Brasil tem maior média móvel de mortes por Covid dos países-sede da F1

LUCIANO TRINDADE
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A uma semana da realização do GP do Bahrein, no próximo dia 28, que marca a abertura da temporada 2021 da F1, os 22 países que sediarão as corridas apresentam diferentes cenários no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus. O mais grave é o do Brasil. O país registrou na última quinta (18) média móvel de 2.096 óbitos nos últimos sete dias. No mundo, o número total neste período foi de 8.624 mortes. Ou seja, o Brasil corresponde a 23% das vítimas fatais por Covid-19 no planeta, embora tenha somente 2,7% da população mundial. De cada quatro pessoas que morreram em decorrência da doença no mundo, nesta semana, uma estava no Brasil. O país chegou na última quinta a um total de 287.795 mortes, somente atrás dos EUA, com 539.320. Nação com 39 mil habitantes, Mônaco é atualmente o local com menos mortes no geral: 27. Entre os países-sede da categoria, a Austrália apresentou no mesmo período a melhor média móvel dos últimos sete dias, sem registro de mortes. Os dados do mundo são contabilizados pela Universidade Johns Hopkins (EUA). Com 11.787.600 casos da doença registrados no território brasileiro, o país também é o segundo com mais infectados, atrás apenas dos Estados Unidos, que registraram mais de 29,6 milhões no total. Novamente Mônaco tem o menor número, com cerca de 2 mil casos. De acordo com o calendário da F1, as corridas no Brasil e nos EUA estão previstas para a parte final desta temporada, com a prova no circuito de Austin marcada para 24 de outubro e a etapa em São Paulo para o dia 7 de novembro. Em 2020, os dois países, assim como Austrália, Vietnã, China, Holanda, Mônaco, França, Japão, México, Azerbaijão, Canadá e Singapura acabaram excluídos do Mundial devido à pandemia. Para cumprir 17 etapas, alguns países sediaram duas provas. Foi assim na Áustria, no Reino Unido e no Bahrein. Neste ano, a categoria prevê ao todo 23 grandes prêmios e somente a Itália será visitada duas vezes, uma no dia 18 de abril, corrida batizada de GP Emília-Romanha, e outra no dia 12 de setembro, o GP de Monza. A Liberty Media, grupo americano que controla a F1, não descarta novas mudanças na programação. Isso já ocorreu na pré-temporada, transferida da Austrália para o Bahrein em razão das restrições do governo australiano para conter a disseminação da Covid-19. Embora tenha tido a sua etapa adiada para a parte final da temporada, no dia 21 de novembro, a Austrália é o segundo país entre os 22 que receberão a categoria com menos casos de contaminação (cerca de 29 mil), além de ser o quarto com menos mortes no geral, 909. O que obrigou a transferência no calendário foi justamente a rigidez do governo australiano para conter a pandemia, uma vez que exige uma quarentena de 14 dias para todos que chegam ao país, o que teria um impacto na sequência da temporada da F1. Os diferentes cenários encontrados nos países-sede serão analisados pela Liberty para definir junto aos governos locais a possibilidade das corridas terem ou não público. "Tudo dependerá de cada território. Olhe para o Reino Unido, estamos em um ponto mais positivo, com o governo fazendo um ótimo trabalho com a vacinação", afirmou a diretora global de promoção de corridas da F1, Chloe Targett-Adams. No Brasil, os promotores do GP São Paulo trabalham com a possibilidade de não poder ter público na etapa. Atualmente, a cidade está na fase emergencial do plano para conter o avanço da pandemia. O conjunto de medidas, adotadas na última segunda (15) -e válidas por ao menos 15 dias- é o mais restritivo desde o início da crise. Nesse período haverá toque de recolher das 20h às 5h, quando as pessoas devem evitar sair de suas casas. Aulas estão suspensas, praias e parques estão fechados, assim como partidas de futebol foram adiadas. As cerimônias religiosas estão proibidas e o teletrabalho (home office) é obrigatório para todos os serviços não essenciais. Palco da abertura da temporada, o Bahrein só vai comercializar ingressos da corrida para pessoas que comprovarem ter recebido as duas doses da vacina contra a Covid-19, pelo menos duas semanas antes da realização do GP, ou que se recuperaram da doença. O país tinha uma taxa de 351,1 pessoas vacinadas por mil habitantes até quinta, quase seis vezes o número que o Brasil registrou, com 59,6 vacinados por mil habitantes. Os Emirados Árabes apresentaram o maior índice, com 690,6, enquanto a menor taxa é observada no Japão, com 3,5. Além das restrições ao público, o trabalho das equipes de F1 teve de ser adaptado. Sete das dez escuderias têm sede na Inglaterra, onde apenas os funcionários que fabricam as peças e montam os carros podem ir às fábricas. Os demais, trabalham de casa. "Nós temos testado semanalmente todo mundo que vai trabalhar na fábrica e temos muitas restrições na maneira como estamos trabalhando", afirmou o chefe da Williams, Simon Roberts. Estreante na temporada, o alemão Mick Schumacher, filho do heptacampeão Michael, ficou uma semana de quarentena em janeiro, quando viajou da Suíça, onde mora, para a Inglaterra, local da fábrica da Haas, para poder fazer o molde do assento do carro. No período, não pôde sair nem para fazer treinos físicos. "Não sei o que vai acontecer com a pandemia, ninguém tem essa resposta. Mas minha impressão é de que está tudo muito mais restrito para viajar de um lugar a outro", disse o chefe da Haas, Guenther Steiner. A F1 tem adotado medidas rígidas no paddock, com redução no número de trabalhadores das equipes e profissionais de imprensa. A intenção é evitar o que ocorreu no GP de Sakhir, o penúltimo da temporada passada, quando o inglês Lewis Hamilton acabou vetado da corrida depois de contrair o vírus. Além do heptacampeão, Sergio Perez e Lance Stroll receberam diagnóstico de Covid-19. Ao longo de 2020, a categoria afirma ter feito mais de 76 mil testes e apenas 78 deram positivo para o novo coronavírus. "Desses 78 que foram positivos, diversos deles eram funcionários locais. Acho que o pior surto que nós tivemos foi com um tradutor em um dos países", disse Ross Brawn, diretor esportivo da F1. "Vamos seguir assim e aprender com o que tivemos no ano passado." * ​CONFIRA O CALENDÁRIO DA TEMPORADA DA F1 GP do Bahrein - 28 de março GP de Emilia-Romagna - 18 de abril GP de Portugal - 2 de maio GP da Espanha - 9 de maio GP de Mônaco - 23 de maio GP do Azerbaijão - 6 de junho GP do Canadá - 13 de junho GP da França - 25 de junho GP da Áustria - 4 de julho GP da Grã Bretanha - 18 de julho GP da Hungria - 1 de agosto GP da Bélgica - 29 de agosto GP da Holanda - 5 de setembro GP de Monza - 12 de setembro GP da Rússia - 26 de setembro GP de Singapura - 3 de outubro GP do Japão - 10 outubro GP dos EUA - 24 de outubro GP do México - 31 de outubro GP de São Paulo - 7 de novembro GP da Austrália - 21 de novembro GP da Arábia Saudita - 5 de dezembro GP de Abu Dhabi - 12 de dezembro