Brasil não avança em saneamento, mas 8 milhões ganham acesso à internet

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Brasil não avançou na oferta de serviços básicos à população, como educação, proteção social, moradia e saneamento básico em 2018. O cenário é uma das constatações da pesquisa Síntese de Indicadores Sociais, divulgada nesta quarta-feira pelo IBGE. O cenário de estagnação contrasta com o avanço do número de brasileiros com acesso à internet. Em um ano, o país ganhou 9 milhões de usuários.

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Segundo a pesquisa, a expansão se deu por meio do acesso a partir de outros equipamentos eletrônicos, como tablet, celular e televisão. A despeito da melhora, a possibilidade de conexão ainda é desigual no país. Enquanto 80% de todos os brasileiros afirmaram ter algum tipo de internet na sua residência, esse número é de 65,9% entre aqueles que estão abaixo da linha da pobreza.

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Além da desigualdade de acesso à internet, 27,6% dos brasileiros possuíam restrição de acesso à educação, 3,1% à proteção social (programas sociais e aposentadorias), 12,8% às condições de moradia, 37,2% aos serviços de saneamento básico. De acordo com o IBGE, seis em cada dez brasileiros viviam com alguma limitação desses atendimentos.

A pesquisa explica que esses índices nos auxiliam a entender a pobreza de uma forma mais ampla, pois engloba níveis de educação, alimentação e saúde abaixo dos padrões e direitos estabelecidos, falta de acesso a serviços básicos, ambiente pouco saudável, dentre outros aspectos que compõem a pobreza em suas variadas dimensões. Cerca de 22 milhões de pessoas (10,6% da população) eram atingidos pela pobreza dimensional, com a falta de ao menos três serviços básicos.

Assim como na renda, há desigualdade territorial no acesso aos serviços. Norte e Nordeste, onde estão localizadas as maiores parcelas da população na pobreza e na extrema pobreza, apresentaram taxas superiores às demais regiões. Cerca de 23,3% da população do Norte e 19,2% da população do Nordeste possuíam ao menos três das cinco restrições consideradas, percentuais superiores ao observado no Centro-Oeste (8,4%), Sul (7,4%) e Sudeste (4,0%).

Além das disparidades regionais, alguns grupos populacionais também são mais afetados que outros na análise de restrições. Homens e mulheres pretos ou pardos têm restrições em maior proporção, quando comparados a homens e mulheres brancos, para todas as dimensões analisadas.

No caso do saneamento básico, a distância é significativa. O percentual da população que se declara preta ou parda com restrição ao serviço era de 44,5%, ante 27,9% entre a população branca.

Piores condições para os pobres

As famílias que estão na linha da pobreza, abaixo da linha de US$ 5,5 por dia, vivem em piores condições, segundo dados da pesquisa. Os cerca de 52,5 milhões de brasileiros vivem em moradias precárias e têm menor acesso a bens.

60% das pessoas em situação de pobreza não têm acesso simultâneo a coleta de lixo, tratamento de esgoto e abastecimento de água, enquanto que para o total da população esse grupo chega a 37,2%.

O abastecimento de água chega à casa de 84,9% de toda a população, mas a apenas 69,9% do grupo que vive na pobreza, assim como a coleta de lixo chega ao lar de 90% do total de brasileiros e a apenas 72,7% das pessoas em situação de pobreza.

O instituto também identificou que 30% desse grupo vivia em lar com ao menos uma deficiência nas condições de moradia, como ausência de banheiro para uso exclusivo, paredes externas construídas com materiais não duráveis, adensamento de mais de três moradores por dormitório ou valor declarado do aluguel igual ou superior a 30% da renda da família. Com relação ao total da população, esse problema atinge somente 12%.

Da Agência EXTRA

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