Secretário da Cultura de Bolsonaro é parente de comunista histórico

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(Foto: Divulgação)
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Novo secretário de Cultura de Jair Bolsonaro, o ator Mário Frias é figura bem quista no governo desde o período eleitoral. Recentemente, endossou o discurso do presidente contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e a favor do uso da cloroquina no tratamento da Covid-19. Mas as raízes do novo secretário não estão apenas nas artes. Botafoguense convicto, Frias tem ligação de sangue com nomes históricos do esporte brasileiros — personagens que, segundo relatos de familiares, sentiriam "grande desgosto" de seu envolvimento com o atual governo.

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O ator é sobrinho de Bebeto de Freitas (morto em 2018), ex-presidente do Botafogo (2003-2008) e técnico da seleção de vôlei nas campanhas de prata nos Jogos de 1984 e 1988. Bebeto, por sua vez, fora sobrinho de João Saldanha, ex-jornalista e técnico, e primo de Heleno de Freitas, um dos maiores ídolos do alvinegro.

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Como dirigente, Bebeto trabalhou na elaboração de uma proposta de política esportiva para o país a pedido do ex-presidente petista Luís Inácio Lula da Silva, adversário político de Bolsonaro. Também foi um dos entusiastas da Timemania, um tipo de jogo lotérico que visa a ajudar os clubes brasileiros.

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— Bebeto nunca foi um esquerdista, mas era um democrata progressista ferrenho. Sempre teve uma visão positiva de Lula e dos governos do PT — diz Felipe Veloso, primo de Mário e assessor do vereador Tarcísio Mota (PSOL-RJ), agredido por apoiadores do presidente no segundo turno da eleição de 2018. — Por respeito à família, busquei não fazer maiores comentários sobre o assunto. No entanto, é claro meu total repúdio e vergonha de ver um familiar compor o governo Bolsonaro.

Tio-avô de Mário Frias, João Saldanha — apelidado por Nelson Rodrigues de João Sem-Medo — militou e integrou a cúpula do Partido Comunista. Como técnico da seleção, protagonizou um episódio controverso. Três meses antes da Copa de 1970, foi pressionado pelo general Médici a convocar Dadá Maravilha, ídolo do Atlético-MG, e não cedeu.

— O Brasil tem oitenta ou noventa milhões de torcedores e gente que gosta de futebol. É um direito que todos têm. Aliás, eu e o presidente, ou o presidente e eu, temos muitas coisas em comum. Somos gaúchos. Somos gremistas. Gostamos de futebol. E nem eu escalo o ministério, nem o presidente escala time. Então, está vendo que nós nos entendemos muito bem?! — ironizou Saldanha em entrevista à “Rádio Gaúcha”. Ele seria substituído por Zagallo logo depois.

Sobrinho de Saldanha, o professor universitário Raul Milliet — autor de "Vida que segue: João Saldanha e as Copas de 1966 e 1970” — expressou seu descontentamento com Frias em um e-mail para a família. A carta foi endossada por outros parentes no desejo de haver total distanciamento entre o nome de Saldanha e Mário/Bolsonaro. Em entrevista ao EXTRA, Sônia Saldanha, filha de João, reforçou:

— Certa vez, meu pai disse para o Médici que jamais se sentaria à mesa com assassinos de amigos dele. Eu acredito que ele teria a mesma opinião sobre Bolsonaro e qualquer um que se aliasse a ele; sobretudo, um familiar. E tenho absoluta certeza de que Bebeto, até por sua fortíssima ligação com Saldanha, teria o mesmo pensamento. O Mário ignora a história em nome de alguém que apoia a perseguição feita com seus próprios familiares no passado.

Do Extra

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