Brasil tem mais mulheres que homens classificados para Tóquio-2020

DANIEL E. DE CASTRO
Folhapress
Ana Marcela Cunha é um dos principais nomes já garantidos na delegação brasileira (Chung Sung-Jun/Getty Images)
Ana Marcela Cunha é um dos principais nomes já garantidos na delegação brasileira (Chung Sung-Jun/Getty Images)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O esporte brasileiro inicia o ano olímpico de 2020 com 152 vagas confirmadas nos Jogos de Tóquio, que serão realizados de 24 de julho a 9 de agosto.

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A novidade entre os classificados é que até agora a presença de mulheres supera a de homens (80 a 65, mais 7 vagas do hipismo, que tem disputa mista). Nunca o total de brasileiras foi maior que o de brasileiros entre os enviados do país a uma Olimpíada.

A participação feminina em geral foi crescendo de forma lenta na história dos Jogos Olímpicos. Na primeira edição da era moderna do evento, em 1896, as mulheres foram inclusive proibidas de competir, como acontecia na Grécia Antiga.

O objetivo do Comitê Olímpico Internacional (COI) é futuramente chegar à completa equidade de gênero entre os atletas, e para isso tem aumentado o número de provas femininas e diminuído o de masculinas em alguns esportes --canoagem e boxe são exemplos. No Rio, as mulheres representaram 45% dos atletas (5.176 em 11.444).

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Na delegação brasileira para os Jogos de Tóquio, a vantagem até agora se deve aos esportes coletivos. Isso porque as seleções femininas de rúgbi, handebol e futebol estão garantidas.

Em contrapartida, a equipe masculina de rúgbi do país não irá ao evento, a de handebol tem chances pequenas após ser derrotada nos Jogos Pan-Americanos de 2019, enquanto a de futebol (sub-23) ainda disputará seu torneio pré-olímpico na Colômbia, com início no dia 18 de janeiro.

No caso dos times de basquete, ambos os gêneros disputarão vagas nos próximos meses. Em fevereiro, a seleção feminina participará de competição na França, em que uma vitória praticamente já a garantirá na Olimpíada. Já os homens terão tarefa mais complicada: superar cinco rivais em junho, na Croácia.

No vôlei, tanto os comandados de Renan Dal Zotto quanto as comandadas de José Roberto Guimarães estão confirmados.

O diretor de esportes do COB, Jorge Bichara, afirma que a inclusão recente de mais eventos para mulheres representa uma boa oportunidade para quem investir na formação dessas atletas.

"Quando você abre mais provas no mundo olímpico, abre mais oportunidades. Eu vejo esse cenário com bons olhos, até porque o espaço para evolução técnica e competitiva é maior no feminino do que no masculino atualmente. Temos potencial de resultados e bons valores dentro desse perfil", afirma.

A expectativa do Comitê Olímpico do Brasil (COB) é, em Tóquio, se aproximar, e quem sabe superar, as 277 vagas obtidas nos Jogos de Pequim-2008.

Essa foi a maior delegação brasileira numa edição do evento realizada fora do país. No Rio de Janeiro, em 2016, o número de representantes chegou a 465. Isso porque em muitos esportes países sedes tem direito a vagas independentemente de índices e resultados em seletivas.

Nos próximos meses, além dos eventos já citados que valerão vaga em Tóquio, o número de brasileiros aumentará com a confirmação dos classificados para provas individuais na natação, cuja seletiva será realizada em abril, no Rio de Janeiro.

A novidade deste ciclo, repetindo o que acontece nas potências do esporte, é que apenas o tempo obtido pelos atletas nas finais do Troféu Brasil contarão para a qualificação.

"A seletiva única cria uma apreensão, porque você tem que estar bem naquele dia, naquele momento. Consideramos correto esse processo seletivo, mas ele não permite falhas, erros ou um dia ruim", diz Bichara.

No atletismo, mais atletas devem conquistar índices nos próximos meses, e no judô a tendência é que o país garanta representantes nas 14 categorias (7 masculinas e 7 femininas). O ranking da federação internacional fecha em maio.

Segundo o diretor, o olhar do comitê está voltado principalmente para os pesos-pesados, com chance de disputa interna pelas vagas entre Rafael Silva e David Moura, oitavo e décimo colocados no ranking, e Maria Suelen Altheman e Beatriz Souza, quarta e sétima.

Apesar de a Olimpíada começar no dia 24 de julho, a primeira equipe do país fincará a bandeira brasileira em território japonês já no dia 10, para aclimatação. A entrada na Vila Olímpica está prevista para o dia 14. Campings internacionais de diversas modalidades também serão realizados pelo mundo nos próximos meses.

"Só tem mais um período competitivo, quando abrirmos o olho vai estar em março e depois já na hora de embarcar. Todos os talentos estarão nos Jogos Olímpicos, mas quem se preparar com menos erro e mais fome vai ter mais chance de alcançar finais e chegar a medalhas", afirma Bichara.

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