Bolsonaro sobre divulgação de números de Covid-19 às 22h: 'Acabou matéria no Jornal Nacional'

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Jair Bolsonaro durante a inauguração de hospital de campanha em Águas Lindas, em Goiás (SERGIO LIMA/AFP via Getty Images)
Jair Bolsonaro durante a inauguração de hospital de campanha em Águas Lindas, em Goiás (SERGIO LIMA/AFP via Getty Images)

Ao ser perguntado sobre a mudança do horário para a divulgação do número de casos e óbitos por causa do novo coronavírus nesta sexta (5), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse que “acabou a matéria no Jornal Nacional”, em referência ao principal jornal da TV Globo.

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"Acabou matéria no Jornal Nacional", disse Bolsonaro. "O Jornal Nacional gosta de dizer que o Brasil é recordista em mortes", acrescentou.

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O presidente justificou a medida afirmando que é necessário consolidar os números antes da divulgação e ainda citou o Fantástico, outro programa jornalístico da TV Globo.

“Nos números de ontem, parece que dois terços dos mortos eram de outros dias, os mais variados possíveis. Tem que divulgar o do dia, o resto consolida para trás”, disse. “Se quiser fazer um programa do Fantástico todinho sobre os números na última semana, tudo bem.”

Inicialmente, ainda sob a conduta de Luiz Henrique Mandetta, o Ministério da Saúde divulgava os números por volta de 17h. Já na gestão de Nelson Teich, os dados eram apresentados às 19h. Depois que o general Eduardo Pazuello assumiu o comando, a divulgação acontecia 20h.

Na última quarta (3), alegando um problema técnico, o Ministério da Saúde fez a primeira divulgação dos dados às 22h. O horário foi repetido na quinta sem explicações. E após o jornal Correio Braziliense afirmar que a ordem para o novo horário teria partido de Bolsonaro, o ministério enviou mensagens a jornalistas afirmando que os números seriam mostrados apenas às 22h.

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Mais cedo nesta sexta, o novo horário da divulgação foi criticado por Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que classificou a alteração como “sonegação de informações”.

“Há um dever de publicidade, as autoridades têm de informar o quadro. Enquanto gastamos essa energia imensa com querela política, atingimos um número trágico e mórbido de 35 mil mortes no país, 1,5 mil mortes por dia”, disse o ministro. “Quando se começa a fazer esse movimento político, de sonegar informações, a própria confiabilidade dos números passa a ser também colocada em xeque”.

O magistrado também fez referência a uma cortina de fumaça nas disputas políticas protagonizadas entre Palácio do Planalto, STF e Congresso para tirar o foco no combate à Covid-19.

“Chamo de querela política essas manifestações, esse aparente conflito entre Supremo, militares e presidência, entre os poderes executivos nos estados, municípios e União. E não estamos cuidando dessa questão central. Muitas dessas manobras, desses conflitos, são conflitos diversionistas para que não dedicarmos atenção àquilo que de fato é o problema central, a Covid”, completou Gilmar Mendes.

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