As notas do Brasil-il-il

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Copa América - Na Índia FOTO Debarchan Chatterjee/NurPhoto via Getty Images

Os atletas podem e devem se posicionar sobre tudo - que quiserem, se quiserem, quando quiserem. 

Jornalistas, médicos, professores, youtubers, pagodeiros. Até mesmo militares neste país onde parece estar liberada a manifestação ampla, como se viu na Hora H, no Dia D, no Palanque P.

Notas oficiais estão na pauta. Ainda que pareçam algumas vezes valer como nota de três reais. Ou apenas são irreais mesmo. Mais oficiais que notas.

Notas de repúdio também são cuspidas muitas vezes sem mostrar as cúspides. São apenas um funk de uma nota só. Uma noite apenas. E olhe lá. Via staff. Sem estafa alguma.

A atitude dos atletas do Brasil era a esperada. Tanto na braveza intestina de revirar o estômago com milhões de motivos no Faroeste Caboclo, tanto no conteúdo de bravura com quase 500 mil motivos contra o estado sanitário das coisas, tanto nas bravatas da causa rebelde com calção. Sem caução. E, espero, sem coerção. Apenas coração.

A Copa América será boa para que o Brasil treine e se entrose mais. Seria ainda melhor (ou a possível) se fosse nos países-sede originais. Será o que dá pra fazer no país que tem outras prioridades e comorbidades. Será torcer para evitar que desfaçam com a maior desfaçatez o distanciamento social - e cada vez mais distante da sociedade.

Um eventual "não" de todos os atletas e da comissão técnica ao torneio seria um recado mundial que os atletas brasileiros não deram. E nunca na história fizeram algo parecido. Dos mais politizados e antenados aos mais aéreos e terráqueos. Também por nenhum torneio ter sido disputado nestas condições. Em qualquer país. Com qualquer seleção. Como também nenhuma outra se negou a disputar o torneio neste Brasil varonil. E com o vírus de quase todas as cepas e CEPs.

Os atletas são contra o torneio no Brasil que eles irão disputar como empregados. Como muita gente irá trabalhar nele na mesma condição - sem dar nota além da prestação de serviços. Eles deixaram claro, e com muitas razões e emoções, que são contra a disputa no Chile, nos EUA, em qualquer lugar depois da desistência da Argentina - faltando apenas duas semanas para o início da competição, e pelos motivos expostos como uma fratura sem fatura.

Um "não" de alguns atletas seria possível. Mas provavelmente seria um "jamais" para cada um dos que negam (não confundir com os negacionistas também futebolísticos). Nenhum sapo de fora (como este bagrecéfalo que vos tecla) pode exigir de um canarinho de dentro uma posição como essa.

Pode e deve lamentar. Não cobrar. Nem ceifar.

O Brasil vai pra Copa América o mais completo possível.

Ótimo para quem vai ver.

Para quem sobreviver à jornada, também.

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