Pária educadora

Mauro Beting
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Iranianos x norte-americanos antes de jogo em Lyon pela Copa de 1998 FOTO Simon Bruty/Sports Illustrated via Getty Images) (SetNumber: X55839 TK1 R3 F12

É isso mesmo, cecretário expecial de Cultu...Urra! Os brasileiros precisam mesmo ter mais asseço à cultura como você tuitou pro presidente. Nem falo da crase ausente. Até pela crise presente.

Escrever com corressão não é obrigatório. Já tivemos presidentes que mal sabiam escrever. Outros que leem pior e pensam com QI de Ustra. Muitos que falavam bem e fizeram mal. Alguns que falam pior do que os filhos escrevem e fazem ainda pior. Acadêmicos de Letras que roubavam números. Gente que saúda a mandioca ou quer matar 30 mil em guerra civil. Quem se diz contra 300 picaretas e nada faz e quem bota a pá de cal em 300 mil e pouco faz.

Ministros como o ex da má Educação e o atual da Cultura inculta e o das péssimas Relações Exteriores. Militar descuidando da saúde. Civil querendo militares. Militantes dando golpes à minha esquerda e à direita deles. Tivemos presidentes justamente impedidos. Outros não. Presida no presídio. Ministro preso como a língua. Palhaços e Palocci. Dedo solto. Ditador que deveria ter sido preso.

Presos políticos injustamente e políticos presos justamente - ou soltos impunemente, ou não devidamente detidos aos montes pelos mendes.

Uma palavra mal grafada é çinal dos dias em que somos garfados. Os sofômanos que ganham poder sem pudor. E não apenas neste desgoverno. O vírus da ignorância e da intolerância não está acima de todos só agora. Está acima de tudo na base deste Brasil.

Da pária que deseduca.

Entramos numa fria não só agora pela guerra gelada entre extremos de estupidez, e um centrão de desinteligência. A culpa não é só do Mário e quem indica "que Mário"? para a Cultura (SIC). Não só da Déspota Duarte, a insensível regina da sucata. Ou aquele cosplay de Goebbels que se perca pelo nome ouvindo Wagner como se fosse um fuhrer furreco.

Como estamos perdendo a palavra.

Ai do Brasil que dói. AI-5 do país que desconhece a própria história. Não é questão de gramática. É de quem pasta e posteja se achando e logo se perdendo. Não é só Rouanet mal usada ou mal explicada. É o uso ruim da palavra pouco empenhada.

Não acabou a mamata da Cultura - se é que se pode falar e filmar assim. Vivemos o mata-mata do que çobra de nossa Cultura que soçobra.

Não tem corretor ortográfico que funcione em um país tão errado. De pais que perderam a mão.

Escrevo errado de propósito. Mas acho que tem gente que faz tanta coisa errada que deve ser de propósito. Tipo entrevista da primeira-dama paulista e branca-drama do Estado de SP. Retrato embotocado da elite nacional em permanente estado de sítio que não é de sítio. Até porque ninguém sabe de quem é o sítio.

Mas eu falei tudo iço, iça, como isca para falar que eu posso falar não só de futebol. Eu posso ainda escrever sobre outras coisas. Você pode me xingar não só por futebol. Vivemos ainda numa democracia - mesmo do jeito que a CBF toca as coisas e o berrante. Ou sobrevivemos. Mas nunca apesar da demo(cracia). Sempre por ela. Pela liberdade do ministro escrever errado e fazer ainda pior. Pela liberdade da presidente estocar palavras ao vento. Pela liberdade do presidente do país que temos tudo a temer fazer mesóclises metidas e meioses políticas na terra do meio sem meios. E sem equilíbrio.

Deploro extremos. Desprezo extremistas. A virtude estaria na distância deles se não fosse exatamente o centrão político desta jabuticaba chupada. O Hay Gobierno Soy 110% a Favor. Como cidadão é ótimo estar em cima do muro para ver os vários lados da questão. Ou mesmo sem ter as digitais maculadas pelas péssimas impressões, pela imprensa que não é isenta, pelo cidadão que vota como se fosse no craque do time, não no escroque do partido.

Não tem mundo ideal. Mas o ideal seria que pudéssemos discutir nossos ideias como pedimos pizza. Eu quero com queijo. Você, calabresa. E quem está certo? Ninguém. É gosto - e não o desgosto da pizza portuguesa...

Eu não vou no seu comentário ao meu texto falar "escreva só de futebol". Você pode até comentar isso aqui. Pode me preferir falando de futebol. Pode deixar de me seguir por este texto. E outros textões. Só não pode me pedir para eu não fazer o que eu quero. Como eu não farei isso com você na sua rede antissocial. E vou SEMPRE no meu cantinho brigar para que todos façam o que quiserem. Com respeito e educação e espaço para o debate. Até o combate.

Me deixe falando o que eu quiser. Pode até deixar de me seguir. Mas siga a sua vida lutando para que a gente possa conversar. Discutir. Até defecando regras em vez de as defender. Mas sem botar uma rolha onde você quiser. Uma venda. Uma mordaça. Uma focinheira. Ou qualquer outro instrumento que impeça a convivência.