los Angeles para uma nota 10 na final do evento, o surfe brasileiro fez bonito lá fora. Entre homens e mulheres de 55 países, somos os únicos que ocuparam três vagas no pódio entre as seis disponíveis.

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:: RESULTADO FINAL

Com tamanha superioridade, o Time Brasil venceu, pela primeira vez em 19 anos, os Jogos Mundiais de Surfe. Os Estados Unidos ficaram em segundo e o Japão em 3º. Neste ano, os Jogos Mundiais definiram vagas olímpicas para quatro continentes: África, Ásia, Europa e Oceania. O Brasil não garantiu as vagas olímpicas no Pan de Lima, mas parte como franco favorito para disputar doze vagas (4 homens, 8 mulheres) nos Jogos Mundiais de Surfe 2020.

Torcida para Italo: epopeia para chegar no Japão e à final (ISA/Jimenez)
Torcida para Italo: epopeia para chegar no Japão e à final (ISA/Jimenez)


Com participação de 240 atletas de todas as partes do mundo, os resultados alcançados pelo Brasil nos colocam, oficialmente como potência mundial no esporte. Baseado na primeira participação efetiva do país em 19 anos, o Brasil demonstrou ter condições de realizar não uma, mas duas dobradinhas nos pódios olímpicos do surfe, em 2020.

Entre os garantidos para os Olimpíadas de Tóquio está o português Frederico Morais (WCT 2018) e outros sete surfistas:

Homem:
Shun Murakami (JPN)
Ramzi Boukhiam (MAR)
Billy Stairmand (NZL)
Frederico Morais (POR)

Mulheres:
Shino Matsuda (JPN)
Anat Lelior (ISR)
Bianca Buitendag (AFS)
Ella Williams (NZL)

:: SE TEM PÓDIO, TEM BRASIL

Os bons resultados começaram a aparecer na terça-feira (10/09). A estreia da brasileira- havaiana Tatiana Weston-Webb defendendo as cores do nosso país foi positiva. Ela só parou na semifinal, ficando entre as oito melhores do mundo. Enquanto Silvana Lima, já experiente em Jogos Mundiais, conquistou a primeira medalha do Brasil na categoria.


Entre os homens, ass expectativas eram enormes - antes mesmo dos integrantes da Brazilian Storm caírem na água. E aqui, é que a palavra épica se personifica na figura de Italo Ferreira que saiu de um roubo de passaporte em Los Angeles para a consagração nas areias de Miyazaki – com direito a única nota 10 dos Jogos Mundiais na final.

Italo Ferreira completa o aéreo: única nota 10 dos Jogos (ISA/Jimenez)
Italo Ferreira completa o aéreo: única nota 10 dos Jogos (ISA/Jimenez)


Em sua estreia nos Jogos, Italo precisou virar uma bateria com apenas oito minutos dentro da água. Se isso já parecia impossível, o segundo desafio parecia maior e ele falhou. Em uma super bateria que reuniu Gabriel Medina, Kelly Slater, e Kolohe Andino, o potiguar ficou em último e foi para a repescagem. Na última tentativa de chegar a final da competição, ele reencontrou Kelly Slater e, dessa vez, ele venceu a bateria.

Um mar mexido com ondas de até um metro, mas com muita dificuldade de manobrar. Foram nessas condições que Italo fez o épico: abriu a contagem com 7,67 e, logo depois, faz o improvável. Uma rampa abre para a direita. Ele encontra espaço para decolar, dá uma volta completa no ar e ‘pousa’ em outra sessão da onda. Com as costas na parede, ele se equilibra até ser jogado pra frente na junção. Veja (minutagem 1’40”):

“Eu estou tão cansado, tive muitas baterias e também muitos momentos emocionantes. Aqui, eu só tentei mostrar o melhor surfe.”, Italo Ferreira – campeão dos Jogos Mundiais 2019

O outro brasileiro na final, Gabriel Medina seguiu com um surfe consistente e chegou invicto à decisão. No entanto, Kolohe Andino garantiu a segunda melhor nota do campeonato (9.43) e deixou o bicampeão mundial com o bronze.

:: LESÃO - FILIPE TOLEDO

Filipe Toledo sente quadril e abandona competição (ISA/Evans)
Filipe Toledo sente quadril e abandona competição (ISA/Evans)


Filipe Toledo perdeu o round 5 para o vice-campeão Kolohe Andino, mas venceu a nona repescagem. Ele decidiria uma vaga na semifinais na próxima bateria, mas o ubatubense reclamou de incômodo no quadril e foi orientado pelo médico da delegação brasileira a não surfar. Filipinho já voltou para sua casa, na Califórnia e passa por sessões de quiropraxia. Líder do circuito mundial, ele tem poucos dias para se recuperar até a próxima etapa.

O Yahoo Esportes aguarda os próximos Jogos Mundiais de Surfe 2020 para fechar conhecer os donos das 30 vagas olímpicas restantes. Agora, nossas atenções voltam ao “tour dos sonhos”. Saímos da costa japonesa, rumo ao interior da Califórnia. Leemore abriga a oitava etapa do Mundial de Surfe.


Os 32 atletas da elite do esporte acirram a corrida pelo título mundial. Toledo é o líder, Gabriel é Medina é o quarto colocado e, após a última semana, não é de se duvidar que Italo Ferreira corre por fora. Como você leu até aqui, fazer o impossível é com ele mesmo.

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