Com quase 100 mil mortos, Bolsonaro questiona dados e diz que médicos "pouparam autópsias" com diagnóstico de covid-19

Marcelo Freire
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Presidente diz que vacina contra a pandemia deverá estar disponível em janeiro de 2021: "essa é uma boa aposta". Foto: Reprodução/ Facebook
  • "Não é uma regra isso, mas, em alguns casos, o médico poupa uma autópsia", disse o presidente, sem esclarecer a origem da dúvida

  • Presidente diz que vacina contra a pandemia deverá estar disponível em janeiro de 2021: "essa é uma boa aposta"

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) utilizou sua live semanal nas redes sociais, nesta quinta-feira (6), para falar sobre o trabalho do governo federal para o enfrentamento da pandemia do coronavírus.

Ao lado do ministro interino da Saúde, o general Eduardo Pazuello, Bolsonaro falou sobre a vacina que será financiada pelo governo federal, defendeu o uso de hidroxicloroquina e questionou o número de mortos do país – que superou a taxa de 98 mil nesta quinta.

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Pazuello afirmou que, no início da pandemia, o Ministério da Saúde utilizava um protocolo que "tirou do médico a sua soberania de fazer o diagnóstico do vírus". "Quando não há o diagnóstico desde o início, não temos como saber nem que sim e nem que não [se o paciente realmente tem o vírus]. Isso faz com que os dados se tornem difíceis", disse o ministro.

Na sequência, Bolsonaro disse que as estatísticas mostrariam "menos pessoas morrendo de determinadas doenças" porque elas estão sendo classificadas como mortas pela covid-19, e afirmou que isso pode estar ligado a médicos querendo "poupar autópsias". Ele não explicou a origem dessa dúvida e disse ter recebido essa informação de fontes que não podem ser chamadas de "confiáveis".

"Não é uma regra isso, mas, em alguns casos, o médico poupa uma autópsia. É isso ou não?", questionou Bolsonaro a Pazuello – o ministro não respondeu, fazendo apenas uma expressão de dúvida em relação à fala do presidente. "Tem chegado ao conhecimento da gente. Não vou dizer que são fontes confiáveis, mas chegam essas informações, de que se poupa uma autópsia", voltou a dizer.

O presidente, então, falou que existe uma diferença entre "morrer de covid e morrer com covid", repetindo seu questionamento habitual de que muitos pacientes infectados com o coronavírus que têm outras doenças morrem pela ação das outras doenças, e não do vírus.

Na live de hoje, Bolsonaro também assistiu à defesa de Pazuello da possibilidade de os médicos receitarem hidroxicloroquina. "O diagnóstico é soberano do médico. Essa é a orientação número 1 do Ministério da Saúde", disse Pazuello.

O presidente, por sua vez, atacou governadores e prefeitos que proibiram o uso de cloroquina. "A negação de um medicamento a quem está doente não pode ser por um decreto de um governador ou prefeito. Que negócio é esse? Quem decide é o médico", afirmou Bolsonaro.

"Se isso [cloroquina] se comprovar [cientificamente] mais tarde, essas pessoas que o proibiram na mão grande, o cara que virou ditador do estado ou do município, vai ter que responder por que ele proibiu, baseado em quê", declarou o presidente, acrescentando que "mortes poderiam ter sido evitadas" com o uso de cloroquina.

Vacina

Horas depois de assinar uma medida provisória que liberou quase R$ 2 bilhões para fabricar uma vacina contra a pandemia do coronavírus, o presidente afirmou, no início da transmissão, que é "uma boa aposta" que ela esteja disponível em janeiro de 2021. Segundo o governo federal, serão 100 milhões de doses oferecidas inicialmente, com a capacidade de vacinar metade da população brasileira.

A vacina escolhida pelo governo foi feita a partir de um estudo da Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca – no Brasil, quem lidera a pesquisa com a vacina é a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

"Essa vacina que a gente prospectou é a mais promissora até o momento, e deve ficar em condições de ser usada pela população a partir de janeiro. Dezembro, janeiro", disse o ministro na transmissão.