Bom aluno, Piquerez quase se tornou físico, mas escolheu o futebol e agora busca a Libertadores com o Palmeiras

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A final da Copa Libertadores entre Palmeiras e Flamengo acontece neste sábado, às 17h, no Estádio Centenário, em Montevidéu, que é casa também de um dos personagens do elenco do Verdão: Joaquín Piquerez. Por esse simbolismo de jogar em sua cidade, o LANCE! foi atrás de contar um pouco da história do lateral que, se quisesse, poderia ter seguido a carreira de físico.

Buscando conhecer um pouco das raízes do jovem uruguaio, a reportagem conversou com seu pai: Daniel Piquerez, que contou toda a trajetória de seu filho mais novo, a quem ele acompanhou desde os primeiros passos no futebol, desde que seguisse na mesma toada com os estudos, sendo apoiado nas duas frentes. Mas a bola acabou falando mais alto na faculdade.

- Chegou até a faculdade e foi a hora de tomar a decisão, porque é muito difícil fazer as duas coisas juntas. Ele entrou na faculdade de física. Joaquín sempre foi muito bom de conta, era muito rápido para ciências, física, química, matemática. Na escola sempre tivemos um problema, porque nos chamavam para falar que Joaquín era muito inquieto, quando tinha um problema (conta), resolvia muito rápido, mas ele tinha que aprender, e por isso chamavam a atenção. Então que colocassem ele em outro grupo com pessoas mais rápidas. Nunca deu problema na escola, jamais, foi um bom aluno - elogiou Daniel.

Apesar de parecer um "pai coruja", o pai de Joaquín sempre foi muito claro na exigência com estudo, até porque uma minúscula parte dos jogadores chegam ao sucesso e viver do futebol jamais seria uma garantia indestrutível.

- Sempre aponhamos no futebol e no estudo de igual maneira, a carreira no futebol era uma possibilidade, mas sabendo que tinha uma porcentagem muito menor de chegar a ser um profissional e estudando teria uma garantia, então levou em paralelo até que o futebol estivesse encaminhado.

Mas não havia jeito, a paixão de Piquerez pelo futebol é de berço e o desfecho natural foi a escolha pela bola. Desde seus sete ou oito anos ele já encarava adversários maiores, que o ajudaram a se desenvolver como jogador, ganhar "casca". E ele de fato conseguiu: de menino dono da bola, o lateral do Alviverde passou a ser aquele que todos queriam ter na equipe em Montevidéu.

- Joaquín sempre gostou de futebol desde pequeno, inclusive jogava em um clube em frente à nossa casa com meninos maiores e só podia jogar com eles porque era o dono da bola. Isso o ajudou a desenvolver mais rápido, porque os meninos tinham 12 anos e Joaquín tinha sete para oito, aí ele aprendeu demais. Sempre jogou e sempre quis jogar futebol, mas ao mesmo tempo estudava, ele foi crescendo, crescendo e nós como pais fomos vendo se ele estava indo pelo caminho correto tanto no futebol quanto nos estudos, e seguimos o apoiando nas duas coisas em paralelo - ponderou o pai do camisa 22.

Dali em diante, do clube em frente à casa em que morava, Piquerez já mostrava que não era comum. Dessa forma seu crescimento ao longo da carreira foi acontecendo de forma natural, passando pelo Stockolmo, depois para o River Plate-URU, até chegar no Defensor, onde se adaptou às regras da Fifa, voltou ao River e finalmente chegou ao Peñarol, de onde foi vendido ao Palmeiras.

- Começou em um campo, depois migrou para outro que era ao lado. Começou no Estocolmo e depois foi para o River, um campo está próximo do outro, igual o CT do Palmeiras e do São Paulo. São tipos de futebol diferentes, um é com regras da Fifa, que para mim é horrível, porque há crianças que nem tocam na bola, depois é o Baby futebol, que até certa idade as crianças jogam nove contra nove, depois sete contra sete e aí todos são defesa, todos são atacantes. Joaquín fez os dois últimos anos de educação infantil no Defensor para adaptar-se às regras da Fifa. Joaquín ganhou todos os campeonatos de Baby futebol, onde ele se destacou muito, se destacou no Stockolmo, se destacou no River, mas não era o único - contou Daniel, pai do lateral-esquerdo.

O sucesso do garoto se estendeu para as categorias inferiores da seleção uruguaia, até mesmo em uma copa para crianças na África do Sul, em 2010, quando foi vice-campeão. Figura carimbada nas convocações das Eliminatórias e como titular do Palmeiras, Piquerez poderia ter seguido uma carreira mais estável como a física naquele momento, mas optou por seguir um sonho e agora está na maior decisão do continente para buscar a glória eterna.

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