Brasil dá recado contrário ao do governo Bolsonaro na abertura da Olimpíada

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A decisão do Comitê Olímpico do Brasil (COB) de só levar os porta-bandeiras do Time Brasil para a cerimônia de abertura da Olimpíada de Tóquio foi acertada do ponto de vista epidemiológico e elogiável pela mensagem que passa ao país. Numa pandemia marcada pelo negacionismo do próprio governo, que recusou vacinas e não produziu uma ampla campanha de informação das medidas sanitárias, como o uso correto de máscaras, ver apenas Bruninho e Ketleyn Quadros de Pff2 (o equipamento de proteção mais recomendado pelos especialistas) é um recado e tanto.

Representa a preocupação do COB com a pandemia. A entidade conseguiu vacinar, com doses doadas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), mais de 85% da delegação brasileira, e montou um protocolo, com a ajuda da Fiocruz, para reduzir ao máximo os riscos de contaminação nos Jogos. Um teste positivo para Covid-19 agora significa, praticamente, o fim do sonho olímpico. Pelas regras, o atleta contaminado fica afastado por até 10 dias.

Por isso, veio a decisão tomada só na quinta-feira de não levar nenhum atleta a não ser quem carregaria a bandeira brasileira. Apesar de o Estádio Olímpico ser um local aberto e a entrada de atletas respeitar o distanciamento social entre as delegações, há sempre o risco. Ainda mais numa edição que já viu alguns competidores fora dos Jogos por causa da contaminação pelo coronavírus já em solo japonês ou antes da viagem.

Tornou-se mais acertada ainda ao ver delegações completas, como a do Uruguai, e aglomeradas, como as da Argentina e da Rússia. Países tradicionais também optaram por levar delegações grandes, como Itália, Grã-Bretanha e Estados Unidos. O respeito pelo uso da máscara não esteve presente o tempo todo. Os atletas do Tajiquistão e do Quirguistão, por exemplo, sequer as usavam – o equipamento faz parte do protocolo sanitário dos Jogos de Tóquio. Ao todo, segundo a organização, foram 5.700 atletas espalhados entre os 206 países.

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