Bolsonaro diz que mãe tomou vacina de Oxford e comprovante foi trocado

Marcelo Freire
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Jair Bolsonaro durante live nesta quinta, 18 de fevereiro de 2021 (Reprodução)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) abriu a sua transmissão semanal nesta quinta-feira (18) afirmando que o enfermeiro que vacinou sua mãe, Olinda Bonturi Bolsonaro, em Eldorado (SP), teria rasgado a carteira de vacinação da idosa de 93 anos horas depois tê-la imunizado no dia 12 de fevereiro.

Segundo Bolsonaro, a carteira de vacinação original continha a informação de que ela teria sido imunizada pela vacina da Oxford/AstraZeneca. Depois, ele retornou à casa de dona Olinda, onde ela havia sido vacinada, com um novo documento, informando que a vacina aplicada havia sido a CoronaVac, fabricada pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac.

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Bolsonaro citou a história ao atacar a imprensa, que publicou que os dados oficiais de órgãos de saúde mostravam que ela havia sido imunizada com a CoronaVac – vacina que teve sua qualidade questionada diversas vezes pelo presidente no ano passado, durante suas brigas com o governador paulista, João Doria (PSDB), que patrocinou a CoronaVac. Bolsonaro chegou a anunciar, inclusive, que proibiria que o Ministério da Saúde comprasse a vacina para ser utilizada no Plano Nacional de Imunização.

"O cara vacinou a minha mãe e foi embora. Duas horas depois, o cara volta lá na casa da minha mãe, todo apavorado, pega o cartão de vacina dela e rasga. E aí entrega para a minha mãe a [carteira de] vacina escrita 'Butantan'", declarou o presidente – que, em seguida, divulgou o nome e o registro profissional do enfermeiro que atendeu dona Olinda.

O presidente disse que seus familiares guardaram a carteira de vacinação que teria sido rasgada pelo enfermeiro.

Na live, Bolsonaro não chegou a questionar autoridades de saúde sobre o ocorrido. Em vez disso, ele atacou os veículos que publicaram a informação de que ela teria sido imunizada com a CoronaVac e também criticou a produção de reportagens envolvendo sua mãe – que, segundo o presidente, tem a saúde debilitada e sofre com Alzheimer.

"Vem a imprensa fazendo politicagem com a minha mãe com 93 anos de idade", criticou. "Uma canalhice sem tamanho em cima de uma senhora. Uma covardia."