Brasil nas Paraolimpíadas: veja atletas, provas e esportes para acompanhar

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***ARQUIVO***BRAGANÇA PAULISTA, SP, 23.02.2021 - O nadador Daniel Dias, que é o maior paratleta da história do Brasil, anuncia sua aposentadoria após os Jogos Paraolímpicos de Tóquio. (Foto: Bruno Santos/Folhapress) ORG XMIT: AGEN2102231453880969
***ARQUIVO***BRAGANÇA PAULISTA, SP, 23.02.2021 - O nadador Daniel Dias, que é o maior paratleta da história do Brasil, anuncia sua aposentadoria após os Jogos Paraolímpicos de Tóquio. (Foto: Bruno Santos/Folhapress) ORG XMIT: AGEN2102231453880969

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Quem vibrou com o recorde de 21 medalhas do Brasil nas Olimpíadas de Tóquio poderá comemorar um número bem maior delas nas Paraolimpíadas, que começam nesta terça-feira (24).

A expectativa é que os atletas do país subam ao pódio nos 12 dias com disputas, até 5 de setembro.

O SporTV e a TV Brasil prometem transmitir vários eventos. A Globo passará as semifinais e a final do futebol de 5, se houver presença brasileira.

Os Jogos no Japão terão 540 eventos com distribuição de medalhas, bem acima dos 339 das Olimpíadas. Isso mesmo com um número bem inferior de atletas em ação: 4.400 são esperados agora, contra mais de 11 mil nas Olimpíadas.

O que garante o grande volume de pódios das Paraolimpíadas é o número de classes criadas para contemplar a participação de pessoas com diferentes tipos de deficiência. Só no atletismo serão 168 medalhas de ouro em jogo.

Em 2016, no Rio, o Brasil bateu seu recorde de medalhas, com 72 (14 ouros, 29 pratas e 29 bronzes), na oitava posição do quadro geral. Devido ao número de ouros (21), a campanha de Londres-2012 permitiu uma colocação ainda melhor (sétimo), mesmo com um total de medalhas inferior: 43.

Agora, o único objetivo traçado oficialmente pelo CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro) é permanecer entre os dez primeiros.

Veja algumas das principais apostas da delegação brasileira e grandes histórias de atletas do país para acompanhar nas próximas semanas.

A despedida de Daniel Dias...

Maior atleta paraolímpico do Brasil, com 24 medalhas conquistadas em três edições dos Jogos, 14 delas de ouro, o nadador paulista vai se aposentar das piscinas após Tóquio.

Aos 33 anos, desta vez Daniel Dias terá uma concorrência mais acirrada para defender seus feitos. Não por queda do próprio desempenho, mas porque alguns rivais que competiam numa classe para pessoas com menor comprometimento motor foram reclassificados e agora disputam junto com ele.

O atleta, que nasceu com má-formação dos membros superiores e na perna direita, deverá marcar presença em cinco provas da categoria S5.

A primeira será os 200 m livre, com a final às 7h52 de quarta-feira (25). Seu último ato, nos 50 m livre, está programado para as 7h29 do dia 1º de setembro.

...E o surgimento de novas estrelas na natação

Alguns atletas que farão sua estreia em Jogos Paraolímpicos no Japão também podem sair da competição como os novos grandes nomes da natação brasileira. A pernambucana Carol Santiago, 36, migrou do esporte convencional para o adaptado em 2018. No ano seguinte, já foi campeã mundial. Ela compete na categoria S12 (baixa visão) e terá três provas para disputar em Tóquio.

Gabriel Bandeira, 21, é um fenômeno ainda mais recente do esporte paraolímpico. O paulista, que competia na natação convencional desde os 11 anos, teve uma deficiência intelectual constatada e migrou para o paradesporto no começo de 2020. Em junho, disputou o Campeonato Europeu, em Portugal, sua primeira competição internacional, e venceu seis provas com recordes continentais. Agora, ele terá seis chances de medalha em Tóquio.

Petrúcio entra em ação para defender suas marcas

O paraibano Petrúcio Ferreira, 24, é o atleta paraolímpico mais rápido do mundo. Sua marca de 10s42 nos 100 m rasos registrada no Mundial de Dubai, em 2019, é até hoje a melhor da história. Em junho, ele ficou a três centésimos dela, ao alcançar 10s45 na seletiva para Tóquio.

Nascido em São José do Brejo do Cruz, o velocista sofreu um acidente com uma máquina de moer capim aos dois anos de idade e perdeu parte do braço esquerdo.

A defesa de sua medalha de ouro olímpica nos 100 m da classe T47 (para deficiência nos membros superiores) ocorrerá na sexta-feira (27). A final da prova está marcada para as 7h33.

No último Mundial, o Brasil dominou o pódio. Washington Júnior levou a prata, e Yohansson Nascimento, hoje vice-presidente do CPB, o bronze.

A final dos 400 m, distância em que Petrúcio conquistou a prata no Rio-2016 e venceu no último Mundial, será no dia 4 de setembro, às 9h01.

Chance de pódio triplo

Outra prova de velocidade em que o Brasil deverá ter bastante destaque é a dos 100 m feminino da categoria T11 (para cegos). A acriana Jerusa Geber, 39, é a atual campeã mundial e recordista. A potiguar Thalita Simplício, 24, e a paranaense Lorena Spoladore, 25, também têm ótimos currículos e estarão na cola brigando pelo pódio. A final será no dia 31 de agosto, às 8h02.

Tenório, 50, busca novo feito após vencer Covid-19

Tetracampeão paraolímpico e dono de seis medalhas nos Jogos, o judoca Antônio Tenório busca mais uma conquista aos 50 anos.

Desta vez, porém, seu grande feito já é estar no Japão após passar por um quadro grave de Covid-19 em abril. Ele ficou internado por duas semanas na UTI, com 80% dos pulmões comprometidos.

"A sensação é a de ter nascido novamente, a de ter ganhado vários Jogos Paraolímpicos contra a Covid-19", afirmou ao receber alta.

Tenório perdeu a visão do olho esquerdo aos 13 anos de idade, após um descolamento de retina numa brincadeira com amigos. Uma infecção no olho direito seis anos mais tarde o deixou completamente cego.

Sua categoria, até 100 kg, será disputada no último dia de competições do judô, no domingo (29). As disputas por medalha começam às 4h30.

Outro nome de destaque, a paulista Alana Maldonado, 26, busca seu primeiro ouro nos Jogos após ficar com a prata em 2016. A campeã mundial compete no mesmo dia de Tenório, na categoria até 70 kg.

O país do futebol (de 5)

Desde que o esporte para cegos estreou nos Jogos Paraolímpicos, em Atenas-2004, a seleção brasileira masculina (não há disputa feminina) venceu todas as edições. Argentina (superada nos pênaltis), China, França e Irã foram os vice-campeões.

Em Tóquio, os brasileiros terão pela frente chineses, franceses e japoneses na fase de grupos. Argentinos e espanhóis são as principais forças da outra chave, que também tem Marrocos e Tailândia.

Na primeira fase, os jogos serão nas noites dos dias 28, 29 e 30 de agosto, às 23h30. As semifinais estão marcadas para as 4h30 e 7h30 do dia 2 de setembro, e a final, para as 5h30 do dia 4.

Ricardinho, 32, e Jefinho, 31, são tricampeões olímpicos e os principais destaques individuais da seleção brasileira.

Outro jeito de balançar as redes

O goalball é o único esporte do programa paraolímpico desenvolvido exclusivamente para pessoas com deficiência (no caso, visual), sem ser uma adaptação de uma modalidade convencional.

O objetivo é marcar gols arremessando uma bola para o outro lado da quadra, que tem as dimensões da de vôlei (9 m x 18 m). Três atletas de cada time atuam ao mesmo tempo como arremessadores e defensores. O arremesso deve ser rasteiro ou tocar pelo menos uma vez nas áreas obrigatórias antes de balançar as redes.

Brasileiros do goalball treinam para as Paraolimpíadas de Tóquio em Hamamatsu Takuma Matsushita - 14.ago.21/CPB Três jogadores no chão de um lado da quadra se movimentam para defender bola arremessada por três jogadores do outro lado; todos usam vendas **** Em busca de sua terceira medalha (após a prata em Londres e o bronze no Rio), a seleção masculina estreará contra a atual campeã olímpica, a Lituânia, naquela que é uma das maiores rivalidades do esporte. O jogo abrirá a programação de competições do país nos Jogos, às 21h de terça (24).

A seleção brasileira feminina, em busca do seu primeiro pódio, terá pela frente os Estados Unidos, às 8h30 de quarta (25).

As disputas de medalha serão no dia 3 de setembro.

Em busca de evolução no vôlei sentado

Voltado para pessoas com deficiência física e de locomoção, o esporte segue princípios semelhantes aos da versão convencional, mas com tamanho da quadra e altura da rede reduzidos. São seis jogadores em cada time, que precisam manter o contato com o solo (menos nos deslocamentos). O saque pode ser bloqueado.

O Brasil ainda busca se consolidar na elite, após fazer a sua estreia no esporte em Pequim-2008. A seleção feminina, medalhista de bronze em 2016, estreia às 6h30 de sexta (27) contra o Canadá. A seleção masculina inicia sua participação em busca de um pódio inédito às 6h30 de sábado (28), diante da China.

As disputas de medalha serão no dia 4 de setembro.

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