Bolsonaro cita "neurose" e "histeria" com coronavírus e se mostra otimista com hidroxicloroquina

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Presidente Jair Bolsonarodurante coletiva no dia 20 de março de 2020 (REUTERS/Ueslei Marcelino)
Presidente Jair Bolsonarodurante coletiva no dia 20 de março de 2020 (REUTERS/Ueslei Marcelino)
  • Para Bolsonaro, "alguns governadores e prefeitos erraram na dose" ao impor quarentena

  • Presidente diz que, "de acordo com as informações que eu recebi, [a hidroxicloroquina] já deu certo"

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) manteve o discurso dos últimos dias de preocupação com os efeitos do confinamento em algumas cidades do Brasil e afirmou, durante sua transmissão ao vivo nas redes sociais nesta quinta-feira (26), que há "neurose" e "histeria" com o coronavírus.

Segundo Bolsonaro, o vírus "é uma onda e vai passar". "O que não pode chegar é uma onda de desemprego, que essa demora para ir embora", disse, ressaltando durante boa parte da transmissão sua preocupação com o crescimento do desemprego que ocorreria em decorrência das quarentenas decretadas no país.

Além disso, o presidente falou por vários momentos dos testes bem-sucedidos do medicamento hidroxicloroquina com pacientes contaminados com coronavírus, que têm apresentado melhoras após a aplicação do remédio. "Pelas informações que eu tenho, já deu certo."

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Bolsonaro estava acompanhando da intérprete de Libras Elizângela Castelo e Pedro Guimarães, presidente da Caixa Econômica Federal. O presidente foi o único dos três integrantes que não usou máscara na transmissão.

Além de falar sobre o coronavírus - que ele chegou a chamar de "coronovírus" em um determinado momento, sendo corrigido por sua equipe de apoio em seguida –, Bolsonaro comentou ações da Caixa, como a redução de taxas de juros no cheque especial, e o benefício de R$ 600 mensais que o governo fornecerá aos trabalhadores informais durante a crise.

Na live, Bolsonaro fez também críticas àqueles que considera seus adversários habituais, como os partidos PSOL e PT, Cuba, Venezuela e a imprensa brasileira.

A transmissão no Facebook, que costuma ter entre 40 mil e 50 mil pessoas acompanhando, se manteve perto dos 128 mil visualizadores, chegando a bater até 140 mil, indicando o interesse das pessoas em ouvir as falas do presidente em meio à crise do coronavírus.

"O vírus é igual chuva; fechou o tempo, você vai se molhar"

Logo no início da transmissão, Bolsonaro citou as críticas que recebeu por seu pronunciamento em rede nacional na terça (24) e afirmou que está "preocupado com a vida das pessoas". "Tenho que me preocupar também com o emprego da pessoas. Uma pessoa desempregada vai viver como?", declarou. "A maioria do povo brasileiro não consegue viver mais que uma semana sem emprego."

Em seguida, ele diz que não está "criticando os governadores". "Eu critico alguns poucos governadores que erraram na dose [nos decretos de quarentena], e dose errada vira veneno. O povo fica desesperado, quer trabalhar." Segundo ele, alguns governadores e prefeitos decretaram quarentena  "antes do necessário".

"Queremos que não haja morte por causa do vírus. Mas esse vírus é igual chuva: fechou o tempo, deu trovoada, você vai se molhar. E vamos tocar o barco. Não vou minimizar a gripe. Se bem que, dizem os infectologistas, para 90% das pessoas é quase nada", afirmou. Ele também ironizou as críticas que recebeu por ter se referido à covid-19 como uma "gripezinha". "Falar gripezinha não pode", reclamou.

Na parte final da live, Bolsonaro se dividiu entre o otimismo com o tratamento de pacientes com a hidroxicloroquina e as críticas às quarentenas.

"Essa neurose de fechar tudo não está dando certo. Para combater o vírus, estão matando o paciente. Dizem que eu estou mais preocupado com a economia do que com a vida das pessoas. Sem grana tu morre de fome, cara. Morre de depressão, suicídio. Quanto mais desemprego, mais violência", declarou.

"Mas acreditamos nos médicos, enfermeiros, pesquisadores, e esse Reuquinol [nome comercial da hidroxicloroquina no Brasil], se Deus quiser, vai ser confirmado como remédio para curar a covid-19. E com o remédio, vai embora essa histeria implantada pelo Brasil. Que não foi implantada pela imprensa, foi o Papai Noel, o Saci Pererê", ironizou o presidente.

"Não posso afirmar porque não sou médico nem pesquisador, mas pelas informações que eu tenho, as informações é que [a hidroxicloroquina] já deu certo. Nós vamos vencer essa onda e o Brasil vai crescer."

Ele ainda pediu "um tempinho para aqueles que me julgam tão rapidamente". "Me dá 24 horas só", disse.

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