Brasil luta até o final, mas se despede da Copa

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(Martin Rose/Getty Images)
(Martin Rose/Getty Images)

A seleção brasileira feminina está fora da Copa do Mundo. A equipe perdeu para a anfitriã França por 2 a 1 na tarde deste domingo, na prorrogação, e acabou eliminada do torneio mais uma vez nas oitavas de final — em 2015, o algoz foi a Austrália. Não faltou luta e entrega das jogadoras em campo, mas a falta de organização tática do time comandado por Vadão, aliado ao desgaste físico das atletas, acabou sendo o grande vilão brasileiro.

Diante de um rival franco favorito ao título, o Brasil se segurou bem no primeiro tempo e conseguiu neutralizar as jogadas de perigo da França. Com o meio-campo truncado, os primeiros lances de perigo foram nos chutes de fora da área. Marta bateu à esquerda do gol de Bouhaddi, e Henry devolveu por cima da meta de Bárbara.

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As francesas apostavam no lado direito do ataque, onde Tamires não conseguia parar Diani, para tentar a bola aérea, mas a goleira Bárbara conseguia se antecipar bem às jogadas. Formiga, como sempre, fez cortes certeiros com agilidade. No ataque, o Brasil apostava novamente nos lançamentos longos, mas a alta zagueira Renard não deixava a bola chegar para Cristiane, isolada na frente.

Aos 22 minutos, Diani ganhou de Tamires e cruzou para Gauvin, que se chocou com Bárbara antes de mandar para o gol. O VAR revisou o lance e marcou falta da atacante francesa na goleira, invalidando o tento. Sorte da goleira, que havia sido muito errado no lance.

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Debinha era quem mais desequilibrava para o Brasil. Com jogadas em velocidade pela esquerda, era ela quem conseguia mandar a bola para Cristiane cabecear na área, mas a camisa 11 parou mais de uma vez na goleira Bouhaddi.

O Brasil manteve o ritmo no segundo tempo, mas acabou sofrendo o gol na desatenção da defesa. Diani passou por Tamires mais uma vez e cruzou para Gauvin finalizar — desta vez, o gol foi legal.

O time verde e amarelo respondeu com Cristiane, que cabeceou uma bola de Marta no travessão. A França quase fez o segundo com Le Sommer. Até que a estrela de Debinha brilhou. Mais uma vez pela esquerda, ela cruzou para Thaísa, que bateu de canhota e marcou, mas a assistente invalidou. Em nova revisão do VAR, a árbitra voltou atrás: gol legal. Tudo igual em Le Havre.

O Brasil conseguiu se segurar nos últimos minutos do segundo tempo. Tamires fez um gol em posição de impedimento, e Debinha deixou Bia Zaneratto na cara do gol, mas a atacante não aproveitou. Marta abriu mão do protagonismo para ajudar na defesa — inclusive foi ela que apertou a saída das francesas no último lance do segundo tempo, esquema que sacrifica todo o poder ofensivo da camisa 10. E o jogo foi para a prorrogação.

Nos primeiros minutos, a seleção brasileira perdeu Cristiane por lesão na coxa esquerda. Ela saiu carregada de campo e cumpriu a promessa de dar tudo de si. Muito empurradas pela torcida, as francesas quase marcaram mais uma vez no escanteio. Antes do intervalo, Debinha perdeu a chance do jogo: foi lançada em velocidade, invadiu a área e tocou na saída de Bouhaddi, mas quando a bola ia cruzando a linha, Bathy conseguiu afastar.

Logo primeiro minuto do segundo tempo, a perigosa bola aérea francesa veio assombrar o Brasil com um sobrenome bem conhecido: Amandine Henry aproveitou cobrança de falta de Majri e bateu no contrapé de Bárbara.

Sem Cristiane, sem Formiga, o cansaço físico das jogadoras era evidente, e o time errava muitos passes. Não mostrou nenhum poder de reação. Diani continuou pressionando e quase marcou o segundo, mas ficou por isso mesmo. França avança e enfrentará nas quartas o vencedor do duelo entre Estados Unidos e Espanha.

Apesar da entrega, do talento e da raça das jogadoras brasileiras, fica evidente que Vadão não tem condições de continuar no comando da seleção feminina. O time que veio de nove derrotas seguidas na preparação cresceu porque as jogadoras se uniram e deram tudo de si, mas a desorganização tática, a falta de volume no meio de campo, os chutões que anulavam os contra-ataques brasileiros e a opção por um esquema em que Marta tenha que voltar para marcar em vez de apostar nos dribles e finalizações não pode continuar.

É preciso renovação, e já. Nenhum clube ou seleção de homens manteria um técnico que sofreu nove derrotas seguidas sem apresentar evolução, ideias novas, e que culpa as lesões e os detalhes pelos fracassos. Que a visibilidade inédita que a Copa do Mundo da França trouxe ao futebol feminino possa aumentar também a pressão nos membros da CBF. As jogadoras merecem respeito, merecem a melhor estrutura possível e um treinador mais preparado.

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