Sem Carlos nas redes, Bolsonaro revela seu principal desafeto no Brasil

Bolsonaro reage a perguntas de jornalistas na saída do Palácio da Alvorada em 22 de novembro (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)
Bolsonaro reage a perguntas de jornalistas na saída do Palácio da Alvorada em 22 de novembro (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)

Por Renato C. Abreu

Após a saída do vereador Carlos Bolsonaro das redes sociais, a atividade virtual do presidente da República caiu drasticamente. Com menos de 20 publicações ao longo da semana, Bolsonaro divulgou encontros no Palácio do Planalto, feitos do governo e, principalmente, atacou a imprensa.

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Ao longo da semana, o presidente separou três dias para atacar diretamente a Folha de S. Paulo por conta de reportagens ligadas ao seu nome. Temas relacionados à oposição e até mesmo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram deixados de lado, evidenciando uma possível relação entre eles e o então social media Carlos. Relembre a semana do presidente:

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No domingo (17), Jair Bolsonaro fez questão de mostrar gratidão a um desembargador aposentado chamado Dr. Egas. Segundo o presidente, ele foi um dos aliados mais importantes durante sua carreira política.

“Aquele, quando não é humilde, acha que chegou ao topo sozinho e não reconhece ninguém (muito comum na política). - A gratidão é a melhor maneira de você expressar a sua humildade, fazer verdadeiras amizades e ser útil para o próximo e à sua Pátria”, disse.

Já na segunda-feira (18), o presidente tirou o dia para receber no Palácio do Planalto a seleção brasileira sub-17. A equipe venceu México por 2 a 1 no final de semana, garantindo o tetracampeonato do Mundial. 

A seleção sub-17 teve 100% de aproveitamento no Mundial: sete vitórias em sete jogos, marcou 19 gols e levou apenas seis. No caminho do título, venceu o Canadá (4 a 1), a Nova Zelândia (3 a 0), Angola (2 a 0), Chile (3 a 2), Itália (2 a 0), França (3 a 2) e a final contra o México: 2x1.

No dia seguinte, Bolsonaro abordou um tema delicado, a posse de armas no Brasil. O presidente reforçou duas portarias que liberam a aquisição, porte e registro de armamentos no país. 

“Uma terceira portaria disporá sobre Normas Reguladoras relativas ao comércio exterior de produtos controlados”, continuou.

Na quarta-feira (20), a Folha de S. Paulo foi mais uma vez alvo das duras críticas de Bolsonaro. O presidente repercutiu uma reportagem feita pelo jornal sobre o Bolsa Família não conseguir pagar a 13ª parcela prometida por ele. 

“Jornaleco não vive sem mentir. - Suspendi minha assinatura e muitos empresários têm cancelado contratos publicitários nesse jornal campeão de fake news e desinformação”, disparou.

Após a repercussão da publicação, o porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, afirmou que o pagamento extra está garantido. “Eu conversei com o ministro Osmar Terra [Cidadania], ele esclareceu algumas informações equivocadas em relação ao pagamento do 13º. Os recursos financeiros existentes são suficientes para arcar com os pagamentos que têm início previsto para 11 de dezembro”.

O presidente recebeu outra visita no Palácio do Planalto, desta vez de Diego Hypólito. O atleta posou para uma foto ao lado de Bolsonaro, que a publicou na quinta-feira (21). Após a publicação, o ginasta, que é homossexual, foi duramente criticado pela comunidade LGBT pelo suposto apoio ao presidente. 

Por conta dos ataques, Hypólito precisou se pronunciar sobre o assunto. “Não sou de esquerda nem de direita. Sou deu Deus. Sou cheio de erros e defeitos e estou muito preocupado com o esporte no Brasil. Em mina vida, serei muito julgado, eu sei, mas devemos viver e tentar ajudar mais pessoas”, disse.

Na sexta-feira, Bolsonaro voltou a atacar a imprensa. Após a vinculação de que estaria articulando uma reforma ministerial, o presidente desmentiu a informação. 

Na véspera da publicação, um portal havia noticiado que Bolsonaro decidiu trocar os ministros Abraham Weintraub, da Educação; Onyx Lorenzoni, da Casa Civil; e Marcelo Álvaro Antônio, do Turismo. De acordo com a reportagem, as mudanças seriam realizadas no começo de 2020.

Ao final do dia, o presidente ainda prestou homenagem a Gugu Liberato. O apresentador morreu na sexta-feira (22), após um acidente doméstico nos Estados Unidos.

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