Bolsonaro diz que só aceita ajuda se Macron 'pedir desculpas'

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Bolsonaro afirmou que só aceita ajuda se Macron pedir desculpas. (Foto: Carolina Antunes/PR)
Bolsonaro afirmou que só aceita ajuda se Macron pedir desculpas. (Foto: Carolina Antunes/PR)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Bolsonaro afirmou que só aceita conversar com a França se Macron pedir desculpas

  • G-7 ofereceu R$ 90 milhões para ajudar no combate às queimadas na Amazônia

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Após diversas trocas de farpas, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) impôs uma condição para voltar o diálogo com Emmanuel Macron, presidente francês, e aceitar a ajuda financeira oferecida pelo G-7 no combate às queimadas na Amazônia.

Em entrevista aos jornalistas na saída do Palácio da Alvorada, na manhã desta terça-feira (27), Bolsonaro afirmou que só haverá conversa a respeito do aporte do dinheiro se for retirado um possível acordo sobre a “internacionalização” da Amazônia e se Macron “pedir desculpas”.

“Primeiro ele retira [possível internacionalização da Amazônia], depois oferece e aí eu respondo”, disse o presidente.

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Irritado, Bolsonaro disparou contra Macron e o acusou de chamá-lo de “mentiroso”. “Primeiro ele me chamou de mentiroso. Depois, segundo informações que eu tive, disse que nossa soberania esta em aberto na Amazônia. Então pra conversar ou aceitar qualquer coisa da França, que seja das melhores intenções possíveis, ele vai ter que retirar essas palavras e aí a gente pode conversar”, pontuou.

BATE-CABEÇA NO PLANALTO

O Palácio do Planalto tem batido cabeça a respeito da ajuda financeira oferecida pelas potências europeias. Ao contrário do que declarou nesta segunda-feira (26) o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, os recursos financeiros de cerca de R$ 90 milhões oferecidos pelos países do G-7 para combater as queimadas na Amazônia deverão ser aceitos pelo Ministério do Meio Ambiente.

A declaração, na contramão do Planalto, foi feita no fim da noite desta segunda, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.

Na entrevista, Salles afirmou que "não é verdade que o Brasil não quer o dinheiro" e apontou que o governo tem tomado medidas para conter o fogo independentemente da ajuda estrangeira, citando, por exemplo, o decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que permite que forças armadas possam agir com poder de polícia.

“Os US$ 20 milhões viriam através de equipamentos como aviões. O que me parece uma ajuda importante. O Onix é o ministro da Casa Civil. Ele tem papel político. Eu sou ministro do meio ambiente. Tenho outra visão. Acho que é preciso agregar o máximo de equipamentos possíveis para que a gente resolva isso”, completou Salles.

Mais cedo, Onyx afirmou que o governo rejeitará a ajuda do G-7 para combater as queimadas na Amazônia que foi anunciada por Emmanuel Macron, presidente francês.

"Agradecemos, mas talvez esses recursos sejam mais relevantes para reflorestar a Europa. O Macron não consegue sequer evitar um previsível incêndio em uma igreja que é um patrimônio da humanidade e quer ensinar o quê para nosso país? Ele tem muito o que cuidar em casa e nas colônias francesas", disse o ministro ao blog do jornalista Gerson Camarotti no portal G1.

TOM AGRESSIVO

A declaração forte de Lorenzoni seguem o tom das falas do presidente brasileiro nos últimos dias. Jair Bolsonaro e Emmanuel Macron tem trocado farpas publicamente desde a semana passada.

O dinheiro proveniente dos líderes do G-7 seria destinada, em sua maior parte, ao envio de aviões de combate a incêndio. O grupo também ofereceu uma assistência de médio prazo para o reflorestamento a ser apresentada na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), marcada para o fim de setembro. Para receber essa ajuda, o Brasil precisaria aceitar em trabalhar com ONGs e com a população local, de acordo com o governo francês.

"O Brasil é uma nação democrática, livre e nunca teve práticas colonialistas e imperialistas como talvez seja o objetivo do francês Macron. Aliás, coincidentemente com altas taxas internas de rejeição", disparou o ministro da Casa Civil.

Mesmo diante das inúmeras críticas internacionais que a política ambiental do governo Bolsonaro vem recebendo, Onxy exaltou capacidade do país ao afirmar que o Brasil pode ensinar “a qualquer nação” como proteger matas nativas. Por fim, ainda lembrou que “não existe nenhum país que tenha uma cobertura nativa maior”.

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