Brasil leva primeiro ouro na abertura do Mundial de Atletismo Paralímpico

Rayane Soares garantiu o primeiro ouro do Brasil (Foto: Ale Cabral/CPB)
Rayane Soares garantiu o primeiro ouro do Brasil (Foto: Ale Cabral/CPB)


A maranhense Rayane Soares conquistou o primeiro ouro do Brasil no Campeonato Mundial de atletismo paralímpico, em Dubai. Ela foi a mais rápida nos 400m da classe T13 (baixa visão). O evento começou nesta quinta-feira, com a participação de 43 atletas brasileiros entre os 1.400 inscritos de 120 países.

Rayane não foi a única brasileira a garantir medalha neste primeiro dia nos Emirados Árabes Unidos. No arremesso de peso da classe F11 (cegos), o paulista Alessandro Rodrigo foi bronze, com 13,99m.

Somente o Brasil e a Bulgária subiram ao pódio duas vezes na estreia do Mundial de Dubai. Os búlgaros, contudo, conquistaram dois ouros e lideram o quadro de medalhas, enquanto que o Brasil está em segundo, com o ouro de Rayane e o bronze de Alessandro.

Seis entre os dez brasileiros que competem nesta sexta-feira, 8, segundo dia de provas, batalham por medalha em finais. O SporTV 2 transmite ao vivo a partir das 11h (de Brasília).

O ouro de Rayane no início da noite de Dubai (tarde no Brasil), veio em um fim de prova eletrizante. Ela ultrapassou nos últimos 30 metros a ucraniana Leilla Adzhametova, que liderava até então, e cruzou a linha de chegada sem saber se havia sido a campeã.

- Não tinha visto as outras garotas quando cruzei a linha de chegada, percebi que ganhei o ouro quando ouvi a torcida lá na arquibancada, aí caiu a ficha. É muita felicidade e o que mais quero agora é contar para minha mãe e minhas irmãs que venci - relatou a brasileira, que chegou à final com o melhor tempo das eliminatórias (57s84) e reduziu em 54 centésimos a marca na prova em que faturou o ouro.

Adzhametova acabou superada pela portuguesa Carolina Duarte, que garantiu a prata com 57s46, e a ucraniana, o bronze (57s55).

A maranhense radicada em Brasília tem baixa visão devido a uma microftalmia bilateral congênita. Entrou no esporte em 2015, após começar a namorar um atleta, com quem se casou. Ao acompanhá-lo aos treinos, experimentou a modalidade. Há dois meses, nos Jogos Parapan-Americanos de Lima 2019, Rayane faturou a medalha de prata nos 100m.

Ela ainda correrá os 100m no domingo, 10, e dois dias depois, os 200m, para concluir a participação em seu Mundial de estreia.

- Os 400m são a prova mais difícil para mim, e graças a Deus fui campeã, agora vou me concentrar para as outras duas mais tranquila - comentou Rayane.

O paulista Alessandro Rodrigo faturou o bronze horas após a conquista de Rayane. O arremesso de peso da classe F11 é uma nova prova no programa dos Jogos Paralímpicos, e valerá medalha em Tóquio 2020. Alessandro chegou como o terceiro melhor do ranking mundial. Tinha 13,48m como melhor marca da vida e a meta era chegar aos 14m. Bateu na trave: após os seis arremessos, chegou a 13,99m e foi superado pelo croata Miljenko Vucic (14,42m) e pelo iraniano Mahdi Olad, líder do ranking mundial, que arremessou o peso a 14,44m.

- A meta era chegar perto dos 14 metros, a medalha seria consequência. Um centímetro não é nada, era só arrumar a trena lá”, disse em tom de brincadeira aos jornalistas na zona mista, após a prova. “Estou feliz pelo que alcancei aqui hoje (quinta-feira), eu continuo entre os três melhores do mundo, e o foco principal vai ser o disco, na quarta-feira - concluiu, referindo-se à principal prova, da qual é campeão mundial e paralímpico.























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