Brasil jogou quase 100 minutos a menos que a Croácia, adversária nas quartas de final

Brasil e Croácia chegarão às quartas de final da Copa do Mundo com ao menos um aspecto de desigualdade. Uma equipe mais descansada e mais jovem de um lado, contra um time mais rodado do outro. Isso pode ser um divisor de águas para os pentacampeões avançarem à semifinal, em que enfrentarão o vencedor da partida entre Argentina e Holanda.

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A diferença de minutos jogados entre as seleções chama a atenção. Com a Copa do Mundo na metade, somado o tempo em que entraram em campo os titulares, e dividido por 11, os brasileiros possuem em média 98 minutos a menos em campo que os croatas. Isso em um espaço de 18 dias, desde o início da competição, o que representa menos tempo para treinos e descanso dos croatas.

Esse desequilíbrio tem uma explicação: ao vencer suas duas primeiras partidas no Grupo G, o Brasil pôde enfrentar Camarões com uma formação totalmente reserva. Perdeu por 1 a 0, mas descansou titulares. Já os croatas tiveram de jogar as quatro partidas da Copa até agora com o que possuem de melhor.

Média de idade menor

Os croatas, já no primeiro jogo eliminatório no Catar, emplacaram, além dos 90 minutos regulamentares, mais 30 da prorrogação contra o Japão. Isso pode pesar nas quartas de final, sexta-feira, no Estádio Cidade da Educação.

Com mais tempo em campo, os titulares da Croácia ainda têm média de idade maior que a dos brasileiros. Considerando os dez jogadores de linha, o time ideal da equipe possui um veterano (Modric, aos 37 anos), sete jogadores entre 26 e 33 anos e apenas dois com 25 ou menos. Já no Brasil, a mesma divisão conta com Thiago Silva de veterano (38 anos), quatro entre 26 e 33 e cinco com 25 ou menos.

— Pudemos ver no gestual deles contra o Japão. Eles tiveram três jogos muito intensos, enquanto nós estávamos com menos 90 minutos nas pernas. Vimos a diferença— afirmou o zagueiro Thiago Silva. — Se era a melhor coisa a ser feita, poupar contra Camarões, acredito que sim. No decorrer da competição, veremos a diferença.

A preocupação com a dosagem da carga sobre os jogadores tem sido uma constante na comissão técnica da seleção. Em uma Copa diferente, ocorrendo no meio da temporada europeia, não houve necessidade de realizar trabalhos de condicionamento físico, uma espécie de pré-temporada, como normalmente acontece.

O trabalho tem priorizado a prevenção de lesões, um risco devido à intensidade dos jogos neste Mundial, e o espaço curto entre uma partida e outra no Catar.

Acostumada ao desgaste

Quem joga mais acumula mais quilômetros em campo. Brozovic percorreu quase o dobro da distância que Marquinhos, jogador brasileiro que mais se movimentou pelos gramados ao longo da Copa do Mundo. Neste sentido, pesa também o estilo de jogo de cada seleção. Quem joga em bloco, mais com a posse de bola, costuma se desgastar menos do que aqueles que precisam percorrer longas distâncias a cada contra-ataque, na tentativa de pegar a equipe adversária desprevenida.

Não é uma situação exatamente nova para a Croácia. Quatro anos atrás, a equipe superou o desgaste de prorrogações sucessivas e chegou à final contra a França. O enredo final, todo mundo sabe: lutou bravamente, mas não teve pernas e perdeu por 4 a 2.

— A França ganhou fazendo basicamente um jogo a menos, no somatório dos minutos, na Copa passada. Espero que isso aconteça também para o nosso lado — frisou Thiago Silva.

Contra a Croácia, a tendência é que Tite escale o mesmo time que goleou a Coreia do Sul. Alex Sandro correu no gramado ontem, mas tem poucas chances de estar à disposição na sexta-feira.