Brasil 0 x 1 Argentina campeã da Copa América 2021

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Craques e amigos FOTO Wagner Meier/Getty Images

Ninguém mordeu De Paul quando ele teve espaço lá na intermediária para lançar o incansável facilitador Di Maria. O Robert de Niro de "O Poderoso Chefão Parte 2". Ponta quando ataca como os hermanos então chegaram pela única vez na área brasileira no primeiro tempo no Maracanã indevidamente aberto para convidados. Convite facilitado pela falha feia de Renan Lodi. E pela linha de impedimento que não avançou e deu um latifúndio para o também meia, também volante, e também lateral Di Maria encobrir o Ederson que ficou pelo caminho, aos 21min10s do Maracanazo platino.

Como o Brasil 100% nas Eliminatórias ficou com o vice. Time não perdia havia 13 jogos. Desde a derrota para a Argentina, em 2019. Das cinco em 61 jogos de Tite em cinco anos de ótimo trabalho na Seleção, três foram para a albiceleste. Apenas duas derrotas oficiais. Na Rússia e no Maracanã. A primeira brasileira em Copa América sediada no Brasil. O primeiro título messiânico pelos hermanos que desde 1993 não ganhavam uma Copa América. Ou qualquer outro grande torneio.

Nem precisaram jogar muito. Além do belo gol, um tropeção de Messi na segunda etapa, e mais um gol perdido quando o Brasil era só ataque. Só atacantes. Mas sem ideias. Organização. E sem grande qualidade.

Fora Neymar que quis jogo e não se jogou, mesmo apanhando demais, e sem brilhar também, o Brasil não se achou. Everton fez pouco de novo torto pela direita. Quando inverteu de lado com Richarlison, ambos seguiram produzindo pouco como o Brasil de apenas quatro chances na decisão chocha como todo o torneio que representou o panorama desértico do futebol sul-americano.

Em seu pior momento.

Contra o 4-3-3 rival que virava 4-4-2 com a ajuda providencial de Di Maria pela direita, o Brasil começou no esperado 4-2-4 com a pelota, 4-4-2 sem. Por vezes alternando no 3-2-5 quando tentava construir o que não ergueu no Rio: Danilo quase nada fazendo por dentro, e sem emparceirar com Everton; Renan Lodi espetava pela esquerda; Everton Cebolinha mantinha-se aberto alargando o campo à direita. O problema é que desta vez não houve a química entre Paquetá e Neymar. O meia do Lyon não se achou. Não encontrou Neymar. Ficou distante do ótimo nível que vinha mostrando. E também de Neymar. Mesmo quando recuado pra fazer a função de Fred (outra vez discreto e lateral).

Na segunda etapa, Tite mexeu como precisava. Sacou o amarelado Fred, recuando Paquetá. Poderia ser com Vinicius Jr de poucos minutos na Copa América, aberto pela esquerda. Poderia também voltar com Gabigol na referência e no ambiente onde tem dominado como poucos pelo Flamengo. Talvez não fosse o mesmo caso de Everton Ribeiro, em fase também discutível. O Brasil precisava ter alguém mais lá dentro. Alguém que não tem sido Firmino.

E não foi mesmo. De novo.

A Seleção até criou mais. Atacou mais. Parou na ótima fase do goleiro argentino. Mas pouco fez.

Aos 18, Everton saiu com 18 de atraso. Vini entrou, fez mais fumaça. Mas não tanto fogo. Nenhuma chance a mais criada. Aos 30, Émerson entrou como lateral-esquerdo para apoiar Vini. Quase nada. Gabigol substituiu Paquetá. Casemiro na cabeça da área. Danilo mal construindo por dentro. Firmino rodando e criando pouco. Gabriel Barbosa ainda criando a penúltima e também a última chance em um rebote.

Quase nada. Muito pouco. Como também foram as atuações brasileiras nas vitórias.

O Brasil ainda sobra na América. Mas Brasil e Argentina, HOJE, sobrariam numa Copa. Na pior acepção. França, Portugal, Itália, Inglaterra, Bélgica e Alemanha são seleções que ou são melhores ou parecem melhores. Ou deverão ser em 2022. E contando.

Motivo para derrubar Tite?

Se Guardiola estivesse no mercado, eu pensaria bastante.

Fora isso, quem assumiria? E quem de fato conseguiria melhorar tanto assim a Seleção e os selecionados?

Temos mesmos tantas opções diferentes para as laterais-alas? Volantes temos - Gerson é um que precisamos. E tínhamos Jorginho campeão da Europa pelo Chelsea e pela Itália. Essa ausência podemos botar na conta de Tite.

Meias tão criativos? Atacantes mais eficientes e brilhantes?

Neymar brilha e briga e apanha sozinho.

Muito sozinho.

Isolamento social e esportivo que deveria ter na arquibancada no Maracanã tivemos no gramado.

Mais uma vez.

Menos uma vez Brasil.

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