Brasil, duramente castigado pela covid, vai sediar a Copa América

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Jogadores da seleção brasileira celebram a conquista da Copa América em 2019

A menos de duas semanas para seu início, a Copa América 2021 será finalmente sediada pelo Brasil de 13 de junho e 10 de julho, depois que Argentina e Colômbia, os organizadores iniciais, foram descartadas.

"A Conmebol Copa América 2021 será disputada no Brasil! As datas de início e término do torneio estão confirmadas", escreveu a Conmebol em sua conta no Twitter.

A expectativa é que nas próximas horas a entidade que comanda o futebol na América do Sul anuncie os locais e datas do mais antigo torneio de seleções do mundo.

O Brasil, que sediou a última Copa América em 2019, era um dos países menos citados entre os candidatos para substituir Argentina e Colômbia, embora possua a melhor infraestrutura da região para receber a competição, por conta dos estádios modernos construídos para a Copa do Mundo de 2014.

No entanto, também é um dos países mais afetados pela pandemia no mundo, com 462 mil mortes, o segundo pior balanço global, enquanto ocupa o terceiro lugar no ranking de número de casos com mais de 16 milhões de infecções.

A Copa América havia sido adiada em 2020 devido ao surgimento da pandemia do coronavírus.

Ao defender a escolha da nova sede do torneio sul-americano, o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, disse que “o governo do Brasil demonstrou agilidade e capacidade de decisão em um momento fundamental para o futebol sul-americano”, segundo o site da entidade.

Segundo Domínguez, “o Brasil vive um momento de estabilidade, tem infraestrutura comprovada e recente experiência acumulada para organizar uma competição dessa magnitude”.

No domingo, a Conmebol decidiu que a Copa América não deveria ser disputada na Argentina devido ao crescimento das infecções de covid-19 e por conta das exigências do governo local para o cumprimento de um protocolo sanitário muito rígido.

Há 10 dias, também decidiu cancelar a realização do evento na Colômbia por conta dos distúrbios políticos que levaram a protestos violentos nas últimas semanas, nos quais morreram dezenas de pessoas, e pelo crescimento da pandemia no país. Esta seria a primeira edição deste campeonato a ser realizada em dois países simultaneamente.

Manifestantes colombianos foram às ruas para expressar sua insatisfação com a possibilidade de seu país organizar o evento, enquanto na Argentina uma pesquisa recente indicou que 70% de seus habitantes eram contra a realização da competição.

- Alerta epidemiológico -

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, disse nesta segunda-feira que pediu à Conmebol “tempo” para analisar a situação da saúde, mas que as “sedes do evento” no país estão “em alerta epidemiológico”.

O seu chefe de gabinete, Santiago Cafiero, explicou nesta segunda-feira que “com tantos casos não poderíamos realizar um evento com estas características”.

A Argentina registra quase 3,8 milhões de infecções com mais de 77.000 mortes, e nas últimas semanas registrou mais de 21.000 casos diários, uma situação de saúde que o governo considera a pior desde o início da pandemia. A taxa de mortalidade é de quase 500 por dia.

- Descontentameto -

A alarmante situação epidemiológica na América Latina também chamou a atenção dos jogadores, que se posicionaram contra o torneio pelo alto índice de infecções.

Luis Suárez e Édinson Cavani, os atacantes da seleção uruguaia que estão concentardos com a equipe em Montevidéu, no sábado expressaram que não eram a favor da realização da competição na Argentina.

“Estamos em uma situação difícil mundialmente, mas mais ainda na América do Sul nos últimos meses, e a Argentina é um dos países mais complicados. Por isso nos chama a atenção que a Copa América seja realizada em meio a este cenário, mas quando for confirmada devemos participar dela da melhor maneira possível e não pensar na pandemia ”, disse Suárez.

Já Cavani destacou que "os jogadores não têm voz nem voto, não temos peso em certas coisas".

“Hoje somos nós que temos que ir e colocar a cara para tentar dar alegria às pessoas que estão trancadas em suas casas. Há muitas atividades que não estão funcionando e aí estamos. Às vezes temos que analisar muitas outras coisas que também são importantes. Não podemos esquecer que isso é uma pandemia e tudo está ligado. Começa com coisas pequenas e termina com coisas sérias ”, comentou o atacante do Manchester United.

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