Bolsonaro passou a cobrar Moro sobre troca na PF após ex-ministro apoiar Mandetta, diz jornal

Bolsonaro não gostou de ver Sergio Moro apoiando o ex-ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta (Photo by Buda Mendes/Getty Images)
Bolsonaro não gostou de ver Sergio Moro apoiando o ex-ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta (Photo by Buda Mendes/Getty Images)

Sergio Moro decidiu sobre sua demissão do Ministério da Justiça e Segurança Pública antes de Jair Bolsonaro (sem partido) comunicar a troca no comando da Polícia Federal, informou o jornal Folha de S.Paulo neste domingo (26).

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O ex-juiz, já esperando pelo ato de Bolsonaro, tomou a decisão de sair do governo no final de semana anterior. Moro avisou a assessores e subordinados próximos que a interferência do presidente era uma "linha intransponível" e não aceitaria que ela fosse cruzada.

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Segundo o jornal, Bolsonaro cobrava insistentemente de Moro a saída de Maurício Valeixo do cargo de diretor-geral da PF, principalmente após o apoio do ex-juiz às medidas de isolamento social defendidas pelo então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, para combater a pandemia de coronavírus, em discordância com o presidente.

O tradicional encontro entre Bolsonaro e Moro às quintas-feiras, no Palácio do Planalto, aconteceu pela última vez no dia 23, às 9h. O presidente comunicou que trocaria Valeixo até o final da semana e avisou que definiria o substituto. Moro tentou indicar o nome do delegado Disney Rosseti, número 2 da corporação, mas Bolsonaro rejeitou. A conversa durou menos de dez minutos e, ao final, Moro pediu demissão.

No caminho de volta para o Palácio da Justiça, o ex-juiz conversou com a mulher, Rosângela Moro, que estava em Curitiba, e informou sua saída do governo. Ela tentou confortar o marido enviando por WhatsApp o poema ‘Ausência’, de Vinícius de Moraes, sobre o fim de um relacionamento:

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces.

Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.

No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida

E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.

Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado

Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados

Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada

Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.

Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face

Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada

Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite

Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa

Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço

E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.

Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos

Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir

E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas

Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

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