Botafogo: ‘renegados’ e ‘coadjuvantes’ cresceram para mostrar que o grupo é forte

Por Tauan Ambrosio 

Contra o Atlético Nacional, da Colômbia, o Botafogo mostrou maturidade como time e conquistou a sua segunda vitória na fase de grupos da Libertadores da América. Além de ter mantido a boa campanha do Glorioso na competição continental, a vitória por 2 a 0 obtida sobre os atuais detentores do título pôs fim a um jejum de 24 anos sem triunfos oficiais longe do Brasil e mostrou outra coisa importante: a força de um grupo que ainda segue visto com certa desconfiança por alguns setores.

Antes do apito inicial no estádio Atanasio Girardot, as ausências de Airton e Montillo eram motivo de preocupação. Isso para não falar nos problemas que o clube encontra na lateral-direita, onde não tem nenhum especialista disponível para o setor. Mas durante os pouco mais de 90 minutos, a equipe montada por Jair Ventura mostrou que a briga interna por uma vaga entre os titulares está cada vez maior. E isso fica claro ao analisarmos cinco nomes específicos.

Emerson ganha nova chance, e passa no teste

Lindoso Emerson Santos Victor Luis Botafogo Libertadores 14 04 2017

Emerson Santos voltou após 'exílio' e se destacou (Foto: Getty Images)

Afastado desde o início da temporada por razões burocráticas relacionadas à sua renovação de contrato, o zagueiro Emerson Santos foi a grande surpresa na escalação alvinegra. Titular absoluto em 2016, o jovem de 22 anos ganhou uma nova chance por causa dos problemas que o Botafogo encontra na lateral-direita. O jeito foi improvisar o zagueiro na posição, assim como já havia acontecido com Marcelo [que se recupera de lesão].

A aposta deu certo. Emerson não deu mostras de falta de ritmo de jogo e teve grande importância na fase defensiva do embate: foi o jogador que mais rebateu bolas (11), fez quatro interceptações [mesmo número de Lindoso e Bruno Silva], se posicionou bem e ajudou a dar a segurança para aguentar as constantes investidas do time colombiano.

Lindoso foi ‘motor’ no meio de campo

Assim como Emerson, Rodrigo Lindoso foi outro nome constante do time de 2016 que perdeu espaço [por razões diferentes], recebeu uma oportunidade e não decepcionou. Fazendo o papel mais defensivo dentre os três volantes escalados por Jair, o maranhense não deixou o alvinegro refém da ausência de Aírton, um dos grandes xodós da torcida e pilar do meio de campo.

Lindoso foi o jogador mais participativo do time carioca: nenhum outro tocou tanto na bola (56 vezes) e deu tantos passes (40, com aproveitamento de 82,5%). O meio-campista, inscrito com a camisa 19, ajudou no ‘funcionamento da engrenagem’ e protegeu direitinho a zaga [ninguém do time recuperou tantas vezes a posse de bola, 7 vezes]. Tanto, que acabou sendo premiado no final do jogo, quando um de seus desarmes iniciou, contanto um pouco com a sorte, o contra-ataque fatal que decretou a vitória por 2 a 0.

Arma para contra-ataques, Guilherme ‘desencanta’

Guilherme Botafogo Atlético Nacional Libertadores 14 04 2017

Após desarme de Lindoso, Guilherme pegou a bola e foi até o gol (Foto: Getty Images)

Atacante emprestado pelo Grêmio, Guilherme chegou para disputar uma vaga pelos lados de ataque. Uma posição crucial no futebol que se joga em todo o mundo. Embora tenha sido irregular algumas vezes neste início de temporada, o jogador entrou muito bem na partida e foi coroado com um gol [coisa que não acontecia há mais de um ano, desde o seu último tento]. Se com a boa participação mostrada vier a confiança, Guilherme pode ser cada vez mais útil.

João Paulo faz a sua melhor exibição

João Paulo Botafogo treino pré-temporada 18 01 2017

(Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)

Contratado para o setor do meio de campo na atual temporada, o ex-jogador do Santa Cruz fez a sua melhor partida pelo Glorioso. Participativo nas ações de jogo, foi premiado com a assistência para o primeiro gol da noite ao acertar um cruzamento certeiro na cabeça de Camilo.

Camilo volta a ser o ‘Camito’ e prova o seu ponto

Camilo Botafogo Atlético Nacional Libertadores 14 04 2017

Camilo jogou como quis! (Foto: Getty Images)

O cara do jogo! Camilo abriu o placar, de cabeça, e sempre levou perigo nas investidas que o Botafogo fazia quando recuperava a bola e partia em velocidade para o ataque. No Atanasio Girardot, o camisa 10 acertou os dois arremates que arriscou e mostrou que pode ser melhor aproveitado jogando na sua posição preferida: solto no meio do campo, logo atrás do centroavante. A briga pela posição com Walter Montillo ganhou um tempero a mais: o que é excelente para Jair Ventura e para o clube, ainda mais se o grupo mantiver a união apresentada até aqui.