Bolt brasileiro não corre, mas espera saltar para a medalha na Olimpíada

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*ARQUIVO*  GUARULHOS, SP - 21.05.2021 - Alexsandro Melo, atleta brasileiro classificado para o salto triplo na Olimpíada de Tóquio.  (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)
*ARQUIVO* GUARULHOS, SP - 21.05.2021 - Alexsandro Melo, atleta brasileiro classificado para o salto triplo na Olimpíada de Tóquio. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Quando o técnico Neílton Moura compartilha pelo celular o contato do seu pupilo, o nome que surge não é Alexsandro Melo. Ou apenas Alexsandro. Nem mesmo o diminutivo Alex.

Aparece apenas "Bolt".

"Todo mundo me chama assim. Quando alguém diz Alexsandro, eu até estranho, acho que não é comigo", afirma o atleta de 25 anos, um dos nomes classificados para o salto triplo na Olimpíada de Tóquio, em julho deste ano.

No final de maio, no Equador, ele pode garantir pontuação ou índice para disputar também o salto em distância no Japão. A marca suficiente para brigar pela medalha no salto triplo foi obtida no Mundial de Doha, em 2019, ao chegar aos 17,20 metros.

Alexsandro virou Bolt quando começou no atletismo. Em parte por causa da semelhança física com o jamaicano, vencedor de oito medalhas de ouro entre Pequim-2008 e Rio-2016 e recordista mundial dos 100 metros, com 9,58 segundos. Mas também por ser veloz.

"Comecei em provas de velocidade. Queria fazer salto, mas não podia. Eu era muito pequeno e muito magro para isso. Não conseguiria fazer. Levou tempo", confessa.

Ele era pequeno mas era rápido, o que lhe servia bem para jogar futebol. A lembrança que tem de si mesmo é de um zagueiro ágil o bastante para chegar antes dos atacantes adversários na bola. Quando se viu diante da chance de fazer atletismo, levou o mesmo raciocínio do campo para as pistas. Algo que lhe faria ser chamado de Bolt.

Se Alexsandro era naturalmente veloz, iria para as provas de velocidade e ganharia de todo mundo.

Não foi bem assim, mas ele sentia que ser o mais rápido não era o que lhe deixava feliz. Não era aquilo que desejava. Hoje reconhece que já naquela época tinha na cabeça a imagem de Maurren Maggi a comemorar a conquista da medalha de ouro no salto em distância nos Jogos em Pequim, em 2008.

"Eu vi aquilo pela televisão, a festa que fez na pista, a corrida para abraçar o treinador dela, o Nélio. A primeira coisa que eu pensei foi: quero isso para mim."

Foi também aquela a Olimpíada em que o Bolt original explodiu para o mundo. Nélio Moura, o técnico de Maurren, é irmão de Neilton, responsável pela preparação de Alexsandro para a competição em Tóquio.

"O Bolt [Alexsandro] está mais maduro. Ele é uma pessoa bem positiva, sempre vê o lado bom das coisas. Isso foi importante porque no último ano nós tivemos alguns problemas para serem superados", lembra Neílton.

Quando o estado de São Paulo entrou na fase roxa do plano de contenção à pandemia, em março, o centro de treinamento usado por eles em Guarulhos fechou. A solução foi treinar em campos de terra da região, adaptados como fosse possível ao atletismo. Por causa disso, o saltador foi treinar em um clube militar na Urca, no Rio de Janeiro, por algumas semanas.

O próprio treinador constata que em competições recentes o atleta não foi tão bem quanto deveria, muito em razão das condições das pistas, consideradas muito duras para o salto triplo e em distância.

Ser tão positivo significa acreditar que os Jogos em 2021 serão melhores para ele do que seriam em 2020, a data original para o evento. O adiamento por causa da pandemia de Covid-19 o fez até mudar de planos.

"Se você me perguntasse em 2019, depois que fiz o índice, diria que meu objetivo era ir para a final. Queria muito isso como preparação para em Paris-2024 conquistar a medalha. Mas depois de tudo o que aconteceu, de todo o treinamento que fiz durante a quarentena e no início deste ano, acredito muito em uma medalha em Tóquio. Imagino estar no pódio", acredita.

Em nome disso, ele e Neílton decidiram declinar da oferta da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) de participar com outros atletas brasileiros de um camp (período de treinos em concentração) nos Estados Unidos. Para a dupla, a melhor opção é ir ao Equador, disputar o sul-americano e entrar em clima de competição.

"Vai ser bom para ele [Alexsandro]. Será o sul-americano mais forte de todos os tempos porque muita gente precisa atingir pontuação para ir à Olimpíada", avalia o técnico.

Alexsandro assimila e concorda com seu tutor. Mas confessa que sua mente viaja e, às vezes, já está em Tóquio, no estádio Olímpico e na disputa do salto triplo, sua especialidade. Se for possível, do salto em distância também. Porque desde que começou em provas de velocidade e passou a ser chamado de Bolt no atletismo brasileiro, seu negócio é saltar.

"A Olimpíada é o máximo. É o sonho supremo e eu quero muito sentir e viver isso. Estou ansioso para poder viver essa experiência", conclui.

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