Bolsonaro ataca imprensa e coloca PMs contra jornalistas; declaração é feita no dia de matérias sobre Flávio e Abin

João de Mari
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Ao lado do filho Flávio, Bolsonaro discursa no Rio e faz duros ataques à imprensa (Foto: Reprodução/TV Brasil)
Ao lado do filho Flávio, Bolsonaro discursa no Rio e faz duros ataques à imprensa (Foto: Reprodução/TV Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a atacar a imprensa ao incitar policiais militares do Rio de Janeiro contra jornalistas nesta sexta-feira (18). Durante evento de formatura de PMs, o presidente afirmou que a mídia "defende canalhas" e "sempre estará contra" os agentes de segurança. As declarações foram feitas ao lado do filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), que voltou aos noticiários após reportagens com mais detalhes sobre as “rachadinhas”.

“Em uma fração de segundo, está em risco a sua vida, a de um cidadão de bem ou a de um canalha defendido pela imprensa brasileira. Não se esqueçam disso. Essa imprensa jamais estará do lado da verdade, da honra e da lei. Sempre estará contra vocês. Pense dessa forma para poder agir”, declarou Bolsonaro.

No evento desta sexta, que ocorreu no CFAP (Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças), Bolsonaro ainda disse ao policiais que "muitas vezes eles estarão sós" e "terão apenas Deus ao seu lado". “E, assim sendo, se preparem cada vez mais. Simulem as operações que podem aparecer pela frente", afirmou.

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Os ataques de Bolsonaro ocorrem no dia em que duas reportagens trazem novos detalhes sobre a suposta ajuda da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) à defesa do seu filho mais velho, senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), no caso das "rachadinhas" na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

Luciana Pires, advogada de Flávio, afirmou que as orientações dadas pela Abin para a defesa do senador foram dadas diretamente pelo diretor geral da agência, Alexandre Ramagem. Em entrevista à revista Época, Luciana sinalizou que as ordens dadas por Ramagem estavam fora do alcance dela.

Após novas denúncias da produção de relatórios pelo órgão para orientar a defesa do senador, os partidos Rede e PSB pediram o afastamento do diretor-geral Alexandre Ramagem.

Bolsonaro participou da agenda ao lado do filho, Flávio Bolsonaro, do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e do atual governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC).

"Jamais a nossa democracia e a nossa liberdade serão ameaçadas por quem quer que seja. Os três poderes são independentes e anônimos. Mas o maior poder é o do povo brasileiro. Povo esse ao qual eu devo lealdade absoluta", declarou Bolsonaro.

O presidente da República ainda teve tempo de acusar a imprensa de “fabricar fake news”.

"Contamos com o povo maravilhoso e a liberdade das mídias sociais, que essas sim trazem a verdade para vocês. Uma fábrica de fake news está em grande parte da imprensa brasileira. Isso é uma vergonha para o mundo”, concluiu.