Brasil 1 x 0 Peru - a lógica

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Brasil finalista FOTO Buda Mendes/Getty Images

Um ótimo primeiro tempo do Brasil na semifinal da Copa América. Jogando em casa, no gramado ainda ruim do Nilton Santos, e contra a seleção lanterna das eliminatórias para 2022. Na segunda etapa, com a vantagem de 1 x 0 no belo gol de Paquetá, a Seleção deu a bola, o campo, espaço e o sufoco dos peruanos contra os brasileiros. Foi muito pouco. Mas uma vez mais suficiente para a Seleção de Tite chegar à decisão da Copa América. Chegando à impressionante marca de 41 jogos sem sofrer gol nas 60 partidas de Tite em 5 anos.

Apenas uma derrota em um jogo oficial. Justo aquele que não podia contra a Bélgica na Rússia, em 2018. 

Aqui nos trópicos, a seleção segue praticamente imbatível. Parecendo o time do terceiro do médio contra a quinta série. Não só pela solidez defensiva, não apenas pelo talento de Neymar, não só pelas variantes táticas de um ótimo trabalho de Tite. Também pela fragilidade dos rivais. Se o treinador e seu time não merecem tanto mau humor e críticas pelo que têm treinado e jogado, não há como negar que o nível dos adversários continentais é um dos mais baixos da história.

Para não dizer que é o pior momento do futebol de seleções na América do Sul.

Isso por que ainda estão em campo Messi, Neymar, Suárez, Agüero, Cavani, Di Maria, Arrascaeta e boa companhia. Mas as várias companhias limitadas mesmo na Seleção brasileira deixam o futebol paupérrimo. Com pouca intensidade, com pouca técnica, com pouca ousadia, com pouca emoção, o contraste com a Eurocopa é brutal. E não se pode dizer que é pela questão econômica que leva quase todos para a Europa. São seleções nacionais. Não são os clubes multinacionais e multi endinheirados. O buraco é mais embaixo do que as crateras do estádio Nilton Santos. A Seleção brasileira ainda não pode ser devidamente cobrada, testada, exigida. Faltam rivais à altura.

Mas Tite segue fazendo um trabalho muito bom. A parceria entre Neymar e Paquetá se vê a boas partidas vistas. Se Richarlyson por dentro ou pela esquerda não é um primor, também não compromete - diferentemente de Everton que teve pálida partida pelo lado esquerdo. Paquetá com liberdade para rodar pela armação e o ataque com Neymar foi mais uma achado de Tite. A liberdade concedida para Renan Lodi ser praticamente um ponta na esquerda não se viu na prática. Mesmo com Fred mais uma vez sustentando bem o meio-campo pela esquerda. E até liberando o excelente Casemiro para chegar à frente.

Mas ainda faltou mais de Danilo, ainda que a função dele seja mais de construção por dentro, e de eventual apoio na saída de bola com os monstros Marquinhos e Thiago Silva.

Existem alternativas táticas no trabalho de tite. Mas tem faltado alternativas técnicas.

Esse é o maior desafio do treinador da seleção. Seja ele quem for. E, definitivamente Tite não é um treinador qualquer. Ainda é o melhor técnico para a seleção do Brasil. Para mandar para o Catar uma equipe competitiva. Mas ainda longe de ser uma seleção brasileira em Copa do Mundo. Isto é, uma seleção que chega como favorita.

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