"Bolsonaro devia estar rezando ajoelhado no milho, porque pode sair direto para Haia", diz Mandetta

·18 minuto de leitura
  • Yahoo! Notícias entrevistou o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta

  • Ele rebateu ataques que vem sofrendo do governo Jair Bolsonaro e analisou condução da pandemia

  • Mandetta falou sobre 2022: "É natural que eu seja o centro das atenções por conta da gravidade da situação"

“O governo está igual peru em chapa quente”, ironizou o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) sobre a tentativa da administração do presidente Jair Bolsonaro em “terceirizar” a responsabilidade sobre a crise da covid-19, que já matou mais de 287 mil brasileiros e levou o sistema de saúde de diversos estados ao colapso.

Em entrevista exclusiva ao Yahoo!, Mandetta vê também nos recentes ataques de membros governistas à sua gestão no Ministério da Saúde como uma reação à pesquisa Datafolha divulgada nesta semana, que mostrou que 54% dos entrevistados avaliam como ruim ou péssima a gestão de Bolsonaro no combate ao coronavírus.

Mandetta reagiu às declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, que acusou o ex-ministro de “sair com R$ 5 bilhões no bolso”, que deveriam ter sido gastos na compra de vacina. No entanto, Mandetta deixou o Ministério da Saúde em abril de 2020, e os primeiros testes em humanos com as vacinas contra covid só foram realizados em maio.

"Paulo Guedes foi de uma infantilidade, de uma desonestidade, tão absurda”, disse Mandetta sobre os ataques.

Ministro da Economia, Paulo Guedes
Ministro da Economia, Paulo Guedes

Na quinta-feira (18), em sua transmissão semanal, Bolsonaro voltou a criticar o ex-ministro pela recomendação inicial de não procurar unidades de saúde aos primeiros sintomas.

"Se você é contra, sem problemas, segue a receita do ministro Mandetta. Quando você tiver falta de ar, vai pro hospital. Eu perguntei pro Mandetta. 'Ele vai sentir falta de ar e vai pro hospital fazer o quê? Vai ser intubado'", afirmou o presidente, imitando uma pessoa com falta de ar.

Presidente Jair Bolsonaro durante sua transmissão semanal (Foto: Reprodução)
Presidente Jair Bolsonaro durante sua transmissão semanal (Foto: Reprodução)

'Negacionismo pode levar mundo à estaca zero'

Na entrevista ao Yahoo, o ex-ministro da Saúde explicou a orientação “naquele momento da pandemia” e criticou a a atitude do presidente de imitar pacientes com falta de ar. Na avaliação dele, o governo tentar “terceirizar” a culpa pela “péssima condução” da pandemia, jogando a responsabilidade nele, nos governadores e prefeitos, no Supremo Tribunal Federal (STF) e na imprensa.

“Bolsonaro agora deveria estar de joelho, no milho, rezando, com um oratório bem grande. Porque se tiver uma variante, com essa quantidade de vírus que está circulando no Brasil, e essa variante for resistente a vacina, e fazer o mundo voltar à estaca zero por conta desse negacionismo dele, acho que ele vai ser levado diretamente daqui para Haia" [onde fica o Tribunal Penal Internacional, onde são julgados governantes acusados de genocídio], afirmou.

"Hoje ele foi ao STF para falar que governadores e prefeitos não devem recomendar nada, que quem deve recomendar é ele. Calcula ele fazendo a recomendação? Será que ele ia mandar ‘dilui cloroquina nas caixas d’água das cidades’? Acho que essa que ia ser a medida dele", acrescentou.

"Nós temos claramente um presidente não está sabendo lidar com a crise de saúde", destaca.

Ele ressalta ainda a responsabilidade do presidente pelo alto número de mortes no Brasil pela covid-19, por ter boicotado ações de prevenção, de atendimento aos pacientes e de vacinação.

"Ofereceram vacinas em agosto ao Brasil e eles falaram não e ainda começam a fazer um movimento anti vacina. Começam a falar que a vacina tem um chip que vai entrar no seu cérebro, que vai virar jacaré. As pessoas que são mais cultas riem, mas a pessoa mais simples tem uma relação com autoridade muito forte. Ela fala que não vai tomar porque o presidente falou que vai virar jacaré".

Filiado ao DEM, Mandetta fala também sobre uma eventual candidatura à Presidência da República em 2022 e sobre a possibilidade de sair do partido.

“É natural que, pelo momento, que eu seja o centro das atenções por conta da gravidade da situação que a pandemia se impõe, mas o partido ainda não teve o assunto deliberado”.

Sobre uma articulação entre candidatos do chamado "Centro", ele acredita que é importante oferecer uma opção para o eleitorado diante da "polarização da extrema esquerda com a extrema direita".

"Uma parte enorme da sociedade fala ‘não quero nem um nem outro', nesse cardápio aí tem uma pimenta malagueta ou um limão azedo, não tem uma farinha aí no meio, pra ter um troço pra dar liga social, para cicatrizar, para dialogar com todos e parar com essa cultura do ódio?", defende.

Confira a entrevista completa e trechos em vídeo:

Eleições 2022

Yahoo! - Como andam as conversas para 2022. Procede a informação de que o senhor recebeu carta-branca do DEM para trabalhar a candidatura ao Planalto?

Mandetta - O DEM é um partido que ainda não fez essa discussão. O que existiu e existe é uma conversa dentro do partido de que temos responsabilidade de discutir o Brasil, de ajudar nesse momento duro que a gente está, de sinalizar portas de saída para essa crise monumental. Nós temos claramente um presidente não está sabendo lidar com a crise de saúde, que ela chama atenção do mundo todo, mas o colapso da educação, da cultura, do turismo, de empresas, de negócios… Essa década que a gente tem agora vai ser pautada para tentar recuperar esses sistemas. Então o partido começa a fazer essa discussão mais ampla com a sociedade e com os seus quadros, mas o partido ainda não teve essa deliberação. É natural pelo momento que a gente está passando, que eu seja mais o centro das atenções nesse campo por conta das gravidade que a pandemia se impõe. E a primeira coisa que eu disse a possíveis candidatos, porque quando entra a polarização da extrema esquerda com a extrema direita, uma parte enorme da sociedade fala ‘não quero nem um nem outro, nesse cardápio aí tem uma pimenta malagueta ou um limão azedo, não tem uma farinha aí no meio, pra ter um troço pra dar liga social, para cicatrizar, para dialogar com todos e parar com essa cultura do ódio. Então eu acho que isso que vai dando esse reverbe. Agora a primeira condição é que todo mundo se coloque disposto a ajudar, não coloque os seus nomes como candidatos definitivos e isso vai para uma gama enorme de pessoas que têm nomes ventilados e que precisam sinalizar, agora tem que pegar os pontos de convergência principais e representar o homem sensato, o homem centrado, que quer apostar em diálogo. Eu acho que é por isso que meu nome fica sistematicamente sendo ventilado.

Yahoo! - Mas o senhor tem conversado com outros possíveis candidatos, por exemplo, o apresentador Luciano Huck, o governador João Doria...

Mandetta - Claro, eu já conversei com praticamente todas as pessoas que me procuram ou que eu as procuro. Com Roberto Freire [presidente do Cidadania], com Penna, do PV [José Luiz Penna, presidente do partido], com PSB, com Doria, com Huck, [Sérgio] Moro, Ciro [Gomes, do PDT], [João] Amôedo. Está todo mundo se falando. Porque está todo mundo se olhando e falando ‘o que que se faz?’ Vai deixar o país de dois maniqueístas, ou é preto ou é branco, existem vários tons de cinza entre esses dois.

Yahoo! - Existe a possibilidade de o senhor deixar o DEM caso o partido decida apoiar o presidente Bolsonaro em 2022?

Mandetta - Eu não largo minhas relações com facilidade, principalmente quando acredito no caminho. Tem dias bons e ruins durante a caminhada. Me filiei ao DEM em 2009 para disputar minha primeira eleição a deputado federal, porque queria fazer oposição ao então governo. Mas uma crítica construtiva, sempre fui um debatedor. Eu discordava caminho, da democracia de coaptação. Era do MDB, que era base do governo, e vi no DEM um caminho de oposição. No momento, o DEM tem condições de se posicionar. Então vou insistir sempre na relação.

Yahoo! - Como o senhor vê a saída do deputado Rodrigo Maia do DEM? O partido perde com a saída dele e de outros políticos que podem acompanhá-lo?

Mandetta - Todo partido perde quando uma pessoa deixa, porque todas as pessoas colaboram. A sociedade é plural. Rodrigo vinha numa história com o partido, de juventude, depois como deputado, depois foi líder, foi presidente do partido. Ele construiu a eleição para a presidência da Câmara pelo partido, ele procurou ser plural, conversar com toda a Câmara, dar voz às minorias, que é uma característica de quem preza pela democracia. Ele tem muitos pontos de acerto. Tentou uma agenda necessária para o Brasil para ajudar. É lógico que faz falta. Ele conversa com um segmento enorme da sociedade. Agora essa eleição para presidência da Câmara foi tão dramática, tão mal conduzida, por um conjunto de atores, que acabou ficando uma crise do DEM, quando todos os partidos se dividiram. MDB se dividiu mesmo tendo como candidato o Baleia, até o Arthur Lira teve gente do PP que não votou nele. PSDB se dividiu, o PT se dividiu. Se não, Arthur Lira não tinha tido 304 votos. Mas ficou dentro do DEM, quando o Rodrigo personalizou no ACM Neto, naquele momento, a tensão entre os dois, aquilo trouxe um sentimento para os dois de que daqui pra frente é intransponível. Eu tenho trabalho que não é intransponível, que tem que passar o tempo, por a cabeça no lugar e, na hora, que perceberem que o nosso problema não está aqui dentro, está na gravidade da crise brasileira, que todo mundo pode ajudar, eu espero que o Rodrigo fique.

Yahoo! - Ainda em relação a 2022, o senhor acha que a pandemia vai ser o tema central da disputa presidencial?

Mandetta - Acho que vai ser tema central 2022, 2024, 2026, 2030. Vai marcar o século XXI como um dos pontos fulcrais, um dos pontos determinantes. Por exemplo, a crise da educação. Só essa saída de gente da escola, que não vai voltar, só a perda da educação, é uma perda que vai nos acompanhar. Agora especificamente a condução da pandemia no momento agudo, não tenha dúvida. Um governo que troca quatro ministros da Saúde durante uma pandemia é, no mínimo, um governo obtuso, confuso. Fora o conjunto todo da obra. Estamos falando de vida, de família. Vai ser pauta grande.

Ataques do governo Bolsonaro

Yahoo! - O senhor vê nos recentes ataques de membros governistas, o presidente citou o seu nome na live, teve a questão do Paulo Guedes... o senhor acha que isso já é uma preocupação com 2022?

Mandetta - Com certeza, o governo tá igual peru em chapa quente. Ele não consegue pisar no chão porque a população, que é a base, que é a chapa, está extremamente aquecida e aponta claramente a culpa do governo na péssima condução dessa crise. E o governo tenta terceirizar essa culpa, já terceirizou para China, era o vírus chinês, depois para a Organização Mundial da Saúde, depois o ministro, troca o ministro, põe um militar, agora é o Congresso Nacional, pau no Rodrigo Maia, pau no Davi Alcolumbre, depois era o STF. A imprensa brasileira, ela apanha e é culpada, ele quer matar o carteiro porque a notícia que está na carta é ruim para ele. Então, ele quer dar um tiro no carteiro. Tá louco para fechar veículos como o seu [de imprensa] para terceirizar. Quando eles olham as pesquisas e falam nossa avaliação é péssima para mais de 60% da população, com tendência de alta, isso daqui a pouco vai ser unanimidade. Até os radicais estão tendo dificuldade para defender o indefensável. E aí eles olham quem é que tinha a avaliação positiva? é esse Mandetta que tava aí. Quem é que tem a menor rejeição, porque lutou pela vida e nós ficamos com a morte? É esse Mandetta aí. Então eles olham e falam quem é que pode ter condição de ajudar, de compor chapa, de ser uma voz? É esse Mandetta. Eu vi isso. E de uma maneira tão infantil. O Paulo Guedes foi de uma infantilidade, de uma desonestidade, tão absurda. Parece que estou no colégio primário, Ele fala Mandetta levou 5 bi e deveria ter comprado a vacina. Se ele tiver um calendário, ele vai ver que o primeiro teste em humano ainda experimental foi em maio. Na época em que eu estava no ministério eles estavam pensando ainda na fórmula da vacina, ainda estavam trabalhando em rato, não tinha. Agora quando eles terminaram a fase 2, que entraram na fase 3, todos eles foram ao governo, no mês de agosto, para oferecer a vacina. Não é porque eram bonzinhos, é porque somos o melhor sistema do mundo para entregar e aplicar vacina. Todo mundo sabia que o Brasil ia ter muito caso, por causa das favelas, da falta de saneamento, da nossa inequidade absoluta. Então seria o lugar para eles demonstrarem a eficácia da vacina. Eles queriam começar a vacinar aqui em novembro. Se o governo tivesse feito a compra, essa onda que está passando hoje não existiria, não existiria esse colapso. Já estaria chegando a hora de abrir a economia. Daqui a pouco vai abrir a da Inglaterra, a dos Estados Unidos, Israel, Chile. E você vai ficar fechado mais seis meses e passando um apuro danado porque o Bolsonaro agora deveria estar de joelho, no milho, rezando, com um oratório bem grande. Porque se tiver uma variante, com essa quantidade de vírus que está circulando no Brasil, e essa variante for resistente a vacina, e fazer o mundo voltar à estaca zero por conta desse negacionismo dele, acho que ele vai ser levado diretamente daqui para Haia. Então é bom o governo querer parar de terceirizar. Eu sou só mais um. Agora eram governadores e prefeitos. Hoje ele foi ao STF para falar que governadores e prefeitos não devem recomendar nada, que quem deve recomendar é ele. Calcula ele fazendo a recomendação? Será que ele ia mandar ‘dilui cloroquina nas caixas d’água das cidades’? Acho que essa que ia ser a medida dele.

Negacionismo do presidente Bolsonaro e condução da pandemia

Yahoo! - Com a postura ‘negacionista’ do presidente em relação à pandemia, o senhor acha que o novo ministro pode representar alguma mudança na condução do ministério? Qual sua expectativa para a gestão do Marcelo Queiroga?

Mandetta - Os outros três ministros, você tinha em mim um ministro técnico, com valores humanista, franco com a população, sendo ministro, no sentido daquele que ministra, que dá a política de todo um setor pelo qual está responsável. Minha sequencia, que era Nelson Teich, não deu tempo de ver que tipo de ministro seria, era uma coisa confusa, híbrida. Ele não conseguiu, ficou 20 dias. Depois, o terceiro ministro que foi o Pazuello, que foi principal ministro do ano da pandemia. Eu fiquei até 16 de abril, ele ficou praticamente todo o segundo semestre do ano passado. Ele se comprometeu em não ser ministro. Ele foi o único ministro na história do país que cujo objetivo era não ser ministro. Ele foi o primeiro não-ministro. Não é porque é militar, porque já tivemos ministros economistas, engenheiros, mas foram ministros porque souberam ouvir a base técnica. Depois, quando ele esgota - porque o não-ministro colhe morte, colhe colapso, porque joga a favor da doença, o não-ministro não se opõe ao agressor à vida, é a maior força que o vírus pode ter. Ele nunca mandou as pessoas lavarem as mãos, nunca foi solidário, nunca visitou um hospital, nunca fez uma reunião harmônica para somar forças, não unificou SUS. E o presidente ditava toda essa política. Quando vai a troca dele, porque ele se esgota, as mortes, e a CPI era inevitável, então eles falam ‘é preciso entregar a cabeça desse ministro aqui e preciso de um cara de jaleco pra por no lugar dele porque está pegando mal’. Aí ele chama uma médica que atende elite, tem currículo, alguém fala ‘põe essa daqui se você está precisando empresta a credibilidade de alguém para limpar sua barra’. Ela chega e diz ‘não vou embarcar nesse negócio de cloroquina, se precisar de lockdown, vou recomendar’, ele olha e fala ‘mandaram um Mandetta de saia pra cá, tira essa mulher daqui!’.

O ministro que aceita cargo, tem lá o seu currículo, tem jaleco branco, é médico, quer dizer, está emprestando a credibilidade da profissão médica para o presidente se salvar um pouco, mas está todo mundo com fôlego preso, porque as primeiras declarações dele foram ‘vou dar continuidade’, a política não é do ministério, é do governo. Então se o presidente não mudar a maneira de encarar a pandemia, pode por prêmio Nobel de medicina lá que não vai alterar uma vírgula.

Yahoo! - Podemos dizer que a responsabilidade pelo alto número de mortes no país é responsabilidade desse “negacionismo” do presidente?

Mandetta - Ele é o álibi, ele é a inspiração, o fio condutor, onde se começa a construir uma narrativa. Você tinha três princípios e três eixos para enfrentar essa doença. Um dos princípios é que tudo começa pela defesa intransigente da vida. Se você não partir disso, todos as outras estão contaminadas. O segundo princípio é como proteger o maior número de vida. Para isso, precisa proteger o SUS. Então eu vou atingir essa política através do SUS. E o terceiro é como eu decido? Pela ciência como elemento de decisão. Então são três princípios: defesa da vida, o SUS como caminho e a ciência como elemento de decisão. Ele peca nos três princípios. E os três eixos que vêm logo abaixo, prevenção, os princípios mandam lavar as mãos, usar máscaras, evitar aglomeração, manter distância. E ele pega e diz ’não vou usar máscara, não vou lavar a mão e vou inspirar meus seguidores para eles demonstrarem apoio a mim que eles também não usem a máscara, que eles também falem que isso é uma bobagem, que eles também se rebelem contra uma orientação, uma educação em saúde.

O segundo eixo é a atenção, como vai atender essa gente. Quando ele pega uma caixa de cloroquina e diz ‘toma isso aqui que resolve, isso aqui é uma beleza, é só uma gripezinha’, quando faz. isso, faz uma divisão. Porque as pessoas chegam no médico e pede ‘me dá cloroquina’, o médico vê que não tem evidência científica. Tem médico que prefere dar logo para se ver livre. O outro pensa ‘se bem não faz, mal também não faz’. Tem outro que defende tratamento precoce. O que ele fez, ele encerrou o eixo da atenção, com cumplicidade do Conselho Federal de Medicina, que fez uma manobra de Pilatos e largou sociedade, já que o objetivo que ele foi feito foi proteger a sociedade e dar as normas técnicas. O ministério foi lá e escreveu ‘cada cabeça uma sentença'.

E o terceiro eixo, que é a alternativa de saída. Vacina era natural que saísse. Pegaram toda a experiência que já tinha da vacina da gripe e tentaram com o corona. Oferecem em agosto ao Brasil e eles falam não e ainda começam a fazer um movimento anti vacina. Começam a falar que a vacina tem um chip que vai entrar no seu cérebro, que vai virar jacaré. As pessoas que são mais cultas riem, mas a pessoa mais simples tem uma relação com autoridade muito forte. Ela fala que não vai tomar porque o presidente falou que vou virar jacaré.

Para todas as políticas, ele cria um álibi, sob um falso argumento de que entre a saúde e a economia, ele fica com a economia. Mas todo mundo sabe que se recupera mais rápido protege seu povo. Tanto que o Brasil já poderia ter virado essa página. Vai virar, até o final do ano vamos conseguir vacinar. Mas vamos perder esse timing todo, porque o mundo já está abrindo e ainda vamos ficar fechados um bom tempo. E rezar porque é uma loteria biológica perversa, rezar para não aparecer variante resistente à vacina.

Yahoo! - Na avaliação do senhor diante do cenário atual, qual seria o caminho agora para o Brasil sair dessa crise?

Mandetta - Acho que tem que chamar pessoal da ciência, se você olhar quantos % de pessoas estão no hospital, de 60 anos para cima são 84%. A doença está se deslocando para o jovem, que está chegando mais grave. Então está pressionado porque não tem leitos. Os médico estão tendo que escolher para quem vão dar leitos. Entre dar para um paciente de 85 anos ou de 35 anos, ele dá para o de 35, que tem mais chance à vida. Ou seja, você está flertando com o colapso. Isso já é morte por desassistência.

Você tem x vacinas. Estamos vacinando duas doses. Como tem pouca vacina, guarda a dose para a segunda aplicação. Eu teria feito estudo, aproveitar projeto-piloto com Serrana, para medir imunidade de anti-corpos a partir da primeira dose. Se fosse suficiente, daria uma dose para todo mundo, para não entrar em quadro de colapso.

Yahoo! - Mudaria alguma coisa na sua gestão do Ministério da Saúde

Mandetta - Lutei com toda minha força. Nos primeiros 40 dias, até ver queda do sistema da Itália, nos preparamos para um vírus mais pesado, mais lento. Não tinha como saber, nos primeiros 45 dias trabalhamos com a premissa equivocada. Fiz tudo muito intenso, era porta-voz do Ministério, fiz tudo o que podia fazer.

Quando o vírus começou a aparecer, não tinha caso identificado no Brasil, mas tinha gente que ia para o hospital porque espirrou, queria fazer teste. Vivíamos naquele momento sensação de pânico. Por isso, a orientação foi para observar os sintomas e, se evoluir para falta de ar, procurar uma unidade de saúde. Como eles estão em guerra de narrativa, porque estão com a culpa política, então ele diz isso, que eu disse para as pessoas não irem para o hospital, e a robozada dele trabalha isso o dia inteiro.

Paulo Guedes, mau caráter, falar de 5 bi no bolso, o cara responsável pela economia, falar que Mandetta tinha que ter comprado vacina.

Não sei se é por causa do Datafolha, de pesquisa de rejeição. Quanto mais fazem essas idiotices, mais se enroscam. Vejo um pouco de raciocino político torto também.

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