Brasil perde cerca de 2 a cada 3 leitos de UTI criados na pandemia; secretários da Saúde tentam segurá-los para cobrir déficit

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Foto: Bruno Rocha/Fotoarena/Sipa USA via AP Images
Foto: Bruno Rocha/Fotoarena/Sipa USA via AP Images

O Brasil está fechando boa parte dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) abertos desde o início da pandemia do coronavírus. Dos 14.843 leitos de UTI adultos e 249 pediátricos habilitados pelo Ministério da Saúde desde abril, resta pouco mais de um terço—5.233 de adultos e seis pediátricos, segundo a pasta.

De acordo com matéria publicada na terça-feira (27) pelo jornal Folha de S. Paulo, diante disso, cresce um movimento de secretários de Saúde de diversas localidades que pedem que parte dessas vagas seja mantida em definitivo à rede pública para cobrir o déficit anterior.

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O déficit anterior ter números tão elevados que, para se ter ideia, o total de leitos restantes - mesmo com o fechamento de pouco menos de dois terços - ainda seria um incremento significativo à rede pública no pré-pandemia.

Isso porque em janeiro de 2020, o SUS tinha um total de 22.841 leitos de UTI. Já o setor privado, que atende 22% da população, contava 22.586, segundo dados do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Segundo o jornal, secretários estaduais e municipais tentam agora convencer o ministério da Saúde a manter pelo menos 5.000 leitos de UTI nas regiões onde sempre houve falta desse serviço No Amapá, por exemplo, a proporção de leitos de UTI do SUS por 10 mil habitantes é de 0,5, enquanto em São Paulo, de 1,9.

Uma das justificativas por parte dos secretários que pedem incorporação dos leitos ao sistema, seria a possibilidade de uma nova onda de casos, assim como acontece na Europa, que registra hospitais lotados novamente.

Outra justificativa, segundo reportagem, é que começa a chegar ao SUS a demanda de pacientes de outras doenças, que não procuraram assistência no período de distanciamento social.

Segundo dados preliminares das secretarias estaduais de saúde, publicados pela matéria, nem 10% das cerca de 500 mil cirurgias eletivas que são feitas anualmente na rede pública foram realizadas neste ano. A previsão é que em 2021 haja uma grande sobrecarga do sistema, o que, por si só, já justificaria manter parte dos leitos emergenciais.

O Ministério da Saúde afirma que, sob a emergência pública em decorrência da Covid-19, o foco será a continuidade de habilitações de leitos de UTI exclusivos para o tratamento de pacientes com a doença (ela dura 90 dias e pode ser prorrogada por 30). Até agora, informa ter gasto R$ 2,1 bilhões com isso.

A pasta, no entanto, não respondeu ao questionamento de quantos leitos hoje exclusivos para Covid-19 poderiam ser incorporados ao SUS para tratamento de outras doenças.