Bolsonaro chama manifestantes contrários de "terroristas", "idiotas" e "viciados"

Presidente Jair Bolsonaro durante transmissão ao vivo (Reprodução)
Presidente Jair Bolsonaro durante transmissão ao vivo (Reprodução)
  • Presidente levou assessor para explicar e atacar ativistas que se identificaram como antifascistas em protestos contra o governo

  • Bolsonaro vincula manifestantes a black blocs e dizem que "eles não servem para nada"

Por Marcelo Freire

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) usou boa parte da sua live semanal nesta quinta-feira (4) para atacar os manifestantes contrários ao governo que saíram às ruas no último domingo. Bolsonaro chamou os ativistas, que se identificaram como antifascistas, de "idiotas" e convocou seu assessor Filipe Martins para falar sobre o assunto.

A manifestação de domingo foi organizada em dezenas de cidades e teve como estopim um ato contra Bolsonaro marcado na avenida Paulista, em São Paulo, por grupos de torcidas organizadas de Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos que são identificados com o antifascismo – uma ideologia que se opõe a grupos de extrema direita, racistas, fascistas e nazistas.

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Os manifestantes levaram faixas de apoio à democracia e, em São Paulo, chegaram a entrar em confronto com grupos favoráveis a Bolsonaro. Em Curitiba, na segunda-feira (1º), um novo ato contra o presidente teve registro de depredação de prédios – os organizadores do protesto disseram que pode ter sido uma ação de infiltrados no movimento.

Bolsonaro vinculou os "antifas" aos "black blocs", em alusão aos manifestantes que praticavam atos de depredação e entravam em confronto com policiais durante a onda de protestos que atingiu o país em 2013. "Na verdade, são terroristas", disse ele no início da live. 

O presidente também afirmou que "eles querem a volta da baderna". Ele lembrou do caso do cinegrafista Santiago Andrade, em 2014, que morreu após ser atingido por um rojão durante um protesto no Rio de Janeiro – dois manifestantes são réus pela morte, em um caso que ainda está na Justiça. Na época, o caso ganhou repercussão na imprensa brasileira e acirrou a discussão sobre os episódios de violência nos protestos.

Filipe Martins afirmou que "houve uma comoção, mas ninguém criticou os vândalos que estavam fazendo aquilo". "Ao passo que hoje, qualquer crítica que se faça à imprensa tem uma grande choradeira, em contraste com o que acontecia naquele momento", afirmou Martins.

Bolsonaro disse que "apareceram dois advogados para defender os manifestantes" que soltaram o rojão. "Eu esperava um maior apoio da mídia para o colega que morreu, mas foi um apoio discreto para ele e para sua família", opinou o presidente.

Em seguida, Bolsonaro voltou a citar o episódio em que foi esfaqueado por Adélio Bispo, novamente levantando suspeitas sobre os advogados que defenderam o réu. 

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"Eu pensei que a imprensa ia cair de pau nos dois advogados. 'O que vocês [advogados] estão fazendo aqui?' Estavam acompanhando o movimento. Se desse problema, como deu, interferia imediatamente. Como no caso Adélio: deu problema e quatro advogados apareceram imediatamente, e dizem que estavam defendendo o Adélio em nome dos direitos humanos. Eu no hospital esfaqueado, o vagabundo detido e esse pessoal que bancou o Adélio estava lá defendendo a integridade do Adélio", reclamou Bolsonaro.

Na sequência, Martins disse que o grupo opositor se identifica como antifascista para evitar posicionamentos contrários. "Porque aí, se me coloco contra o grupo, eu vou ser [considerado] fascista. Eles fazem esse truque com essas palavras, mas as metodologias dele são exatamente as mesmas dos black blocs", afirmou o assessor de Bolsonaro.

Em meio a ataques à imprensa, que Bolsonaro acusou de apoiar o movimento, o presidente pediu que seus apoiadores não comparecessem ao local dos protestos contra o governo que estão marcados para o próximo domingo (7).

Ele também afirmou nunca ter "potencializado" os atos favoráveis ao governo federal – que frequentemente têm manifestantes atacando o Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional, inclusive pedindo intervenção militar, e com registro de agressões a jornalistas. Bolsonaro frequentemente cumprimenta os manifestantes em Brasília e divulga imagens dos atos em suas redes sociais.  

"Esses marginais marcaram para domingo. Eu nunca convoquei ninguém pra movimento nenhum, não potencializei nas minhas mídias sociais. Eu agradeço todos aqueles que participaram de movimentos patrióticos no corrente ano.  Lamentavelmente, um ou outro bota uma faixa lá mais esquisita, que não tem nada a ver com a democracia, mas é direito o dele, fazer o quê?"

"No domingo, esse pessoal está marcando um movimento, eu peço a todos aqueles que nos seguem que não participem desse movimento, fica em casa ou vai para outro lugar. Deixe-os mostrar, só eles, o que é democracia. Eu não estou torcendo para ter quebra-quebra, mas a história nos diz que esses marginais de preto vão como soco inglês, punhal, barra de ferro, coquetel molotov, geralmente apedrejam, queimam bancos", afirmou.

Depois, Bolsonaro afirmou que os manifestantes querem "roubar tua liberdade". "Esse pessoal não tem nada a oferecer para você. Se você pegar 100 deles.. parte considerável são estudantes. Se aplicar prova do Enem neles, acho que ninguém tira 5. Não sabem interpretar um texto. São uns idiotas. Não servem para nada", atacou.

Segundo o presidente, os manifestantes também são usados como "massa de manobra sob o comando de um agitador profissional". Em outro momento, disse que "muitos são viciados". "Querem tumulto e confrontos", concluiu.

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